Páginas
Seções

Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Bolt: a Disney com a cara da Pixar (Bolt – Supercão, 2008)

por Misael Lima Em 1937, o primeiro longa-metragem de animação do mundo, Branca de Neve e os Sete Anões, mostrou uma nova dimensão de entretenimento possível. Com esmero de inúmeros artistas, o roteiro tinha a difícil tarefa de não apenas impressionar visualmente, como entreter o público infantil e adulto de forma convincente. Ali, firmou-se o estilo Disney de animação. Narrativas simples para toda a família, com lições de moral e excelente qualidade gráfica. Esse legado manteve-se forte durante quase meio século. Foi há pouco mais de uma década que algo parece ter saído do controle. O último grande lançamento da Disney, pré-Pixar, foi O Rei Leão. A vinda de Toy Story, primeiro longa-metragem totalmente computadorizado e com uma história madura, parece ter desestabilizado o chão firme mantido pelo império durante todo esse tempo. A partir daí, seus próximos filmes em 2D pareciam não apresentar a qualidade e o chamariz necessário acima da média. Com um contrato de pelo menos dez anos, a Pixar capitalizou forte, ajudando a empresa a...

Leia Mais

Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Viagem ao interior de si mesmo (Viagem ao Princípio do Mundo, 1997)

por Adriano de Oliveira Pinto O cineasta luso Manoel Cândido Pinto de Oliveira, ou simplesmente Manoel de Oliveira – nome que os cinéfilos aprenderam a admirar –, fala ao cérebro e ao coração. Seus filmes trazem reflexão, mas sabem também comover. Viagem ao Princípio do Mundo (Portugal/França, 1997) é exemplo claro desse tipo de cinema em duas vias, mostrando a razão e a emoção de mãos dadas. Viagem… segue o rumo saudosista que caracteriza parte da temática do veterano diretor – cem anos de vida completos neste 11 de dezembro de 2008 –, algumas vezes manifestado de modo bem mais pungente, casos deste terno filme e do igualmente nostálgico Porto da Minha Infância (2001). A história narrada remete à procura por suas origens de um ator francês de ascendência lusitana, Afonso (Jean-Yves Gauthier). Ele está participando de um filme rodado em Portugal e aproveita para, acompanhado de colegas, visitar a aldeia de onde seu pai emigrou e enfim conhecer alguns parentes seus. A jornada é pontuada por diálogos dos...

Leia Mais

Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Humor anárquico Vs. Minimalismo estéril (sobre Martín Sastre)

por Cristian Verardi Nunca me interessei por videoarte. É uma forma de expressão artística que sempre testou os limites de minha paciência. Por diversas vezes me dispus a mudar de opinião, e sempre caí em armadilhas tediosas e soporíferas ao me aventurar em mostras de cinema e bienais, que invariavelmente estavam infestadas de obras cometidas por artistas egocêntricos que pensavam ser o novo Marcel Duchamp. Sempre detestei o minimalismo estéril, a afetação estética e o experimentalismo hermético (do tipo que sacia apenas o ego do diretor) que fazem parte do universo da videoarte. Porém, foi por acaso que durante a mostra de cinema Beleza Imperfeita (ocorrida na Sala P.F Gastal da Usina do Gasômetro em julho deste ano), dedicada a filmes transgressores, que me deparei com o trabalho de um artista que me fez repensar as possibilidades da videoarte. Martín Sastre, artista uruguaio radicado na Espanha, me surpreendeu com uma obra audiovisual recheada de humor ácido e ironias, que se utiliza de uma avalanche de referências ao universo pop...

Leia Mais

Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Comida que tem poder (Estômago, 2007)

por Marcos Santuário Estômago é a estréia, em grande estilo, do talentoso, simpático e generoso diretor paranaense Marcos Jorge. Discreto e sem estrelismo, com fala mansa e inteligência perceptível, assume, com serenidade algumas de suas influências. Conta que, para construir o universo culinário e filosófico de Estômago deixou-se influenciar pelo prazer sem culpa de A Festa de Babete, de Gabriel Axel, e pela fábula neo-barroca de Peter Greenaway, construída em O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante. Em sua obra cinematográfica, Jorge trata da ascensão e queda de Nonato, este cozinheiro que vira chef por seu talento especial, cuja temática de vida transita entre dois temas universais: a comida e o poder. Indo mais a fundo: a comida como meio de adquirir poder. Nesta trajetória, ele acaba na cadeia e lá continua um processo de aprendizado, para ele e para o espectador. Além de um roteiro inteligente, inspirado em contos inéditos de Lusa Silvestre, a produção de Marcos Jorge também oferece um banquete visual. Cenas muito bem...

Leia Mais

Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Mais que na hora

por Maria do Rosário Caetano (*) Por que o Rio Grande do Sul, sede de um dos mais tradicionais festivais de cinema do país (o de Gramado), terceiro pólo brasileiro de produção cinematográfica, território de várias escolas audiovisuais e foco geográfico de excelente revista especializada – a Teorema (já no décimo segundo número) – não dispunha de uma associação de críticos? A cada ano, quando a atuante Associação dos Críticos do Rio de Janeiro comandava, em Gramado, a reunião responsável pela atribuição do respeitado prêmio da crítica, eu me perguntava: mas por que um Estado com tamanha massa crítica e tradicional poder de aglutinação de suas categorias profissionais (em associações, sindicatos e cooperativas) não reúne seus críticos, pesquisadores e professores de cinema em uma associação? Pois, finalmente, nasceu a ACCIRS (Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul), que – de agora em diante – assume a coordenação do júri da crítica no Festival de Gramado, compartilhando tal tarefa com a Associação de Críticos do Rio de...

Leia Mais

Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

As origens do espetáculo cinematográfico em Porto Alegre

(*) Historiadora, doutoranda em História pela UFRGS, onde finaliza tese sobre o tema A coincidência temporal entre a criação da primeira associação de críticos de cinema do Rio Grande do Sul e o centenário da primeira sala permanente de exibição cinematográfica da Capital (e possivelmente do Estado), o Recreio Ideal, em 2008, é significativa. Afinal, a regularização da atividade exibidora no mercado local, a partir de 1908, proporcionou aos porto-alegrenses uma oferta estável de programas cinematográficos, consolidando a prática de ir ao cinema entre as suas opções cotidianas de lazer e propiciando, assim, o estreitamento da relação entre espectadores e filmes, condição do desenvolvimento da reflexão crítica sobre o cinema e seus produtos. Esta experiência, no entanto, foi se constituindo desde que os porto-alegrenses se depararam com as vistas de perspectiva (1841), que reproduziam imagens de cidades européias e fatos históricos e podiam ser observadas com efeitos de profundidade e relevo através das oculares de caixas ópticas. Ao menos desde 1861, imagens representando estas e outras temáticas também passaram...

Leia Mais