Sobre a morte do poeta da incomunicabilidade (sobre Michelangelo Antonioni)
por Adriano de Oliveira Pinto Duplo golpe do destino certa vez atingiu o cinema. Não bastasse o luto pela perda do grande cineasta existencialista Ingmar Bergman, no mesmo dia, 30 de julho de 2007, foi registrado o óbito do genial Michelangelo Antonioni, o poeta da incomunicabilidade. Antonioni era economista de formação universitária, porém começou a se interessar por cinema a ponto de ingressar no Centro de Cinematografia Experimental da Cineccitá em Roma, onde estabeleceu contato com realizadores neo-realistas, o que influenciou seus primeiros trabalhos, como o curta Gente do Pó (1943). Embora se declarasse um marxista, não tardou a rodar filmes com histórias de temas mais identificados aos valores burgueses como As Amigas (1955), em um reflexo de suas abastadas origens. Um retorno ao neo-realismo se daria com O Grito (1957), com esplêndida atuação de Steve Cochran. Sua grande fase irrompe no final dos anos 1950, abrindo a “trilogia da incomunicabilidade” com A Aventura (1960). Aqui se inaugura um estilo peculiar do diretor, começando pela sua capacidade de reverter...
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