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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

3D – Ver para crer

por Marcelo Perrone O meu velho interesse por novas tecnologias cruzou com a missão profissional em recentes reportagens sobre o cinema em 3D para o jornal Zero Hora. Poupando descrições técnicas sobre o que é e como funciona a esteresocopia – o nome sério do processo – e abastecido de informações coletadas com exibidores, distribuidores e especialistas na criação de imagens tridimensionais, deu para ver que, como em quase tudo na vida, a verdade nesta empolgação toda que cerca o tema está no meio termo. De fato, a nova tentativa de ressuscitar e fazer emplacar o cinema 3D se mostra bem mais convincente do que as incursões anteriores, tamanho tem sido o entusiasmo daqueles que já viveram a experiência sensorial diante de filmes como o recente Viagem ao Centro da Terra – o primeiro live action produzido sob os novos padrões tecnológicos. Mas daí a achar que o futuro ao 3D pertence é bem diferente, já que não é todo filme que ganha interesse extra com a projeção tridimensional....

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Dialéticas de O Banheiro do Papa (O Banheiro do Papa, 2007)

Por: Fatimarlei Lunardelli O filme uruguaio O Banheiro do Papa (El Baño del Papa, 2007) repete em Porto Alegre um sucesso incomum que outras produções platinas já experimentaram. Em decorrência de uma afinidade cultural que aproxima o Rio Grande do Sul dos países vizinhos, um outro uruguaio, Coração de Fogo (Corazón de Fuego, 2002), anteriormente arrecadou mais na capital gaúcha do que em qualquer outro lugar no Brasil onde foi exibido. Para além da identidade cultural, cabe destacar os méritos desta bela obra na qual estréiam na direção de longa-metragem de ficção os uruguaios César Charlone e Enrique Fernández. Há no filme uma combinação bem equilibrada dessas competências que cada um traz de uma trajetória firmada em outros setores da produção do cinema. Fernández é roteirista e combinou fatos reais com ficção para construir essa história ambientada na cidade onde nasceu. Trata-se de Melo, um lugarejo pobre e humilde na fronteira entre Uruguai e Brasil, que em 1988 foi visitado pelo Papa João Paulo II. O Banheiro do Papa...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

A melancolia do envelhecer (Chega de Saudade, 2007)

Por: Ivonete Pinto Os dois anos de pesquisa para escrever o roteiro ficam evidentes em Chega de Saudade (Laís Bodansky, 2008). Tudo é tão plausível, que mesmo quem nunca tenha pisado em um salão de bailes cujo público principal é a terceira idade conclui que personagens, ações, diálogos, figurinos, cenário, tudo que aparece no filme faz mesmo parte deste universo. A mulher que, ainda bonita, não entende porque não encontra quem a tire para dançar; o homem que mente ser viúvo para justificar ir ao baile sozinho; as senhoras faceiras que mesmo sem par requebram-se a noite toda sozinhas; o garçom atento que carrega analgésicos no bolso; o aparelho para medir a pressão sangüínea disponível na cozinha; o senhor que ao trazer a esposa no baile precisa se explicar à amante. Uma infinidade de situações que, o próprio filme nos convence, são pertinentes nestes bailes. Chega de Saudade é um mosaico da condição humana. E embora a diretora e o roteirista (Luiz Bolognesi) evitem fazer tipologia da velhice, não...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

O lado trágico (Do Outro Lado, 2008)

Por: Adriano de Oliveira Pinto O jovem alemão de ascendência turca Fatih Akin participou de 12 filmes como ator, mas ultimamente vem se destacando na cadeira de diretor, tendo vencido o Urso de Ouro em Berlim pelo drama Contra a Parede (Gegen die Wand, 2004) e, de modo mais recente, foi laureado com o prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes retrasado por Do Outro Lado (Auf der Anderen Seite, 2007). A justificativa para tal honraria a este filme do ano passado, somente agora exibido em nossos cinemas, floresce à mente e ao coração ao assisti-lo: trata-se de uma imitação da vida, construída com a idêntica ardilosidade pela qual usualmente o destino nos prega peças. Novamente, Akin trabalha com o tópico dos turcos na Alemanha contemporânea, como o havia feito na sua obra de 2004 estrelada por Birol Ünel e Sibel Kekilli. Também os temas da globalização, da tortuosa ponte cultural Oriente-Ocidente e das identidades própria e atávica em solo estrangeiro seguem esmiuçados neste seu produto mais recente....

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Uma estreia sublime (Matando Cabos, 2004)

Por: Mário Pertile Após flagrar Jaque (Tony Dalton, de Mujer Alabastrina, 2006), funcionário de sua multinacional, transando com Paulina (Ana Cláudia Talancon, de El Cometa, 1999), sua filha, o milionário e dissimulado Oscar Cabos (Pedro Almendariz, de Pecado Original, 2001), considerado o homem mais poderoso do México, resolve dar uma dura lição no seu subordinado. No dia seguinte, para não criar atritos com seu futuro sogro e muito menos com seu chefe (que casualmente são a mesma pessoa), Jaque vai até o escritório do temido Oscar Cabos com intuito de desculpar-se. Em um acesso de raiva, Cabos escorrega e, após bater com a cabeça no solo, acaba por encontrar-se totalmente inconsciente. Sem muitas opções, Jaque deixa o empresário sozinho para procurar Mudo (Kristoff Razynsky), colega e amigo, e juntos decidirem o que fazer. O problema é que quando retornam ao escritório, Cabos está vestido apenas com suas roupas de baixo. Durante alguns minutos de discussão no banheiro, resolvem esconder o perigoso chefe, seminu, no porta-malas do carro de Jaque,...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Imigração e imagem (Caché, 2005)

Por: Adriana Androvandi Um dos problemas de nossos tempos é a crise de políticas imigratórias de diversos países da União Européia e dos EUA e a forma como suas sociedades tendem a creditar seus medos crescentes a estrangeiros e refugiados. O filme Caché, do alemão radicado na França Michael Haneke (França/Áustria/Alemanha/Itália, 2005), além de abordar diversas questões da contemporaneidade, como a onipresença da imagem, fala da situação de tensão entre imigrantes, representados pelo personagem de Majid, e de cidadãos tradicionais europeus, com o protagonista George. O longa-metragem foi lançado nos cinemas do Brasil no primeiro semestre de 2006, distribuído pela Califórnia Filmes e está disponível em DVD. filmes anteriores do mesmo diretor já lançados no Brasil são Violência Gratuita (1997), Código Desconhecido (2000) e A Professora de Piano (2001), sendo que destes o que também enfoca a questão dos imigrantes é Código Desconhecido, que parece ser um prelúdio do tema que o diretor trataria anos depois em Caché. Pode-se dizer que seus filmes apresentam personagens atormentados, que não raro...

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