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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Alexander Kluge e as imagens da teoria

por Marcelo Oliveira da Silva Aos 75 anos, o cineasta Alexander Kluge encaixa-se muito bem na expressão “músico para músicos”, que designa um compositor sem muito sucesso de público, mas bastante reconhecido entre seus pares – pelo menos em seu país. Essencialmente político e adepto do cinema de ensaio, seus filmes floresceram em meio à agitação dos anos 60, consolidaram-se na década seguinte e renderam ainda importantes prêmios em 1983, como o da Federação Internacional dos Críticos de Cinema (FIPRESCI) para O Poder dos Sentimentos (Die Macht der Gefühle), um ano após a consagração com o Leão de Ouro pelo conjunto da obra, também em Veneza. Em seus filmes não há encadeamentos fáceis, narrativas lineares, nem imagens dignas de um pintor. Tematicamente, os filmes do “doutor Kluge”, como sempre frisava Fassbinder, estão datados pelos ciclones revolucionários (reformistas, no seu caso), que culminaram em 1968 e se desdobraram até o início do colapso comunista. Entretanto, duas qualidades impediram o completo empalidecimento de seus fotogramas: a observação sempre focada nas atitudes...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Tuio Becker – algumas lembranças

por Hiron Goidanich Foi amizade à primeira vista. Conheci o Tuio (1943 – 2008) lá na redação da Zero Hora, bem no início dos anos 1970. Naquela época, ele já trabalhava para o Grupo RBS, como programador de filmes no Canal 12. Era um fim de tarde. Saímos do jornal a pé, rumo ao antigo Cinema Marrocos. Uma caminhada de mais de 20 minutos, que só teve um tema: o cinema. Uma paixão mútua, que nos manteve amigos por quase 40 anos, mesmo quando aconteciam algumas divergências de opinião. Só que o Tuio não era apenas espectador e crítico (em 1973, ele já era meu interino e ainda realizava notáveis matérias sobre diretores para as páginas de ZH dominical). Era a época de ouro da cobertura cinematográfica através dos jornais. Nada de apenas uma ou duas reportagens semanais (contando os lançamentos de sexta). Todos os dias, apresentávamos nossas opiniões e às vezes até escrevíamos sobre o cinema na TV. O Tuio tinha uma vantagem sobre todos nós. Ele já...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Última parada de Barreto (Última Parada 174, 2008)

por Lilian Mörschbächer Filha (aluna do curso de Realização Audiovisual da Unisinos) “E então, como é o filme?”. Era uma simples pergunta feita por amigos depois de eu ter anunciado que havia visto um dos mais novos filmes brasileiros em cartaz, Última Parada 174. Deveria ser uma resposta simples, afinal, a pergunta por si só já era simples, porém o assunto em questão não era nada simples. Como era realmente o filme? Digo, com total sinceridade, que é um ótimo filme, realmente, muito bom. O roteiro é muito bom, a fotografia é excelente e os atores são verdadeiros. Tudo que um bom filme precisa. Também, não se esperava nada contrário, levando em conta a equipe por trás dessa produção. Dirigido por Bruno Barreto, fotografia por Antoine Heberlé e arte por Claúdio Amaral, tudo acabaria em um ótimo filme, como ele, de fato é. Então, por que não falar simplesmente que o filme é ótimo? Já que ele possui tantos atributos ao seu favor? O que me prende nessa hora...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Tragicomédia cheia de exageros (Sicko – S.O.S. Saúde, 2007)

por Pedro Garcia (aluno do curso de jornalismo da Universidade de Santa Cruz do Sul) Michael Moore ganhou fama criticando a política norte-americana com ironia e agressividade em seus filmes. Na década de 1980, assumiu seu apoio à postura social-democrata e passou a cutucar empresários e políticos em produções de grande repercussão. Em 2004, gerou polêmica com o lançamento do documentário anti-Bush Fahrenheit 11 de Setembro. Apesar de sua obra ter conquistado diversos prêmios importantes, o nome de Moore é muito mais lembrado como o de um inimigo dos Estados Unidos do que o de um cineasta. Se o que vem antes da vontade de produzir um filme de qualidade é, de fato, a intenção de provocar os poderosos, Moore é duplamente talentoso. Afinal, ele é capaz de não apenas investigar e encontrar evidências de um problema como ainda transformá-lo, por meio de uma edição cheia de toques exagerados, em um grande espetáculo que desperta fortes sensações. Assim é Sicko – SOS Saúde. Quem pegou ódio do governo americano...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Um filme de e sobre cinema (Crepúsculo dos Deuses, 1950)

por Arno Schuh Junior (aluno do curso de Tecnologia em Audiovisual da PUCRS) Um plano sequência percorre as ruas, apenas para os créditos. Poderiamos pensar que este plano foi apenas concebido para a abertura do filme e suas chancelas, mas após estas últimas vemos que ele tem relevância a história. Carros policiais percorrem a Sunset Boulevard do título original com suas sirenes ligadas. Ocorreu um homício. Podemos definir isto só de ver o plano de Joe Gillis dentro da piscina, mas também ouvimos a narração do referido acontecido. Por conta disso é preciso notar como o filme foge do padrão naturalista tradicional. A estrutura se baseia numa narração irônica de um protagonista falecido e ao longo do filme e especialmente em seu final, a encenação, as atuações e ambientações são hiper-expressivas, tendo um olhar marcante sobre os excessos típicos de um cinema esquecido. Um cinema que não se pretendia naturalista. A própria construção de luzes sobre a figura da protagonista, Norma Desmond, tem em todos os momentos (ainda mais...

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