Alexander Kluge e as imagens da teoria
por Marcelo Oliveira da Silva Aos 75 anos, o cineasta Alexander Kluge encaixa-se muito bem na expressão “músico para músicos”, que designa um compositor sem muito sucesso de público, mas bastante reconhecido entre seus pares – pelo menos em seu país. Essencialmente político e adepto do cinema de ensaio, seus filmes floresceram em meio à agitação dos anos 60, consolidaram-se na década seguinte e renderam ainda importantes prêmios em 1983, como o da Federação Internacional dos Críticos de Cinema (FIPRESCI) para O Poder dos Sentimentos (Die Macht der Gefühle), um ano após a consagração com o Leão de Ouro pelo conjunto da obra, também em Veneza. Em seus filmes não há encadeamentos fáceis, narrativas lineares, nem imagens dignas de um pintor. Tematicamente, os filmes do “doutor Kluge”, como sempre frisava Fassbinder, estão datados pelos ciclones revolucionários (reformistas, no seu caso), que culminaram em 1968 e se desdobraram até o início do colapso comunista. Entretanto, duas qualidades impediram o completo empalidecimento de seus fotogramas: a observação sempre focada nas atitudes...
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