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Publicado por em fev 2, 2018 em Artigos |

Curta-metragem Secundas registra acontecimentos em ato

Curta-metragem Secundas registra acontecimentos em ato

O curta-metragem Secundas, dirigido por Cacá Nazário, foi eleito pela Accirs o melhor de 2017. Leia aqui a resenha crítica de Matheus Bonez, especial para o site da Accirs “A escola é o primeiro contato com a sociedade que a gente tem.” Poderia ser qualquer pessoa a falar isso, mas em Secundas, curta-metragem de Cacá Nazário, as palavras saem da boca de uma estudante. Adolescente, ela participou do movimento de ocupação das escolas públicas de Porto Alegre que resultou na também ocupação do prédio da Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul, em junho de 2016. O  documentário, grande vencedor da Mostra Gaúcha de Curtas do 45° Festival de Cinema de Gramado, utiliza imagens gravadas, maior parte através de telefones celulares, dos próprios secundaristas, para contar este episódio que começou de forma pacífica e terminou com agressões físicas e verbais. Se havia dúvidas sobre o que realmente ocorreu durante a ocupação, as imagens deixam bem claro: a partir do momento em que a Brigada Militar entrou...

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Publicado por em jan 23, 2018 em Artigos, Destaque |

Ver, rever e repensar

Ver, rever e repensar

Por Leonardo Bomfim, curador da mostra Cinema da América do Sul, realizada na Cinemateca Capitólio, de 7 a 20 de dezembro de 2017, especial para o site da Accirs. Existe algum monstro hoje que parece nos obrigar a dar o veredito final sobre quaisquer e todas as coisas. Como diz uma amiga, a impressão é de alguém está com uma arma apontada para a nossa cabeça na frente do computador. Com o cinema, naturalmente, não é diferente. Se fosse paixão, a beleza das certezas permaneceria intacta, mas a arrogância parece tomar conta de um novo tipo de dandismo, um dandismo essencialmente seguro: asséptico. Esse tipo de postura sempre existiu, mas hoje parece ainda mais afetada e vazia, das resenhas sarcásticas, as notas e estrelinhas imediatas, os comentários definitivos. No instante em que o filme acaba, muitas vezes visto em condições nada apropriadas, tudo já está evidente: e morto. Fica a pergunta: o quanto essa postura pode ser não apenas injusta com uma obra de arte, mas com a nossa...

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Publicado por em dez 22, 2017 em Artigos, Destaque |

Fez-se a luz!

Fez-se a luz!

Por Adriano de Oliveira Pinto, especial para o site da Accirs, sobre Lumière! A aventura começa (2017), lançado em Porto Alegre em dezembro de 2017. Lumière. “Luz”, em francês. Como diria o saudoso Moacyr Scliar, há nomes e sobrenomes que condicionam destinos. Que acerto do destino, normalmente constituído de vias tortas, ao fazer dos irmãos Lumière os pais do Cinema! Pois primitivamente o cinema, em sua escala mais íntima, atômica, nada mais é do que luz – e sua complementar contrapartida, sombra. Thierry Frémaux, diretor do Instituto Lumière e de dois importantes festivais – aquele organizado pela instituição e o de Cannes –, faz uma ode à Sétima Arte com seu sublime documentário Lumière! A aventura começa (2017), onde apresenta 108 curtas dos irmãos franceses ao longo de uma hora e meia de puro deleite cinematográfico. Os comentários perspicazes de Frémaux fazem o coração do cinéfilo bater mais forte ao mostrar as origens (e os desdobramentos) de uma arte que tem fascinado espectadores em todo o globo há mais de um século....

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Publicado por em dez 7, 2017 em Críticas |

Premiado em Cannes, filme brasileiro narra vida e morte de aventureiro na África

Premiado em Cannes, filme brasileiro narra vida e morte de aventureiro na África

Por Daniel Feix, publicado em Zero Hora em 01 de novembro de 2017 Não é a toda hora que um filme brasileiro ganha um prêmio no Festival de Cannes. Gabriel e a montanha, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas, levou dois dos cinco troféus distribuídos aos longas-metragens da Semana da Crítica, tradicional seção do evento francês cujo júri, neste ano, foi presidido por Kleber Mendonça Filho, o diretor de O som ao redor (2012) e Aquarius (2016). Como parte significativa da melhor produção nacional recente, Gabriel e a montanha se situa entre o registro documental e a reinvenção ficcional, porém, com duas características bem particulares: trata-se de um filme-homenagem rodado inteiramente na África. É o segundo longa de Fellipe Barbosa (o primeiro foi o bom Casa grande, de 2014). Reconstitui a aventura de um amigo de infância do realizador, o carioca Gabriel Buchmann, que morreu percorrendo uma trilha rumo ao topo do Monte Mulanje, no Malauí. A primeira sequência mostra o momento em que dois camponeses locais encontram o corpo do jovem....

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Publicado por em out 8, 2017 em Artigos |

Um é pouco, dois é demais

Um é pouco, dois é demais

Por Roger Lerina, mediador do debate com a atriz Raquel Karro, realizado no Cine Bancários, em 5 de outubro de 2017, especial para o site da Accirs Exibido no 67º Festival de Berlim, na mostra Panorama, de onde saiu com o Prêmio Fipresci – a crítica internacional destacou a “qualidade visual”, “força narrativa” e “originalidade dramática e estética” do filme –, Pendular foi exibido na competição oficial do 50º Festival de Brasília antes de entrar comercialmente em cartaz no Brasil. O segundo longa-metragem de ficção de Julia Murat mostra efetivamente um amadurecimento narrativo e estético da jovem realizadora. Depois de dirigir curtas de ficção e documentários e de participar como assistente em trabalhos de outros diretores – inclusive da mãe, Lúcia Murat –, Julia dirigiu Histórias que só existem quando lembradas (2011), longa que recebeu cerca de 40 prêmios internacionais. Apesar desse reconhecimento, essa primeira incursão no longa de ficção carecia de um ritmo dramático regular e se ressentia de uma certa ingenuidade e mesmo paternalismo na abordagem do...

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Publicado por em set 13, 2017 em Artigos |

Ensaio sobre a partida

Ensaio sobre a partida

Por Siliane Vieira, integrante do Júri da Crítica da Mostra Gaúcha no 45º Festival de Cinema de Gramado, especial para o site da Accirs Há momentos em que o movimento é a única atitude possível. No curta Sob águas claras e inocentes, a câmera do diretor e roteirista Emiliano Cunha assume essa posição de inquietude protagonizando bem construídos planos sequência que acompanham os momentos derradeiros retratados. A sensibilidade da narrativa constrói um mosaico de sensações unidas pela força da despedida, da fuga, da melancolia, da redenção. Em cena, diferentes personagens desfilam diferentes partidas. O figurino é um dos elementos que reforça a ligação entre cada um desses protagonistas, sugerindo uma história única, identificável com distintos rostos (há uma bem-vinda pluralidade de raças e gêneros retratados). A câmera está quase sempre localizada na altura dos personagens e acompanha os passos de cada um como uma cúmplice a captar a belíssima unidade no trabalho do elenco. Mas há bem mais do que somente o figurino que se compartilha a cada aparição...

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