A praia de Nara
por Juliana Costa, especialmente para o site da ACCIRS Como o mar que desmancha nossos desenhos na areia, violento e delicado, assombroso e inexorável, assim é Guaxuma (2018), novo curta-metragem de Nara Normande. Destaque em todos os festivais por onde tem passado, o grande pequeno filme da alagoana arretada também fez história no 46º Festival de Gramado, recebendo merecidamente o prêmio de melhor curta-metragem brasileiro. “Se você abrir uma pessoa, encontrará paisagens, se me abrir, encontrará praias.”, disse Agnès Varda no início de As Praias de Agnès (2008), talvez seu filme mais autobiográfico. A frase, bem como o filme de Varda, sem dúvida ecoa em Nara, que generosamente nos leva no colo, sem medo nem embaraço, por uma viagem através da paisagem da alma de sua infância. Da técnica de animação de areia, rigorosamente escolhida para dar movimento as suas memórias, ficamos com a efemeridade das imagens, assim como da vida, fantasmas de areia que somos. Conferindo um corpo robusto às reminiscências de Nara, ouvimos um relato em primeira...
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