Um clássico para sempre moderno (Acossado, 1959)
por Flávio Guirland Falar de Acossado, de Jean-Luc Godard, pressupõe um risco. Não só porque o filme foi um “divisor de águas” que marcou verdadeiramente a entrada do cinema no âmbito das narrativas da modernidade, mas também por ter sido uma das obras mais comentadas de todos os tempos. O filme foi um dos primeiros da Nouvelle Vague, o movimento liderado por jovens críticos de cinema que escreviam na revista Cahiers du Cinema, encabeçada pelo notório André Bazin. Esses novos realizadores visavam, acima de tudo, a romper com as convenções instituídas por aquilo que eles chamavam de “o cinema do papai” (le cinema de papa), isto é, as produções insuportavelmente conservadoras do cinema francês e, de quebra, a estabelecer um contraponto estilístico ao cinema comercial produzido por Hollywood. O seu lançamento, no já distante ano de 1959, configurou-se como um ato de ousadia e, como era de se esperar, suscitou discussões apaixonadas. Havia os que o defendiam, em consonância com seu caráter revolucionário. Havia aqueles que o atacavam, em...
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