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Publicado por em jun 12, 2016 em Artigos |

Ponto Zero, por Chico Izidro

Ponto Zero, por Chico Izidro

  Responsável pelo clássico do curta-metragem brasileiro O Dia em Que Dorival Encarou a Guarda (1986), o diretor José Pedro Goulart apresenta agora seu primeiro longa-metragem, Ponto Zero. O filme conta a história do adolescente Ênio (Sandro Aliprandini), que na escola é vítima de bullying e em casa sofre com a carência da mãe (Patricia Selonk) e a ausência do pai (Eucir de Souza), um radialista que passa o tempo na rádio e depois indo para a noite. A trama fala de amadurecimento, de crescimento. Na idade de Ênio começa a pintar o desejo sexual, e sem amigos e tímido, ele irá atrás de uma garota de programa, após roubar o carro do pai. É aí que faz sentido o tal ponto zero do título, pois a ação do garoto vai gerar uma série de problemas. Eucir de Souza está muito bem no papel do pai de Ênio, mostrando como age alguém ausente e indiferente com a família. Sua cena, onde destaca a contrariedade de porque uma família deve...

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Publicado por em jun 9, 2016 em Artigos |

Ponto Zero e o não-lugar, por Ivonete Pinto

Ponto Zero e o não-lugar, por Ivonete Pinto

Luiz Carlos Merten escreveu que Ponto Zero é um óvni no cinema brasileiro. Se é um óvni para o cinema brasileiro, muito mais ainda para o cinema praticado no Rio Grande do Sul. O objeto voador não identificado estreou no Festival de Gramado de 2015 e agora, com seu lançamento comercial, começa-se a lançar luz sobre a estrutura narrativa, sobre a gênese dos personagens e sobre o que os move. A fortuna crítica já é bem razoável e não faltam interpretações pertinentes sobre as metáforas, como as imagens envolvendo a água. Por isso, talvez, seja o caso de não mais vê-lo como algo tão estranho, mas como algo sem pai nem mãe consanguíneos no cinema local. De fato não é possível apontar que o filme tenha sido influenciado por este ou aquele diretor nacional, muito menos gaúcho. Ponto Zero está mais para Elefante, de Gus Van Sant (EUA, 2003), do que para Antes que o Mundo Acabe, de Ana Luiza Azevedo (RS, 2009). Ambos têm como mote os problemas...

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Publicado por em jun 6, 2016 em Artigos |

XII FANTASPOA: Cinema B, diversão e contestação – por André Kleinert

XII FANTASPOA: Cinema B, diversão e contestação – por André Kleinert

O que torna o FANTASPOA uma experiência singular no cenário dos festivais nacionais não é somente o fato de que exibe filmes no gênero fantástico. Até porque produções de tal gênero se encontram com razoável abundância nas salas de cinemas de shoppings. É só citar como exemplos as adaptações para as telas de HQs de super-heróis, os derivados de O senhor dos anéis, as franquias de Crepúsculo e Jogos vorazes (e seus diversos imitadores), os inesgotáveis Star Wars e Star Trek, as infindáveis sequências de Atividade Paranormal e outras séries de terror. O que diferencia o FANTASPOA é que a grande maioria das produções que apresenta em suas seleções faz parte daquilo que se convencionou chamar de Cinema B. É claro que o conceito atual dessa linhagem de produções não é aquele mesmo que se aplicava nos 40 e 50, em que os filmes B eram aqueles produzidos pelos grandes estúdios e que não recebiam os mesmos recursos que uma obra considerada como prioridade pelos principais executivos e produtores. Longe dos...

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Publicado por em jun 6, 2016 em Artigos |

Ponto Zero: entropia, implosão e renascimento – por Danilo Fantinel

Ponto Zero: entropia, implosão e renascimento – por Danilo Fantinel

Durante o crescimento, o amadurecimento psicológico e seus reflexos comportamentais são tão marcantes quanto as mudanças físicas pelas quais o corpo humano passa. O que sentimos, pensamos e fazemos tem sempre um peso muito grande, assumindo dimensões ainda mais dramáticas durante a adolescência quando somos, sim, o centro do mundo. Do nosso mundo. Mundinho esse que vira de cabeça para baixo de um minuto para o outro com facilidade, que se despedaça e se reconstrói continuamente, seja seu dono alguém extrovertido ou um ser atormentado como Ênio (Sandro Aliprandini), personagem principal de Ponto Zero. No filme de José Pedro Goulart, Ênio é uma ilha. Desvinculado de laços familiares acolhedores devido à dissolução do casamento dos pais, isolado na escola, perseguido pelos meninos do bairro, Ênio observa tudo e todos em um processo mudo de assimilação ininterrupta. Deslocado socialmente, o rapaz sofre uma somatória de agressões e rejeições que o levam a um ponto crítico, entrópico, implosivo. Um ponto zero onde tudo recomeça. Um reboot existencial marcado pela tragédia e...

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Publicado por em maio 25, 2016 em Artigos |

A Arte de Vera e Glauco, por Thomás Boeira

A Arte de Vera e Glauco, por Thomás Boeira

Tormenta e Glauco do Brasil são trabalhos que dialogam bem um com o outro. Lançados recentemente e de forma discreta nos cinemas, os documentários dos diretores gaúchos Lucas Costanzi e Zeca Brito têm como objetivo contar, à sua própria maneira, as trajetórias da artista plástica Vera Tormenta e do pintor Glauco Rodrigues. Com suas respectivas virtudes, os documentários se revelam um resgate histórico interessante sobre dois artistas admiráveis do cenário nacional. No comando de Tormenta, Costanzi tem pleno acesso à própria biografada, detalhe que até ajuda na construção narrativa do filme. Aos 84 anos, Vera Tormenta exibe disposição e entusiasmo invejáveis para continuar seus trabalhos e compartilhar sua história de vida. E isso encontra ressonância no próprio interesse do diretor na profissional que está à sua frente, conseguindo assim montar uma narrativa interessante mesmo que o filme acaba sendo relativamente curto (apenas 50 minutos de duração). Através de cartas e de entrevistas não só com Vera Tormenta, mas também com várias pessoas que tiveram a sorte de conhecê-la e...

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Publicado por em mar 22, 2016 em Artigos |

Glauco do Brasil (2015), por Cristiano Aquino

Glauco do Brasil (2015), por Cristiano Aquino

  Glauco do Brasil, documentário a respeito da vida e da obra de Glauco Rodrigues, pintor e gravurista gaúcho de Bagé, em seu título nos faz pensar em um artista valorizado por nosso país e pouco conhecido no mundo afora. Infelizmente, não é esse o caso. A verdade é que o longa dirigido com habilidade por Zeca Brito nos mostra um artista de vasta obra, porém mais conhecido internacionalmente, especialmente na França, do que por nós, que fomos vizinhos de Glauco a vida toda. Com depoimentos de colecionadores de arte, artistas retratados e aficionados por sua obra, a vida de Glauco Rodrigues vai se descortinando aos pouquinhos, apresentando ao espectador seu processo de criação, os motivos de sua obra e os lugares por onde pintou e viveu, de Bagé a Roma, passando por Porto Alegre e Rio de Janeiro. Um excelente material para um documentário pode resultar em um trabalho fraco. Para isso, basta uma montagem mal feita. Mas esse não é o caso de Glauco do Brasil. Ao...

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