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Publicado por em mar 25, 2014 em Artigos |

O roteiro e o roteiro “casa pré-fabricada”: o caso de quatro filmes nacionais

por Ivonete Pinto Assim como o cinema brasileiro, cujos filmes são subsidiados pelo estado através das leis de incentivo, pagam o preço de não poder criticar os poderes econômicos instituídos (incluindo o próprio governo, a Petrobras e o sistema bancário), ficamos presos a um compromisso “moral” de não encontrarmos grandes defeitos nos filmes brasileiros. Antes, porque eram tão difíceis de ser produzidos, agora, porque a exibição é tão difícil. Uma complacência com as condições desfavoráveis do meio, mas que limita a crítica. E é comum uma certa complacência também para com roteiros ruins, já que estamos mais ou menos acostumados com a ideia de que no Brasil não há bons roteiristas, como se fosse uma doença congênita. Não temos bons roteiristas e ponto final. Seria preciso pensar, no entanto, que essa responsabilidade tem que ser dividida com os diretores, que sempre se colocaram “acima” de tudo e, nesta condição, vêem-se como as pessoas ideais para escreverem seus roteiros. Quando muito aceitam outros nomes para “ajudar” na escrita. A crítica...

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Publicado por em mar 25, 2014 em Artigos |

O Amor Segundo B. Schianberg

Por Rodrigo de Oliveira Lembra daquele filme do cineasta britânico Michael Winterbottom chamado 9 Canções? Aquele no qual um casal vai a vários shows no Brixton Academy, em Londres, conversam coisas sem importância e fazem muito sexo? Bom, retire os números musicais e o sexo explícito e você pode ter uma idéia do que é O Amor Segundo B. Schianberg, mais recente trabalho do cineasta Beto Brant. Não quero dizer com isso que este longa-metragem sofre de falta de criatividade ou que não é interessante. Pelo contrário. Mas não pude deixar de fazer a relação entre estes dois trabalhos assim que assistia a essa peculiar obra audiovisual do diretor de O Invasor e Cão Sem Dono, feita originalmente para a TV Cultura. É com Cão sem Dono, aliás, que Amor Segundo B. Schianberg encontra maiores relações. Em comparação, parece que Beto Brant estava experimentando com aquele filme uma forma leve de mostrar cenas cotidianas, em relação à total desdramatização apresentada neste novo longa-metragem. O que o cineasta faz é...

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Publicado por em mar 25, 2014 em Artigos |

Lula, o filho do Brasil – um melodrama emocionante ou uma hagiografia despolitizada?

Por Maria do Rosário Caetano Os primeiros quinze minutos de “Lula, o Filho do Brasil”, recriação cinematográfica do livro homônimo de Denise Paraná, evocam clássicos cinemanovistas da linhagem de “Vidas Secas” (Nelson Pereira dos Santos, 1963). Lá estão o chão seco, as plantas raras, os bichos poucos, o pai bruto, a mãe de prole numerosa. O pai, de nome Aristides (Milhem Cortaz), que aparenta ter mais amor pelo cachorro doméstico do que pelos filhos, abandona a casa, a esposa e os meninos para tentar a sorte numa grande metrópole do sudeste. Escondida atrás de uma árvore seca e retorcida, o espera uma adolescente (Mocinha, interpretada pela atriz Rayana Carvalho), já grávida. Mais tarde saberemos que a mocinha é prima de Dona Lindu, a mãe dos filhos de Aristides (interpretada com segurança por Glória Pires). A história ganha um novo espaço: a Baixada Santista. O homem que migrou do agreste pernambucano e estabeleceu-se num barraco em Itapema (hoje o bairro de Vicente de Carvalho, no Guarujá) vive maritalmente com Mocinha...

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Publicado por em mar 25, 2014 em Artigos |

O ainda não famoso Os Famosos e os Duendes da Morte

Por William A. Silveira Após a exibição de Os famosos e os duendes da morte, a única certeza a imperar na sala de cinema era a de que acabáramos de assistir a um filme que não se dispunha a estar ali apenas como mais um, engrossando os números da produção nacional. Sem conseguirmos absorve-lo por completo, a única asserção plausível era a de que ainda precisaríamos aguardar um tempo indeterminado até que fosse possível enquadrá-lo – ou seja, receber o devido reconhecimento – no cenário do cinema nacional. Primeiro trabalho de fôlego de Esmir Filho, diretor conhecido e premiado por seus curtas-metragens (Ato II, Cena 5; Impar Par; Tapa na Pantera; Alguma coisa assim; Vibracall; Saliva), Os famosos carrega consigo duas importantes considerações. A primeira, de caráter pessoal, diz respeito aquilo que se costuma chamar de “cartão de visitas” do cineasta. Por mais que se possa argüir diferentemente, alegando que tal interesse não passa de excentricidade de críticos e cinéfilos, a verdade é que apresentar-se de forma contundente para...

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Publicado por em mar 25, 2014 em Artigos |

Viagem onírica em universo real

Por Macus Santuário Depois de vencer diversos festivais, como o Festival Internacional do Rio de Janeiro e de Punta del Este, “Os Famosos e os Duendes da Morte”, dirigido por Esmir Filho, chegou às telas em 2010 com um ar daquelas produções que têm espaço garantido no imaginário dos cinéfilos mais exigentes. Cercado de uma atmosfera que mescla imagens significativas com discursos já introjetados no imaginário de uma cidade interiorana, o filme é envolvente e ousado. Na trama, uma pequena cidade na geografia gaúcha que tem ascendência germânica serve de cenário para tratar de adolescência, buscas, horizontes possíveis e lembranças. Esmir é o diretor do famoso “Tapa na Pantera”, curta que foi sucesso de visualizações na Internet e também provocou ataques pelos que o consideraram uma apologia à maconha. E foi com a audácia já conhecida que o diretor tomou o conteúdo do livro de Caneppele para refletir na tela sentimentos, pensamentos, medos e desejos de uma geração que trata de encontrar seu rumo entre o real e o...

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