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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Humor anárquico Vs. Minimalismo estéril (sobre Martín Sastre)

por Cristian Verardi Nunca me interessei por videoarte. É uma forma de expressão artística que sempre testou os limites de minha paciência. Por diversas vezes me dispus a mudar de opinião, e sempre caí em armadilhas tediosas e soporíferas ao me aventurar em mostras de cinema e bienais, que invariavelmente estavam infestadas de obras cometidas por artistas egocêntricos que pensavam ser o novo Marcel Duchamp. Sempre detestei o minimalismo estéril, a afetação estética e o experimentalismo hermético (do tipo que sacia apenas o ego do diretor) que fazem parte do universo da videoarte. Porém, foi por acaso que durante a mostra de cinema Beleza Imperfeita (ocorrida na Sala P.F Gastal da Usina do Gasômetro em julho deste ano), dedicada a filmes transgressores, que me deparei com o trabalho de um artista que me fez repensar as possibilidades da videoarte. Martín Sastre, artista uruguaio radicado na Espanha, me surpreendeu com uma obra audiovisual recheada de humor ácido e ironias, que se utiliza de uma avalanche de referências ao universo pop...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Comida que tem poder (Estômago, 2007)

por Marcos Santuário Estômago é a estréia, em grande estilo, do talentoso, simpático e generoso diretor paranaense Marcos Jorge. Discreto e sem estrelismo, com fala mansa e inteligência perceptível, assume, com serenidade algumas de suas influências. Conta que, para construir o universo culinário e filosófico de Estômago deixou-se influenciar pelo prazer sem culpa de A Festa de Babete, de Gabriel Axel, e pela fábula neo-barroca de Peter Greenaway, construída em O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante. Em sua obra cinematográfica, Jorge trata da ascensão e queda de Nonato, este cozinheiro que vira chef por seu talento especial, cuja temática de vida transita entre dois temas universais: a comida e o poder. Indo mais a fundo: a comida como meio de adquirir poder. Nesta trajetória, ele acaba na cadeia e lá continua um processo de aprendizado, para ele e para o espectador. Além de um roteiro inteligente, inspirado em contos inéditos de Lusa Silvestre, a produção de Marcos Jorge também oferece um banquete visual. Cenas muito bem...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Mais que na hora

por Maria do Rosário Caetano (*) Por que o Rio Grande do Sul, sede de um dos mais tradicionais festivais de cinema do país (o de Gramado), terceiro pólo brasileiro de produção cinematográfica, território de várias escolas audiovisuais e foco geográfico de excelente revista especializada – a Teorema (já no décimo segundo número) – não dispunha de uma associação de críticos? A cada ano, quando a atuante Associação dos Críticos do Rio de Janeiro comandava, em Gramado, a reunião responsável pela atribuição do respeitado prêmio da crítica, eu me perguntava: mas por que um Estado com tamanha massa crítica e tradicional poder de aglutinação de suas categorias profissionais (em associações, sindicatos e cooperativas) não reúne seus críticos, pesquisadores e professores de cinema em uma associação? Pois, finalmente, nasceu a ACCIRS (Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul), que – de agora em diante – assume a coordenação do júri da crítica no Festival de Gramado, compartilhando tal tarefa com a Associação de Críticos do Rio de...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

As origens do espetáculo cinematográfico em Porto Alegre

(*) Historiadora, doutoranda em História pela UFRGS, onde finaliza tese sobre o tema A coincidência temporal entre a criação da primeira associação de críticos de cinema do Rio Grande do Sul e o centenário da primeira sala permanente de exibição cinematográfica da Capital (e possivelmente do Estado), o Recreio Ideal, em 2008, é significativa. Afinal, a regularização da atividade exibidora no mercado local, a partir de 1908, proporcionou aos porto-alegrenses uma oferta estável de programas cinematográficos, consolidando a prática de ir ao cinema entre as suas opções cotidianas de lazer e propiciando, assim, o estreitamento da relação entre espectadores e filmes, condição do desenvolvimento da reflexão crítica sobre o cinema e seus produtos. Esta experiência, no entanto, foi se constituindo desde que os porto-alegrenses se depararam com as vistas de perspectiva (1841), que reproduziam imagens de cidades européias e fatos históricos e podiam ser observadas com efeitos de profundidade e relevo através das oculares de caixas ópticas. Ao menos desde 1861, imagens representando estas e outras temáticas também passaram...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

3D – Ver para crer

por Marcelo Perrone O meu velho interesse por novas tecnologias cruzou com a missão profissional em recentes reportagens sobre o cinema em 3D para o jornal Zero Hora. Poupando descrições técnicas sobre o que é e como funciona a esteresocopia – o nome sério do processo – e abastecido de informações coletadas com exibidores, distribuidores e especialistas na criação de imagens tridimensionais, deu para ver que, como em quase tudo na vida, a verdade nesta empolgação toda que cerca o tema está no meio termo. De fato, a nova tentativa de ressuscitar e fazer emplacar o cinema 3D se mostra bem mais convincente do que as incursões anteriores, tamanho tem sido o entusiasmo daqueles que já viveram a experiência sensorial diante de filmes como o recente Viagem ao Centro da Terra – o primeiro live action produzido sob os novos padrões tecnológicos. Mas daí a achar que o futuro ao 3D pertence é bem diferente, já que não é todo filme que ganha interesse extra com a projeção tridimensional....

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