O começo de tudo
Por Roberto Cotta* O medo esconde a selvageria espalhada em nossas veias. Em certo momento, o tigre e a moça se deparam com um muro alto, bem mais vasto que o mundo onde habitam. Surge, então, o impasse: pular ou continuar sob proteção da mesma redoma? Entre metáforas e reflexões, Só sei que foi assim (Giovanna Muzel, 2019) mostra a passagem à vida adulta como um doloroso exercício de desapego. Para uma juventude cada vez mais acostumada com os salamaleques urbanos, tem sido uma batalha sair do casulo e enfrentar o tédio da selva cotidiana. O tempo passa, o tigre some na floresta e a moça se despede do amigo. Vida que segue, indomável. Eleita pela Associação de Críticos do Rio Grande do Sul (ACCIRS) como melhor curta gaúcho de 2019, a animação coloca a sutileza de sua técnica a serviço de uma memorabilia de gestos banais apresentados de forma mágica. O primeiro plano já traz uma tela dividida em três, com imagens de um caneco...
Leia Mais