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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Cláudio Cunha lembra como era gostoso o nosso cinema

por Laura Cánepa e Remier Lion Na década de 1970, Cláudio Cunha foi um dos mais poderosos produtores da chamada Boca do Lixo paulistana, local onde se produziram os principais filmes do ciclo conhecido como pornochanchada. Entre os grandes sucessos do produtor e diretor estão títulos hoje pouco lembrados, mas que levaram milhões de brasileiros ao cinema, tais como Snuff – Vìtimas do Prazer (1977), Amada Amante (1978) e A Dama da Zona (1979). Afastado do cinema desde a metade dos anos 80, hoje, Cunha, aos 58 anos, está no livro Guinness como produtor e ator do espetáculo teatral mais longevo do mundo – O Analista de Bagé, em cartaz nos teatros brasileiros desde 1983. Nesta entrevista, ele soltou o verbo e disse o que pensa do passado, do presente e do futuro do cinema brasileiro. Fale um pouco sobre como você chegou ao cinema. Cláudio Cunha – Minha primeira participação no cinema foi como ator, num filme do Roberto Mauro chamado As Mulheres Amam por Conveniência (1972). Na...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Um olhar sobre a Índia (Livro Um Spa na Índia)

por Hiron Goidanich, o Goida Primeiro, veio o documentário: Índia, do Deserto ao Ganges. Apenas 40 minutos, rodados com câmera digital. A Luciana Tomasi – sócia da Casa de Cinema de Porto Alegre – achava que as imagens não tinham ficado boas. “Sou péssima câmera, pois sou muito ansiosa… Não sei se vai render um documentário… As fotografias devem estar melhores que as imagens em movimento”. Os poucos privilegiados que viram o documentário gostaram. Com um poder de síntese ótimo, montagem perfeita, a Luli fez um trabalho bom. Dispensou a narrativa, usou somente músicas que se ouviam nas ruas, nos templos, castelos e os lugares que percorreu. Há indicações com os nomes: Nova Délhi, Jaipur, Pushkar, Jodhpur, Jaisalmer, Udaipur e Varanasi. Tudo para chegar numa clínica de tratamento ayurvédico em Cochin. Pelos nomes, já se vê que não foi uma viagem convencional. “A idéia era cuidar de mim, emagrecer, desestressar e fazer uma limpeza no corpo e na alma”. Daí a razão do nome do livro Um Spa na...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Um homem dominado por suas obsessões (O Homem Urso, 2005)

por Cristian Verardi O cineasta alemão Werner Herzog, seja na ficção ou no documentário, sempre utilizou sua câmera como uma arma para dissecar os conflitos internos de suas personagens. A ganância e o progressivo enlouquecimento de Klaus Kinski em Aguirre, A Cólera dos Deuses (1972), ou o processo que vai da total alienação do mundo ao desabrochar da consciência pelo qual passa Bruno S, em O Enigma de Kaspar Hauser (1974), são exemplos de seu cinema intimista e anárquico, que reflete tanto a construção como a diluição do indivíduo. Em O Homem Urso, Herzog volta suas lentes de documentarista para a trágica história do ambientalista amador Timothy Treadwell, que passou 13 verões consecutivos em companhia de ursos pardos no Alasca, até ser, junto com sua companheira Amie Huguenard, pateticamente devorado por um deles. É compreensível o interesse de Herzog pela desastrada empreitada de Treadwell, que sintetizou em vida os paradoxos ficcionais do cineasta alemão. Quando decidiu dedicar sua vida à proteção dos ursos pardos, Timothy Treadwell acabou abdicando de...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Helena (quase) na intimidade (Dona Elena, 2004)

por Daniel Feix Documentário é linguagem. Qualquer realizador que desconhecer esta premissa estará fazendo, por princípio, um filme contestável. De que valeria um documentário com a forma de uma reportagem do Globo Repórter? O que faria em uma sala de cinema, no circuito alternativo (é ali que passam os documentários), um filme que não se propusesse a ser autoral, mas tão-somente a registrar um fato ou apresentar um personagem? Um documentário, um filme-documentário, jamais vale apenas pelo seu tema, pelo seu objeto de documentação. Seu valor está sempre na interpretação do autor sobre esse tema-objeto, na forma, na maneira com que o documentarista o apresenta. Eduardo Coutinho criou um jeito único de fazer filmes. João Moreira Salles inventa e reinventa suas narrativas a cada produção. Jorge Furtado e Fernando Birri fizeram as duas maiores referências do documentário dos lados de cá e de lá do Rio da Prata testando os limites da linguagem, indo até onde a realidade se confunde com a ficção (Ilha das Flores, do diretor gaúcho)...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Entre paixão e amizade (Cidade Baixa, 2005)

por Adriano de Oliveira Pinto Cidade Baixa, estréia em longa-metragem do diretor Sérgio Machado, trata da história de um triângulo amoroso envolvendo dois amigos fraternais que vivem de trampos e golpes (os ótimos Lázaro Ramos e Wagner Moura, dois dos melhores atores da novíssima geração do cinema brasileiro) e uma stripper (Alice, sobrinha de Sônia Braga, em grande desempenho) que se interpõe entre eles. O cenário dessa ciranda amorosa é, na maior parte das vezes, a zona portuária de Salvador, nos dias atuais. Dados tais personagens e ambientação, temos ingredientes para uma trama pontuada de um intenso naturalismo. Não necessariamente o naturalismo de Zola, mas um bem tropical, mais próximo de nossos Aluísio de Azevedo e Julio Ribeiro. Desta forma, Cidade Baixa parece um filme-tese. E ele o é, de certa maneira, embora não seja originalmente concebido para sê-lo, pois como seu diretor afirma, acima de tudo trata-se de uma história de pessoas, essencialmente humana. Em suma, tal película vai além de sua motivação inicial, o que por si...

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