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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Um filme de e sobre cinema (Crepúsculo dos Deuses, 1950)

por Arno Schuh Junior (aluno do curso de Tecnologia em Audiovisual da PUCRS) Um plano sequência percorre as ruas, apenas para os créditos. Poderiamos pensar que este plano foi apenas concebido para a abertura do filme e suas chancelas, mas após estas últimas vemos que ele tem relevância a história. Carros policiais percorrem a Sunset Boulevard do título original com suas sirenes ligadas. Ocorreu um homício. Podemos definir isto só de ver o plano de Joe Gillis dentro da piscina, mas também ouvimos a narração do referido acontecido. Por conta disso é preciso notar como o filme foge do padrão naturalista tradicional. A estrutura se baseia numa narração irônica de um protagonista falecido e ao longo do filme e especialmente em seu final, a encenação, as atuações e ambientações são hiper-expressivas, tendo um olhar marcante sobre os excessos típicos de um cinema esquecido. Um cinema que não se pretendia naturalista. A própria construção de luzes sobre a figura da protagonista, Norma Desmond, tem em todos os momentos (ainda mais...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

A longínqua felicidade no universo das Paddys (Café da Manhã em Plutão, 2005)

por Ricardo Zauza (aluno do curso de Realização Audiovisual da Unisinos) Assim como em Tudo Sobre Minha Mãe (de Pedro Almodóvar, 1999), no qual a temática do homossexualismo é abordada ao mesmo tempo com meticulosidade e maestria, Café da Manhã em Plutão é um filme que enxerga o tema de uma forma semelhante, mas com um foco narrativo diferenciado, quase como um fábula. A história leva a conhecimento do público a problemática vivida por tantas pessoas como Paddy, vítimas de si mesmos a ponto de não poderem mudar o que lhes foi imposto e a serem injustiçados por pessoas que lhes consideram anormais. Baseado no conto de Pat McCaber, a história inicia com uma breve cena em que descontrai o público: Paddy (Patrick), o protagonista, vivido pelo ator Cillian Murphy (de Batman Begins e Cold Mountain), revela-se homossexual aos pedreiros que lhe jogam cantadas, pensando ser ele uma mulher. É deste ponto que Paddy (ou Kittie, como ele mesmo prefere) relembra, em um flashback, o sofrimento que vive desde...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Meu Tempo Não Parou: Amor no Tempos de AIDS (2008)

por Mateus Silva (aluno do curso de Jornalismo da UFRGS) O documentário Meu Tempo não Parou: Amor em Tempos de Aids (Brasil, 65min, 2008) foi lançado no último dia 4 de julho na Sala Redenção da UFRGS. Projeto do Grupo Nuances, o filme é dirigido por Jair Giacomini e Silvio Barbizan e traz depoimentos de pessoas que acompanharam o aparecimento e a evolução, em Porto Alegre, da doença que já matou mais de 30 milhões de pessoas no mundo. São sete personagens que viveram a juventude no início da década de 1980 na capital gaúcha: um ator, dois empresários, um ex-ativista, duas travestis e uma mulher. Eles contam como enfrentaram preconceitos e o que faziam para conhecer outras pessoas e, também, como foi que a Aids instalou o pânico e marcou essa geração. O debate é induzido com a entrada em cena de uma fotografia do começo dos anos 80, em que se vê enfermeiros com roupas especiais e máscaras retirando uma vítima da Aids do Morro da Glória,...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

O homem em seu estado mais bruto (Sob o Domínio do Medo, 1971)

por Alexandre Bello Machado (aluno do curso de Produção Audiovisual da Ulbra) “Straw dog” (título original de Sob o Dominio do Medo, de Sam Peckinpah) é um termo equivalente a bode expiatório: algo que serve de motivação aparente para o ser humano dar vazão a diversos tipos de emoções. Qual o menor denominador comum entre todos os homens? Qual é aquele ponto no qual nos despimos de toda sofisticação do homem moderno, e assumimos o que realmente somos? Poucos filmes na história do cinema levantam essa questão de forma tão imparcial, direta e não-romantizada quanto esta obra-prima de Sam Peckinpah. Somos apresentados à David Sumner, um franzino matemático americano especializado em cálculos relacionados a dinâmicas de planetas, e Amy Sumner, a amável e espirituosa esposa inglesa. Eles se mudam para a cidade natal de Amy, com a intenção de passar um tempo juntos, a sós, e de provir a tranqüilidade necessária para David terminar seu trabalho. Porém, o povo interiorano bota em prática a sua habitual xenofobia, agravada pelo...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Decifrando a linguagem do espelho (O Espelho, 1975)

por Márcia Esteves Agostinho (aluna do curso de Produção Audiovisual da Ulbra) Diversão ou arte? Meio de expressão ou linguagem? A controvérsia existe e não há sinais de que possa ser resolvida. Contudo, uma coisa parece clara: o cinema é intersubjetivo. Cinema só pode existir na relação entre sujeitos – de um lado o autor, de outro o espectador. Nesse espaço relacional, a realidade é duplamente mediada, seja pela intenção do autor, seja pela interpretação do espectador. Observando tal fenômeno, Pingaud afirma que um “filme parece condenado, seja à opacidade de um sentido rico, seja à clareza de um sentido pobre. Ou é símbolo, ou é enigma”. O que escapa nesta afirmação é o fato de que um filme pode ser salvo da condenação caso seja capaz de: 1) expressar um sentido rico com clareza suficiente para que o espectador, ao qual ele se dirige, o compreenda, ou 2) convencer o espectador de que o sentido é tão rico que vale o esforço para vencer sua opacidade. Muitas vezes,...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Crônica de um verão francês (Crônica de Um Verão, 1961)

por André Garcia (curso de Realização Audiovisual da Unisinos) Marco histórico de uma inovação denominada “cinema verdade” pelos próprios diretores do filme, Crônica de um Verão, de Jean Rouch e Edgar Morin, assume a responsabilidade de marcar o início de uma década conturbada na França, e de explicitar a desilusão do povo francês no período. O documentário parte de uma conversa informal dos diretores com uma garota francesa, na qual questiona-se a relação que essa jovem tem com a câmera, e se a mesma afetará ou não o seu comportamento durante a entrevista. Desde então, ela, que está na abertura do filme, é utilizada como entrevistadora, questionando a felicidade dos transeuntes que perambulam pelas ruas de Paris. Crônica de um Verão pode ser lido como um precursor da revolta que aconteceria sete anos depois no país, e os personagens (reais, diga-se de passagem) entrevistados também por Rouch e Morin funcionam como uma generalização do sentimento do francês na época. No filme, ocorre uma tentativa de miscigenação proporcionada aos personagens...

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