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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

O tempo e o contratempo

Por: Adriano de Oliveira Pinto Contra o Tempo (Source Code, EUA, 2011) é daqueles filmes que começam ganhando o espectador. A sequência de abertura – usando planos gerais e regada pela música incidental de Chris Bacon a lembrar muito a do saudoso John Barry – nos dá um clima de tensão que desemboca na primeira cena pós-créditos iniciais apresentando um passageiro de trem (Jake Gyllenhaal) que desperta confuso em meio a uma viagem a Chicago: não sabendo porque está ali, também enfrenta problemas de identidade.Oito minutos depois, o trem no qual se encontra vem a ser destruído por uma explosão (que saberemos além, é criminosa) a qual atinge também uma outra composição – esta, de carga – na linha férrea ao lado. Aparentemente, não há sobreviventes. Então, o tal passageiro, o militar Colt Stevens, como que acordando de um pesadelo, descobre que está sendo utilizado como cobaia de um projeto de vanguarda chamado de Código-Fonte, pertencente ao Departamento de Defesa do governo americano. Stevens possui um biotipo e mais...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

O segredo de Mussolini

Ao resgatar a figura de Ida Dalser, primeira esposa do ditador fascista, Bellocchio propõe uma analogia entre a obsessão de uma mulher e a adoração de um povo Flávio Guirland* Marco Bellocchio teve uma estréia marcante no cinema, com I pugni in tasca (1965), “os punhos no bolso”, numa tradução livre, dirigido com apenas vinte e seis anos de idade. O filme chamou logo a atenção da crítica, por seu caráter provocador, e assim o foram muitas de suas obras seguintes, como China vizinha (1967) ou O monstro na primeira página (1972). Cineasta prolífico ao longo de seus quase cinquenta anos de carreira (são vinte e três filmes para o cinema, um para a TV, além de seis documentários), Bellocchio tem abordado, com frequência, assuntos relacionados à política ou a personagens da vida pública italiana. A sua inclinação por um cinema de tendência política (melhor seria dizer, por um cinema “politizado”), encontra um prosseguimento natural em Bom dia, noite (2004), sobre o rapto e execução do Primeiro Ministro Aldo...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Piriapolis en Película 2011

Por: Willian Silveira. O Uruguai não está mais para coadjuvante. Seria esta a conclusão caso pudéssemos sintetizar a fala de cada um dos debatedores, profissionais do cinema e da imprensa, durante a 8ª edição do Piriapolis en Película. O festival que transcorreu no agradável balneário uruguaio durante os dias 5, 6 e 7 de agosto confirmou a suspeita levantada durante a última década por filmes como 25 Watts (Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll, 2001), Whisky (Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll, 2004), O Banheiro do Papa (César Charlone e Enrique Fernández, 2007) e Gigante (Adrián Biniez, 2009): o país não está mais para coadjuvante. Realizado no suntuoso Hotel Argentino – cuja construção do início do século XX resgata à memória as primeiras cenas do barroco O Ano Passado em Marienbad –, o clima de diálogo entre produções da América Latina foi a marca do festival. A primeira noite foi reservada quase que exclusivamente para a homenagem a Carlos Sorín. A rememoração da trajetória do diretor argentino e a...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Zulmira, Romana, Dora, Fernanda…

Por Ivonete Pinto Nove em cada dez textos que têm Fernanda Montenegro como tema, lamentam a dificuldade que representa falar de um mito, de alguém cujo talento não cabe em adjetivos. Este texto não se furta a este lamento, mas opta então, sem o compromisso de dar conta de filmografia tão rica, falar apenas de alguns trabalhos da atriz. Um recorte injusto talvez, precário certamente, porém com o objetivo claro de, ao analisar alguns filmes, chamar a atenção do leitor para um talento duplo de Fernanda, aquele que diz de suas escolhas e de sua força em cena. Mais do que carisma, Fernanda Montenegro possui uma força que se impõe, um ímã que atrai nosso olhar para uma espécie de epicentro que se estabelece no espaço ocupado por ela no quadro. E não importa com quem divida a cena, é para ela que olhamos. Não muitas atrizes no mundo têm esse poder, talvez uma Vanessa Redgrave, uma Anna Magnani, mas no caso delas, essa capacidade veio com o tempo,...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

A Velha dos Fundos

Por: Chico Izidro. A solidão numa grande metrópole como Buenos Aires foi muito bem analisada no romântico “Medianeras”. O tema volta à tona, desta vez tendo uma velhinha solitária e um estudante de medicina azarado no melancólico “A Velha dos Fundos”, direção de Pablo José Meza. O filme não é de fácil assimiliação. Nos primeiros 15 minutos, o silêncio só é quebrado pelo cantar de um canário. E vemos o cotidiano de Rosa (a excelente Adriana Aizemberg). Ela faz seu chá com leite, come uma bolacha, se arruma e sai. E assim repete-se todos os dias. No apartamento em frente mora Marcelo (Martín Piroyansky), estudante de medicina que ganha uns trocados distribuindo folhetos pelas movimentadas ruas de Buenos Aires. De um dia para o outro, Marcelo fica sem ter como pagar o aluguel e é despejado. O que resta é retornar para a casa dos pais, no interior. Até que a vizinha silenciosa vem em seu socorro. A proposta de Rosa é simples: Marcelo pode ficar no apartamento dela,...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

À Beira do Caminho

Por: Chico Izidro. João é um homem atormentado. Caminhoneiro, percorre as estradas do Nordeste do Brasil ouvindo apenas um cd do Roberto Carlos, que lhe traz lembranças doces e amargas. Até que após a parada num posto acaba descobrindo um clandestino em seu caminhão, o garoto Duda (Vinicius Nascimento), que recém perdeu a mãe e está a procura do pai, que mora em São Paulo. Este é o ponto de partida do road-movie “À Beira do Caminho”, direção de Breno Silveira. Pontuado por canções do Rei, os dois cruzarão o país numa convivência nunca pacífica, por vezes beirando o belicismo. Duda é falante e esperto e começa a penetrar no íntimo de João – e aos poucos ficamos sabendo de o porque ele ter se tornado uma pessoa fechada e amargurada. “À Beira do Caminho” é atemporal, mas parece ter sido ambientado entre os anos 1970 e 1990 – devido as roupas e cabelos dos personagens, os automóveis que surgem em cena. E vemos aquele Brasil que parece ter...

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