Dor e Glória: Retrato da formação de um artista
Por Eron Duarte Fagundes Como tantos outros diretores de cinema (o italiano Federico Fellini é o caso mais badalado na história do cinema), o espanhol Pedro Almodóvar, numa curva da estrada em que lhe bate dúvidas na continuidade de sua filmografia, decide tornar isso —a crise de criatividade— a matéria de sua reflexão cinematográfica. É o que ele faz em Dor e glória (Dolor y gloria; 2019). É seu oito e meio: sua paixão e sombras, seu “all that jazz”. Ainda que o cineasta negue uma factual autobiografia, pode-se dizer que, espiritual e conceitualmente, a personagem de Salvador Mallo refaz na narrativa o próprio realizador do filme —não somente por se tratar dum homem de cinema que espelha seu autor ou por situações humanas e sexuais assemelhadas com aquilo que se conhece da vida privada de Almodóvar, mas ainda por uma visão de mundo e do universo da arte intrínseca àquilo que se observa pelos filmes feitos pelo diretor há tantas décadas. À parte estas relações que pouco importam...
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