Madrepérola (2015), por Leonardo Bomfim
Dirigido por Deise Hauenstein, Madrepérola apresenta-se como um documentário sobre jovens mulheres que têm suas vidas afetadas pelas expectativas (dos outros e delas) diante dos padrões de beleza. O que costuma incomodar em filmes construídos a partir da montagem de entrevistas relacionadas a um grande tema, ainda mais com a limitação do tempo, é a famigerada “síndrome de Huguinho, Zezinho e Luisinho” (a definição é cortesia do crítico Sérgio Alpendre): ela surge quando a pluralidade dos depoimentos de diversas pessoas é espremida e unificada na tentativa de construir uma linha narrativa singular – geralmente baseada num interesse prévio do realizador. Em suma: filmes de escuta feitos por quem não quer ouvir. Em Madrepérola, as perguntas que ficam no ar parecem confirmar essa estrutura. Por exemplo: uma mulher que sempre foi gorda naturalmente tem uma vivência diferente de outra que engordou num determinado momento. Não sabemos muito bem quem está compartilhando aquelas narrativas. E sobram frases, pedaços de histórias. Mas é justamente na suposta traição de uma complexidade...
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