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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Fantasma Technicolor (Fantasma da Ópera, 1943)

por Cristian Verardi Originalmente publicado em 1911 pelo escritor francês Gaston Leroux, o tétrico romance O Fantasma da Ópera tornou-se um inesperado sucesso ao cativar o público com sua trama macabra e folhetinesca. O êxito literário fez com que a história fosse transposta para o cinema pela primeira vez em 1925, e a triste figura do músico virtuoso transformado numa figura grotesca e amargurada, que guiada por suas obsessões vaga pelos subterrâneos da Ópera de Paris em busca de vingança, acabou eternizada através da interpretação de Lon Chaney, também conhecido como O Homem das Mil Faces. O Fantasma da Ópera, dirigido por Rupert Julian, tornou-se não apenas um ícone do cinema mudo, mas um dos mais influentes filmes de horror da história, e grande parte deste mérito se deve a marcante caracterização de Chaney. Em 1943 o mundo estava mergulhado na Segunda Guerra Mundial, e a indústria cinematográfica também sentia os reflexos desta crise quando os produtores da Universal resolveram ressuscitar o seu antigo sucesso, afinal, com o advento...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Dois documentários musicais e a recuperação da cultura brasileira (sobre Cantoras de Rádio e Wilson Simonal…)

por André Kleinert É tema recorrente em cadernos culturais brasileiros a questão da nossa falta de memória cultural, no sentido de que não valorizamos o patrimônio artístico do passado, relegando o mesmo a um tenebroso esquecimento. No meu entendimento, esse tipo de taxação costuma ser exageradamente apocalíptica. Não que não tenha algo de realmente verdadeiro na afirmação, afinal, como já dizia o historiador Eric Hobsbawm no brilhante livro A Era dos Extremos, para boa parte das pessoas os anos 60 do século XX já são a pré-história. Mas se observarmos, pelos menos, esses últimos 10 anos, ficam visíveis várias iniciativas de resgates de manifestações artísticas diversas e marcantes da história cultural brasileira, tanto por parte da mídia quanto por ações de instituições e corporações públicas e privadas, passando até mesmo pelo trabalho estóico e apaixonado de pessoas que são simplesmente interessadas no assunto. A música é exemplo claro dessa postura. Na presente década, presenciamos o relançamento por parte de diversas gravadoras, multinacionais ou independentes, de várias obras fundamentais em...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Em busca do olhar perdido (Um Olhar a Cada Dia, 1995)

por Adriano de Oliveira Pinto Uma lacuna existente no meio cinéfilo brasileiro foi recentemente preenchida através do selo maranhense da Lume Filmes: desde há algumas poucas semanas, o lançamento nacional em DVD do filme Um Olhar a Cada Dia (To Vlemma tou Odyssea, Grécia e outros países, 1995), de Theodoros Angelopoulos, vem para nos deleitar e ao mesmo tempo nos fazer pensar. O homem evolui no período que separa os dois extremos de um mesmo século? Se a sua resposta é “sim”, saiba que Theo (como é carinhosamente chamado esse realizador) pode achar nem óbvia, nem absoluta, tal asserção. Neste filme, o diretor heleno mostra, à sua moda, que a pureza da alma humana está ficando para trás e que a barbárie, se não cresce, muito menos se extingue ao longo do tempo. A odisseia de um Ulisses moderno é recontada livremente por um Angelopoulos-Homero que, por meio de um protagonista sem nome – um cineasta grego (o americano Harvey Keitel) de volta à sua região natal -, apresenta...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Uma análise dos planos físicos e imateriais da realidade (Donnie Darko, 2001)

por Misael Lima Em 2001, o diretor estreante Richard Kelly, juntou um elenco de grandes talentos, com talentos promissores, em uma produção independente que tinha como grande trunfo um roteiro difícil e intrigante. O filme contava com a força da produtora Drew Barrymore, atriz famosa desde os anos 80 e que aceitou investir na produção, desde que pudesse fazer uma ponta. Com uma cifra ínfima de 4 milhões de dólares, Donnie Darko foi lançado diretamente em DVD, onde tornou-se, quase de maneira instantânea, um fenômeno cult. A história trazia o então desconhecido Jake Gyllenhaal (O segredo de Brokeback Mountain) como o personagem título do filme. Perturbado, ele conversa com Frank, um coelho gigante, que após salvar a sua vida lhe diz que o mundo vai acabar em 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos. O filme é um emaranhado de tramas que passam desde a física aplicada, com viagens no tempo e dimensões paralelas, até sutilezas que o enchem de significados e análises mais profundas do comportamento...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

Holly Vs. Bolly (Quem Quer Ser Um Milionário, 2008)

por Robledo Milani Desde 2004, quando o fantástico Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei foi escolhido como melhor filme do ano, tendo sido premiado em todas as 11 categorias a que concorria, nenhuma produção repetia tal performance como Quem Quer Ser um Milionário?, que no último dia 22 de fevereiro arrebatou oito das nove estatuetas a que fora indicado. E por que foi preciso que um longa pequeno, independente, relativamente barato e sem nenhum nome minimamente conhecido no elenco arrebatasse a atenção e a preferência de todos dessa maneira? Estaria Hollywood começando a demonstrar interesse na – verdadeira – maior indústria cinematográfica do planeta? E, quem sabe, aprender com eles como reconquistar a audiência do grande público, cada vez mais ligado em formas alternativas – internet, celulares, DVDs – de se assistir aos filmes? Afinal, tudo são negócios, não é mesmo? Ou estaria essa mudança de rumo ligada a conceitos muito mais profundos do que os meramente econômicos? Quem Quer Ser um Milionário teve um orçamento de...

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Publicado por em mar 23, 2014 em Artigos |

A feminilização das culpas da guerra (O Leitor, 2008)

por Marcelo Oliveira da Silva O Leitor é aquele tipo de adaptação cinematográfica que reverencia a excelência do livro original. Der Vorleser, escrito em 1995 pelo jurista alemão Bernard Schlink, alcançou o topo da lista dos mais vendidos do jornal New York Times. O filme do diretor Stephen Daldry mantém uma característica rara dessa obra traduzida em 39 línguas e premiada na Itália, França e Japão: as das histórias que informam mais sobre o contexto histórico, no caso a reconstrução do caráter nacional alemão após o genocídio de milhões de judeus, exatamente quando seus protagonistas silenciam. Aqueles que falam, relevam mais sobre seus contemporâneos do que sobre si próprios. Muito já foi discutido sobre a culpabilidade alemã, mas o livro de Traudl Jung Eu Fui Secretária de Hitler (2002) parece ter aberto uma perspectiva completamente nova sobre o tema, onde o olhar feminino vem revelar raízes ocultas do momento mais sombrio do século 20. O relato de Traudl, também transformado em documentário, nos aproximou das personas daqueles vultos, de...

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