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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Helena (quase) na intimidade (Dona Elena, 2004)

por Daniel Feix Documentário é linguagem. Qualquer realizador que desconhecer esta premissa estará fazendo, por princípio, um filme contestável. De que valeria um documentário com a forma de uma reportagem do Globo Repórter? O que faria em uma sala de cinema, no circuito alternativo (é ali que passam os documentários), um filme que não se propusesse a ser autoral, mas tão-somente a registrar um fato ou apresentar um personagem? Um documentário, um filme-documentário, jamais vale apenas pelo seu tema, pelo seu objeto de documentação. Seu valor está sempre na interpretação do autor sobre esse tema-objeto, na forma, na maneira com que o documentarista o apresenta. Eduardo Coutinho criou um jeito único de fazer filmes. João Moreira Salles inventa e reinventa suas narrativas a cada produção. Jorge Furtado e Fernando Birri fizeram as duas maiores referências do documentário dos lados de cá e de lá do Rio da Prata testando os limites da linguagem, indo até onde a realidade se confunde com a ficção (Ilha das Flores, do diretor gaúcho)...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Entre paixão e amizade (Cidade Baixa, 2005)

por Adriano de Oliveira Pinto Cidade Baixa, estréia em longa-metragem do diretor Sérgio Machado, trata da história de um triângulo amoroso envolvendo dois amigos fraternais que vivem de trampos e golpes (os ótimos Lázaro Ramos e Wagner Moura, dois dos melhores atores da novíssima geração do cinema brasileiro) e uma stripper (Alice, sobrinha de Sônia Braga, em grande desempenho) que se interpõe entre eles. O cenário dessa ciranda amorosa é, na maior parte das vezes, a zona portuária de Salvador, nos dias atuais. Dados tais personagens e ambientação, temos ingredientes para uma trama pontuada de um intenso naturalismo. Não necessariamente o naturalismo de Zola, mas um bem tropical, mais próximo de nossos Aluísio de Azevedo e Julio Ribeiro. Desta forma, Cidade Baixa parece um filme-tese. E ele o é, de certa maneira, embora não seja originalmente concebido para sê-lo, pois como seu diretor afirma, acima de tudo trata-se de uma história de pessoas, essencialmente humana. Em suma, tal película vai além de sua motivação inicial, o que por si...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Would you erase me? (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, 2004)

por Roberta Pinto Charlie Kauffman é o cara. Um sujeito barbudo, baixinho, culto, tímido e introspectivo, com uma das mentes mais criativas que surgiram no circuito independente de Hollywood nos últimos anos. Com experiência razoável como roteirista de televisão, Kauffman estreou na tela grande com o original Natureza Quase Humana, dirigido pelo francês Michel Gondry, responsável por vários clipes da Bjork e da banda Dafta Punk, por exemplo. Já no seu primeiro roteiro para o cinema, Kauffman apresenta elementos que se repetem nos seguintes: personagens muito bem construídos e o bizarro. Sim, o bizarro aparece na mulher que tenta eliminar os pêlos que não param de crescer no seu corpo em Natureza Quase Humana; no portal que permite a entrada na mente de um dos atores mais famosos do cinema em Quero Ser John Malkovich; no roteirista que não consegue adaptar um livro sobre orquídeas para o cinema em Adaptação; e no criador de programas de calouros na TV norte-americana que também é um assassino da CIA em Confissões...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Pierino Massenzi: memória viva da Vera Cruz

por Laura Cánepa O cenógrafo e artista plástico italiano Pierino Massenzi, nascido em Roma em 1925 e radicado no Brasil desde 1947, deixou sua marca no cinema brasileiro como diretor de arte, cenógrafo e desenhista de produção de 47 longas-metragens realizados entre 1949 e 1973. Entre os filmes em que trabalhou, estão clássicos do cinema nacional como O Cangaceiro, Tico-Tico no Fubá, Ravina, O Assalto ao Trem Pagador, Noite Vazia, entre muitos outros. Por seu trabalho, recebeu quatro prêmios Saci, dez prêmios Governador do Estado de São Paulo e três prêmios da Associação de Críticos de Cinema do Estado de São Paulo. Aos 83 anos e afastado do cinema há mais de 30, Massenzi nos recebeu em sua chácara na cidade de São Bernardo do Campo e revelou, nesta entrevista, sua história de vida, seu método de trabalho e muitas histórias sobre os conturbados bastidores da principal empresa em que trabalhou: a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, fundada em São Bernardo do Campo em 1949 com o objetivo de consolidar...

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

Revolução Tailandesa (sobre Apichatpong Weerasethakul)

por Daniel Feix O professor Armindo Trevisan, um dos nossos maiores especialistas em cultura oriental, é quem ensina: o primeiro passo para tentar entender a arte do Oriente é se despir despudoradamente das convicções e mesmo das experiências vivenciadas com a arte ocidental. Só uma re-sensibilização plena pode nos indicar o caminho para a fruição da produção japonesa, chinesa ou coreana – cânones do Ocidente seguem princípios estéticos tão distintos que, em vez de servirem de guia, não passam de ruídos a atrapalhar o entendimento do público. No caso do tailandês Apichatpong Weerasethakul, a lição vale em dobro: além de estar diante de um cineasta de uma escola completamente desconhecida, ao assistir a um de seus filmes o espectador está frente a uma obra rara, que, como poucas outras, aponta novas possibilidades para a linguagem do cinema. Weerasethakul foi o astro do ciclo Ásia: A Nova Onda Oriental, composto também por filmes de Hou Hsiao-hsien e Jia Zhang-ke, entre outros, que esteve em cartaz em novembro na Sala P.F....

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Publicado por em mar 24, 2014 em Artigos |

O indiscreto charme de Claude Chabrol (1930-2010)

por Adriano de Oliveira Pinto O jornal francês Le Monde noticiou hoje (12/09/2010) o falecimento de um dos grandes cineastas europeus em atividade até então: Claude Chabrol, um mestre do cinema de mistério (“o Hitchcock francês”) e um grande satirizador da burguesia francesa. Chabrol era formado em Letras, trabalhou no setor de imprensa da Twentieth Century Fox francesa e depois se tornou articulista na célebre publicação “Cahiers du Cinéma”em sua fase lendária. Foi ali que se gerou o embrião da nouvelle vague, da qual foi um de seus artífices, ao lado de colegas como Truffaut, Godard e Rivette. O movimento artístico veio a revolucionar o cinema na segunda metade do século passado. Autor de mais de oitenta obras, entre cinema e TV, se mostrou prolífico o tempo todo, sendo o seu último filme lançado no Brasil em 2008: “Uma Garota Dividida em Dois”, com as belas Ludivine Sagnier e Mathilda May e a presença de Benoît Magimel no elenco. Magimel também esteve em um filme que Chabrol lançou nos...

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