Crime sem castigo (Match Point, 2005)
por Enéas de Souza O que resvala, o que inquieta no filme Match Point, de Woody Allen, é o ardil que o cinema tem ao narrar um problema subjetivo, mostrando imagens que aparecem como se elas tivessem um caráter objetivo. A imagem mental surge como se fosse imagem do mundo. E, ao mesmo tempo, essas falsas imagens objetivas acabam por interrogar a subjetividade do espectador. Logo, a dialética do subjetivo e do objetivo está inscrita na narração do personagem central, o arrivista Chris Wilton. Fica bem clara a astúcia do roteirista e do cineasta: a história não é contada na terceira pessoa, mas sim na primeira. É como Don Casmurro de Machado de Assis. E a força da ambigüidade do cinema faz o outro lado da magia, nos captura. Este relato, de fato, tem tudo para nos atingir (e nos atinge), porque é a narrativa de um ganho que, em verdade, é uma perda. E a perda é o substrato básico desta intriga, o seu tesouro moral e psíquico....
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