Helena (quase) na intimidade (Dona Elena, 2004)
por Daniel Feix Documentário é linguagem. Qualquer realizador que desconhecer esta premissa estará fazendo, por princípio, um filme contestável. De que valeria um documentário com a forma de uma reportagem do Globo Repórter? O que faria em uma sala de cinema, no circuito alternativo (é ali que passam os documentários), um filme que não se propusesse a ser autoral, mas tão-somente a registrar um fato ou apresentar um personagem? Um documentário, um filme-documentário, jamais vale apenas pelo seu tema, pelo seu objeto de documentação. Seu valor está sempre na interpretação do autor sobre esse tema-objeto, na forma, na maneira com que o documentarista o apresenta. Eduardo Coutinho criou um jeito único de fazer filmes. João Moreira Salles inventa e reinventa suas narrativas a cada produção. Jorge Furtado e Fernando Birri fizeram as duas maiores referências do documentário dos lados de cá e de lá do Rio da Prata testando os limites da linguagem, indo até onde a realidade se confunde com a ficção (Ilha das Flores, do diretor gaúcho)...
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