Santiago, Itália
Por Leonardo Bomfim Vi Santiago, Itália (2018), novo documentário de Nanni Moretti, no Bafici, o Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires. Era o filme de encerramento. Naquele dia, já havia visto dois filmes que traziam protagonistas escondidos em suas tramas, o incrível The Passionate Stranger, da pioneira feminista inglesa Muriel Box, e Shakti, o novo curta de Martín Rejtman, o papa do Nuevo Cine Argentino. Saí com essa impressão: em galáxias absolutamente distantes, a verdadeira autora dos bolinhos de batata do filme de Rejtman e a história rocambolesca do Dom Quixote da Sicília do filme de Muriel Box, me fizeram pensar sobre protagonistas impossíveis a partir do momento em que os territórios de uma história são delimitados. Mordido pelo bicho da semelhança, fiquei me perguntando se também não há um protagonista escondido no filme de Moretti. Por que o interesse nessa história agora? Ao longo da projeção, a questão vem algumas vezes à cabeça – em uma sequência a impressão é a de que o filme só existe para...
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