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Publicado por em fev 3, 2019 em Artigos |

O terror social em As Boas Maneiras

O terror social em As Boas Maneiras

Por Ivonete Pinto, artigo inédito, especialmente publicado pelo site da Accirs Com lobisomem sertanejo, Juliana Rojas e Marco Dutra inventam um terror brasileiro, pleno de elementos para pensar o País, tanto quanto o expressionismo pensou a Alemanha. No clássico De Caligari a Hitler, Siegfried Kracauer afirma que os filmes derivados do O Gabinete do Dr. Caligari (Robert Wiene, 1919) acentuam o surgimento de impulsos desordenados em um mundo caótico. Ele os chamou de “filmes de instintos”. Abarcando outros títulos, em especial os roteirizados por Carl Mayer, Kracauer encontrou nas obras traços comuns, onde se sobressaem personagens representantes da pequena burguesia, criaturas oprimidas e atormentadas, incapazes de sublimar seus instintos. Os filmes do expressionismo alemão, em que podemos incluir o tardio (para fins de delimitação da escola) M, o Vampiro de Dusseldorf (Fritz Lang, 1931), trabalhavam com o horror, que florescia justamente num momento de transição da sociedade, no caso, a alemã pós guerra, e que vivia em profunda crise econômica e moral. O medo era o sentimento que predominava e...

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Publicado por em fev 2, 2019 em Artigos |

A melancolia de Yoñlu

A melancolia de Yoñlu

Por Jaqueline Chala, crítica radiofônica transmitida no programa Na Trilha da Tela, da Rádio FM Cultura, 107.7, de Porto Alegre Yoñlu foi um dos grandes lançamentos do cinema gaúcho em 2018. A cinebiografia deste jovem, que terminou tragicamente com a própria vida em 2006, num episódio envolvendo os fóruns anônimos da internet, é uma narrativa que procura não apenas resgatar a obra artística de seu biografado, mas também dar a compreensão de sua personalidade. Através de vários artifícios de encenação e de filmagem,Yoñlu é eficiente ao nos transportar ao mundo de seu personagem. Yoñlu foi o pseudônimo artístico assumido por Vinícius Gageiro Marques, garoto precoce nascido em Paris, filho de pais intelectuais que estudavam na França. Proficiente em várias línguas, como inglês, francês e galês, Vinícius aprendeu música cedo e conviveu desde pequeno com a literatura e as artes. Aqui no Brasil, ele mantinha um estúdio em casa, onde gravava suas músicas e fazia seus desenhos. É neste universo particular que a trama de Yoñlu se desenrola na maior parte do tempo. Além...

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Publicado por em fev 2, 2019 em Uncategorized |

Porto Alegre dos cinéfilos, uma homenagem aos cineclubes

Porto Alegre dos cinéfilos, uma homenagem aos cineclubes

Por Carla Oliveira, cineclubista, cinéfila e colaboradora na revista digital do Cineclube Academia das Musas e no fanzine Zinematógrafo, especialmente para o site da Accirs. O Clube de Cinema de Porto Alegre, o cineclube mais antigo e tradicional da cidade, foi reconhecido pela Accirs (Associação dos Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul) com o Prêmio Luiz César Cozzatti – Destaque Gaúcho 2018, por sua atividade ininterrupta nos últimos 70 anos. O prêmio é destinado à valorização da produção audiovisual e da cultura do Rio Grande do Sul. Fundado em 13 de abril de 1948, pelo crítico e cinéfilo Paulo Fontoura Gastal, o Clube de Cinema é importante difusor da cultura cinematográfica e seu papel educativo é atestado em suas sessões semanais, nos debates entre seus associados e membros da comunidade presentes. Ciclos de clássicos, produções contemporâneas, valorização do cinema brasileiro e gaúcho (em sessões especiais com a presença de diretores) são alguns de seus feitos. Dentre seus associados (um grupo, a princípio, eclético) emergem pesquisadores, críticos e, sobretudo,...

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Publicado por em jan 31, 2019 em Artigos |

Uma Porto Alegre Cinematográfica

Uma Porto Alegre Cinematográfica

Por Eron Duarte Fagundes, especialmente para o site da Accirs Tinta Bruta (2018), filme realizado pelos gaúchos Filipe Matzembacher e Márcio Reolom, é uma surpresa. Antes de mais nada, porque o senso de cinema dos realizadores se depurou sobremaneira desde o frouxo e incipiente Beira-mar (2015). Depois, porque a utilização da cenografia da cidade de Porto Alegre é feita com uma plasticidade, noturna e um pouco surrealista, como ainda não se vira no cinema feito aqui no sul do país. Trata-se duma narrativa que devoramos assim à medida que ela nos devora. A temática do sexo homossexual ainda e sempre é o que informa o cinema de Matzembacher e Reolom. A personagem de Pedro faz performances na internet utilizando tintas e dançando despido e pintado para provocar esteticamente quem vê as cenas. O filme acompanha também a vida de procura do prazer no mundo noturno porto-alegrense por parte de Pedro. Lança em cena os problemas da personagem com um processo criminal, documenta as dívidas da criatura para com o...

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Publicado por em jan 28, 2019 em Artigos |

Mamãe coragem

Mamãe coragem

Por Marcus Mello, texto publicado na revista Teorema Crítica de Cinema, nº 30, dezembro de 2018. Em Benzinho, Gustavo Pizzi cria um retrato de família afetuoso, dominado pela presença hipnótica da atriz Karine Teles Mamãe, mamãe, não chore A vida é assim mesmo Eu fui embora Mamãe, mamãe, não chore Eu nunca mais vou voltar por aí Mamãe, mamãe, não chore A vida é assim mesmo Eu quero mesmo é isto aqui Mamãe, mamãe, não chore Pegue uns panos pra lavar Leia um romance Veja as contas do mercado Pague as prestações Ser mãe É desdobrar fibra por fibra Os corações dos filhos Seja feliz Seja feliz Caetano Veloso/Torquato Neto (Mamãe, Coragem) Ambientado em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, e tendo como personagens os membros de uma família de classe média baixa tão amorosa quanto barulhenta (um casal com quatro filhos de diferentes idades, mais a irmã da esposa e seu filho pequeno), Benzinho é um dos títulos mais tocantes do cinema brasileiro contemporâneo. Um drama repleto de...

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