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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Pierino Massenzi: memória viva da Vera Cruz

por Laura Cánepa O cenógrafo e artista plástico italiano Pierino Massenzi, nascido em Roma em 1925 e radicado no Brasil desde 1947, deixou sua marca no cinema brasileiro como diretor de arte, cenógrafo e desenhista de produção de 47 longas-metragens realizados entre 1949 e 1973. Entre os filmes em que trabalhou, estão clássicos do cinema nacional como O Cangaceiro, Tico-Tico no Fubá, Ravina, O Assalto ao Trem Pagador, Noite Vazia, entre muitos outros. Por seu trabalho, recebeu quatro prêmios Saci, dez prêmios Governador do Estado de São Paulo e três prêmios da Associação de Críticos de Cinema do Estado de São Paulo. Aos 83 anos e afastado do cinema há mais de 30, Massenzi nos recebeu em sua chácara na cidade de São Bernardo do Campo e revelou, nesta entrevista, sua história de vida, seu método de trabalho e muitas histórias sobre os conturbados bastidores da principal empresa em que trabalhou: a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, fundada em São Bernardo do Campo em 1949 com o objetivo de consolidar...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Revolução Tailandesa (sobre Apichatpong Weerasethakul)

por Daniel Feix O professor Armindo Trevisan, um dos nossos maiores especialistas em cultura oriental, é quem ensina: o primeiro passo para tentar entender a arte do Oriente é se despir despudoradamente das convicções e mesmo das experiências vivenciadas com a arte ocidental. Só uma re-sensibilização plena pode nos indicar o caminho para a fruição da produção japonesa, chinesa ou coreana – cânones do Ocidente seguem princípios estéticos tão distintos que, em vez de servirem de guia, não passam de ruídos a atrapalhar o entendimento do público. No caso do tailandês Apichatpong Weerasethakul, a lição vale em dobro: além de estar diante de um cineasta de uma escola completamente desconhecida, ao assistir a um de seus filmes o espectador está frente a uma obra rara, que, como poucas outras, aponta novas possibilidades para a linguagem do cinema. Weerasethakul foi o astro do ciclo Ásia: A Nova Onda Oriental, composto também por filmes de Hou Hsiao-hsien e Jia Zhang-ke, entre outros, que esteve em cartaz em novembro na Sala P.F....

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

O indiscreto charme de Claude Chabrol (1930-2010)

por Adriano de Oliveira Pinto O jornal francês Le Monde noticiou hoje (12/09/2010) o falecimento de um dos grandes cineastas europeus em atividade até então: Claude Chabrol, um mestre do cinema de mistério (“o Hitchcock francês”) e um grande satirizador da burguesia francesa. Chabrol era formado em Letras, trabalhou no setor de imprensa da Twentieth Century Fox francesa e depois se tornou articulista na célebre publicação “Cahiers du Cinéma”em sua fase lendária. Foi ali que se gerou o embrião da nouvelle vague, da qual foi um de seus artífices, ao lado de colegas como Truffaut, Godard e Rivette. O movimento artístico veio a revolucionar o cinema na segunda metade do século passado. Autor de mais de oitenta obras, entre cinema e TV, se mostrou prolífico o tempo todo, sendo o seu último filme lançado no Brasil em 2008: “Uma Garota Dividida em Dois”, com as belas Ludivine Sagnier e Mathilda May e a presença de Benoît Magimel no elenco. Magimel também esteve em um filme que Chabrol lançou nos...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Estrada, solidão, música e Wim Wenders

por Marcelo Oliveira da Silva Foi talvez no sábado seguinte ao 14 de agosto do seu décimo segundo aniversário, há 51 anos, que o menino Ernst Wilhelm, desde sempre apelidado Wim, fez seu primeiro filme. Revelado o conteúdo da câmara 16mm, o que mais intrigou o cirurgião Heinrich Wenders foi a absoluta falta de cortes. Por três minutos, tudo que se via era a paisagem registrada desde um ângulo fixo na sacada de sua casa em Oberhausen, cidade pequena, sede do mais antigo festival de cinema da Alemanha. Corte para 1970. Wim tem 25 anos, já bandonou as faculdades de medicina e filosofia, já desistiu de ser pintor em Paris, onde acabou seduzido pelas sessões da Cinémathèque Française, em que assistia filmes de manhã à noite. Saiu de lá ao ler um anúncio da Faculdade de TV e Cinema de Munique. Seu filme de formatura, Verão nas Cidades, está na mesa de corte. Apesar de longo (teria 2h30min,), o montador que monitora o trabalho aceita os oito minutos e...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Sobre a morte do poeta da incomunicabilidade (sobre Michelangelo Antonioni)

por Adriano de Oliveira Pinto Duplo golpe do destino certa vez atingiu o cinema. Não bastasse o luto pela perda do grande cineasta existencialista Ingmar Bergman, no mesmo dia, 30 de julho de 2007, foi registrado o óbito do genial Michelangelo Antonioni, o poeta da incomunicabilidade. Antonioni era economista de formação universitária, porém começou a se interessar por cinema a ponto de ingressar no Centro de Cinematografia Experimental da Cineccitá em Roma, onde estabeleceu contato com realizadores neo-realistas, o que influenciou seus primeiros trabalhos, como o curta Gente do Pó (1943). Embora se declarasse um marxista, não tardou a rodar filmes com histórias de temas mais identificados aos valores burgueses como As Amigas (1955), em um reflexo de suas abastadas origens. Um retorno ao neo-realismo se daria com O Grito (1957), com esplêndida atuação de Steve Cochran. Sua grande fase irrompe no final dos anos 1950, abrindo a “trilogia da incomunicabilidade” com A Aventura (1960). Aqui se inaugura um estilo peculiar do diretor, começando pela sua capacidade de reverter...

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