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Publicado por em mar 8, 2016 em Artigos |

Tormenta (2015), por Filipe Pereira

Tormenta (2015), por Filipe Pereira

  Documentário em média metragem bastante ligado as raízes gaúchas da artista biografada, Tormenta é um filme de Lucas Costanzi que narra um pouco da substancial carreira da artista plástica carioca Vera Tormenta Goulart, que trocou a localidade praiana do Rio de Janeiro pelo ambiente da Serra Gaúcha, onde sua arte poderia proliferar com maior vazão. O filme ajuda a investigar a aura ao redor de uma artista intimamente ligada a paisagem que escolheu para ser seu lar, a cidade de Vacaria. Ao invés de produzir um recordatório que explique a trajetória da artista que já produz desde seus treze anos, a escolha do diretor foi em permitir que a própria voz de Goulart contasse em prosa e verso os momentos importantes de sua atual vivência, acompanhado das belas paisagens da Paris que a inspirou e que foi seu objeto e local de estudo, enquanto aluna da academia do Louvre. A lucidez de Vera e a facilidade em discorrer sobre a própria vida e carreira talvez seja o maior...

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Publicado por em fev 10, 2016 em Artigos, Críticas |

Vento (2015), por Robledo Milani

Vento (2015), por Robledo Milani

  “O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria”. Com esses singelos dizeres de Mário Quintana, o inesquecível “poetinha”, a diretora Betânia Furtado inicia o belo Vento, curta de animação finalizado na metade de 2015 e que teve uma das suas primeiras exibições públicas no dia 30 de janeiro de 2016, durante 19° Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais. Em pré-estreia nacional, o filme de apenas 13 minutos foi apresentado dentro da Mostrinha, uma programação especial de filmes voltados ao público infantil. Mas o que se vê na tela é indicado a qualquer tipo de espectador, sem delimitação de idade. Em cena, acompanhamos o cotidiano de Gabriel, uma criança solitária. Ele vive com os pais em uma comunidade beira-mar que vive da pesca e das variações do tempo. A única certeza ali parece ser o som do vento, que sopra sem parar e é, em última instância,...

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Publicado por em fev 5, 2016 em Artigos, Críticas |

As Aventuras do Avião Vermelho (2014), por Monica Kanitz

As Aventuras do Avião Vermelho (2014), por Monica Kanitz

  Os realizadores gaúchos Frederico Pinto e José Maia assinam a direção de As Aventuras do Avião Vermelho, longa de animação adaptado do livro homônimo de Erico Verissimo. A obra original é de 1936; o filme chegou aos cinemas no final de 2014. Apesar de todo este distanciamento, o roteiro da história (feito a seis mãos por Frederico Pinto, Camila Gonzatto e Emiliano Urbim) garante a originalidade da história protagonizada por Fernandinho, um garoto travesso de 8 anos que literalmente atormenta quem está à sua volta. Num universo que oferece recursos cada vez mais especiais e mirabolantes, As Aventuras do Avião Vermelho parece um desenho animado à moda antiga. Os personagens – todos criados no papel – têm traços simples e estão cercados de uma certa ingenuidade. Mas o Fernandinho do filme já vive numa época de videogame, celular e sabe bem o que significa ser hiperativo. Na falta da mãe (que já morreu), o pai sempre ocupado tenta acalmar o guri de várias maneiras, até que descobre o...

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Publicado por em fev 4, 2016 em Artigos, Críticas |

Madrepérola (2015), por Leonardo Bomfim

Madrepérola (2015), por Leonardo Bomfim

  Dirigido por Deise Hauenstein, Madrepérola apresenta-se como um documentário sobre jovens mulheres que têm suas vidas afetadas pelas expectativas (dos outros e delas) diante dos padrões de beleza. O que costuma incomodar em filmes construídos a partir da montagem de entrevistas relacionadas a um grande tema, ainda mais com a limitação do tempo, é a famigerada “síndrome de Huguinho, Zezinho e Luisinho” (a definição é cortesia do crítico Sérgio Alpendre): ela surge quando a pluralidade dos depoimentos de diversas pessoas é espremida e unificada na tentativa de construir uma linha narrativa singular – geralmente baseada num interesse prévio do realizador. Em suma: filmes de escuta feitos por quem não quer ouvir.   Em Madrepérola, as perguntas que ficam no ar parecem confirmar essa estrutura. Por exemplo: uma mulher que sempre foi gorda naturalmente tem uma vivência diferente de outra que engordou num determinado momento. Não sabemos muito bem quem está compartilhando aquelas narrativas. E sobram frases, pedaços de histórias. Mas é justamente na suposta traição de uma complexidade...

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Publicado por em jan 26, 2016 em Artigos, Críticas |

Outono Celeste (2015), por Renato Cabral

Outono Celeste (2015), por Renato Cabral

  Uma garota, Clara (Ana Paula Schneider) e seu namorado (Ian de Mello) acampam à noite em uma floresta. Essa premissa já clama para um filme de suspense, terror e, como é o caso, de ficção-científica. Trabalhar esta mescla de gêneros é um tanto quanto previsível em produções universitárias e, dependendo, o resultado pode ficar duvidoso. Mas certamente não é o que assistimos por aqui. Partindo dos clichês próprios à temática, de certa forma, o diretor Iuri Minfroy subverte as expectativas para construir o seu Outono Celeste. Produção realizada através da Universidade Federal de Pelotas, da qual diretor e equipe são graduandos em Cinema e Audiovisual, somos impactados na trama já de início, quando o namorado é pulverizado por um ser extraterrestre. E é a partir daí que a história, que possui apenas uma fala, se desenrola. Nossa protagonista se vê sozinha com esse invasor e, assim é construída uma relação que beira ao voyeurismo. Os espaços de ambos vão sendo invadidos aos poucos, um pelo outro. Através de...

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Publicado por em jan 25, 2016 em Artigos, Críticas |

Prova de Coragem (2015), por Marcos Santuario

Prova de Coragem (2015), por Marcos Santuario

  Em Prova de Coragem, o diretor Roberto Gervitz coloca na tela medos e desejos individuais e do casal formado por Hermano (Armando Babaioff) e Adri (vivida pela premiada Mariana Ximenes). Hermano, aos 35 anos, está encurralado em aceitar a transformação de sua vida na relação com Adri, ou partir para uma escalada temerária à Terra do Fogo, como uma prova pessoal para resolver questões de seu passado, pessoal e psicológico. São as escolhas deles e a capacidade de lidar com a busca de uma liberdade idealizada que norteiam a tal vida adulta que começam a visualizar com mais clareza. O Hermano de Prova de Coragem é diferente do Mário, personagem de outro trabalho de Gervitz, Feliz Ano Velho (1987) – uma aplaudida livre adaptação do diretor, com base no livro do escritor Marcelo Paiva. São buscas diferentes, situações limite diferentes, mas em comum os sentimentos de vida. Gervitz já revelou que o filme trata, entre outras coisas, da individualidade e do narcisismo contemporâneos. Em um filme intimista, centra...

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