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Publicado por em mar 6, 2020 em Artigos |

O começo de tudo

O começo de tudo

Por Roberto Cotta*             O medo esconde a selvageria espalhada em nossas veias. Em certo momento, o tigre e a moça se deparam com um muro alto, bem mais vasto que o mundo onde habitam. Surge, então, o impasse: pular ou continuar sob proteção da mesma redoma? Entre metáforas e reflexões, Só sei que foi assim (Giovanna Muzel, 2019) mostra a passagem à vida adulta como um doloroso exercício de desapego. Para uma juventude cada vez mais acostumada com os salamaleques urbanos, tem sido uma batalha sair do casulo e enfrentar o tédio da selva cotidiana. O tempo passa, o tigre some na floresta e a moça se despede do amigo. Vida que segue, indomável.                 Eleita pela Associação de Críticos do Rio Grande do Sul (ACCIRS) como melhor curta gaúcho de 2019, a animação coloca a sutileza de sua técnica a serviço de uma memorabilia de gestos banais apresentados de forma mágica. O primeiro plano já traz uma tela dividida em três, com imagens de um caneco...

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Publicado por em mar 1, 2020 em Destaque, Dossiês, Em destaque |

Dossiê: Prêmio Accirs – Melhores 2019

Dossiê: Prêmio Accirs – Melhores 2019

O Dossiê Prêmio Accirs 2019 reúne textos, entrevistas e reportagens sobre os melhores filmes de 2019, eleitos pela Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul. Além da publicação de conteúdo sobre os vencedores, optou-se por incluir material também sobre os finalistas. Diante do grande volume de novas produções internacionais, brasileiras e do Rio Grande do Sul, o resultado da eleição, que indicou os três melhores títulos em cada categoria, se reveste de significado pela atenção que direciona a esses filmes no conjunto da produção de 2019. PRÊMIO LUIZ CESAR COZZATTIAida Ferrás Cinéfila Aida Wailer Ferrás, Prêmio Destaque Accirs 2019, por Fatimarlei Lunardelli MELHOR LONGA ESTRANGEIROParasita, de Jong Boon-ho Parasita – Uma casa, duas famílias e muitos gêneros, por Bianca Zasso Memórias do subsolo: relatos de naufrágio e descenso, por Carla Oliveira “Parasita”: fascinante mistura de gêneros ilustra questões sociais marcantes dos nossos tempos, por Matheus Pannebecker Parasita vs. Assunto de família, por Ivonete Pinto Parasita, por André Kleinert Parasita: sobre porões, subsolos e escadarias, por Jaqueline Chala Parasita:...

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Publicado por em mar 1, 2020 em Artigos |

Memórias do subsolo: relatos de naufrágio e descenso

Memórias do subsolo: relatos de naufrágio e descenso

Por Carla Oliveira Em uma mostra de cinema coreano apresentada no Espaço Nimas, em Lisboa, no ano de 2017, o crítico de cinema Jung Sung-il explicou à plateia que uma das essências do cinema e da cultura coreana é a expressão do sentimento han. Controverso e dito de difícil entendimento pelos ocidentais, o han pode ser definido como uma comoção, uma vivência individual ou coletiva de humilhação, dor, frustração, luto e ressentimento, em uma intensidade tão profunda, que poderia até justificar um ato de vingança. Jung Sung-il debatia com o público o filme Para além do tempo (Chun nyun hack, 2007), de Im Kwon-taek, diretor de mais de uma centena de filmes, considerado o pai do cinema coreano contemporâneo. Nessa obra, era apresentado o pansori, apregoado como o som do han, uma tradição musical narrativa coreana, originada no século XVII, que atingiu seu auge no século XIX, quando passou a ser performada por pessoas em condições econômicas e sociais desfavoráveis. No século XX, quando o centenário cinema coreano nasceu...

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Publicado por em fev 29, 2020 em Uncategorized |

Cinéfila Aida Wailer Ferrás, Prêmio Destaque Accirs 2019

Cinéfila Aida Wailer Ferrás, Prêmio Destaque Accirs 2019

Por Fatimarlei Lunardelli O que mais impressiona para quem conversa com a cinéfila Aida Wailer Ferrás, é constatar que ela viveu todas as transformações importantes da história do cinema. Porto-alegrense nascida no bairro Cristal, em 1933. Tinha dois anos quando começou a ver filmes em Quaraí e até hoje, com 86 anos, é presença assídua nas salas de cinema. Não poderia haver pessoa mais adequada para receber o Prêmio Luiz Cesar Cozzatti, com o qual anualmente a Accirs reconhece a cultura cinematográfica no estado. É a primeira vez que se distingue uma personalidade, uma pessoa cuja presença é imprescindível para magia do cinema acontecer, como muito bem afirma Aida, que nos contagia com sua alegria e incrível disposição para a vida. Ela fez parte da criação da Colmeia, a feira de agricultores ecológicos, em 1989, atuou na Biodança, tem formação em yoga, visitou ashram na Índia, é inquieta e criativa. Segue a entrevista, que traz aspectos da formação, trajetória e vida desta figura singular da cena cinematográfica porto-alegrense. Como...

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Publicado por em fev 28, 2020 em Artigos |

Dor e Glória, o exercício de lidar com a perda

Dor e Glória, o exercício de lidar com a perda

Por Rafael Valles Ao analisar a obra de Almodóvar, não faltariam adjetivos para descrevê-la: melodramático, intenso, trágico, provocador. Todos esses termos identificam tendências nos seus filmes, mas também caem em lugares comuns identificáveis por qualquer espectador que tome conhecimento de sua obra. Um caminho interessante para descobrir mais a fundo a filmografia de Almodóvar está na forma como os seus personagens são construídos. Venho aqui falar sobre uma questão que percorre as suas produções e também se faz presente no seu mais novo filme, Dor e Glória (2019). Almodóvar é um cineasta que reflete constantemente sobre a questão da perda. Em Tudo sobre minha mãe (1999), Manuela perde o seu filho, Esteban, quando este, no dia do seu aniversário, é atropelado por um carro; isso faz com que ela retorne para Barcelona, 18 anos depois, para reencontrar o pai de seu filho. Em Fale com ela (2002), ao ser acusado por supostamente ter estuprado e engravidado a paciente Alicia – que se encontra em estado vegetativo – Benigno perde...

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