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Publicado por em ago 30, 2022 em Artigos, Críticas, Festival de Gramado |

Fantasma Neon: um filme sobre pessoas invisíveis, mas essenciais, por Barbara Demerov

Fantasma Neon: um filme sobre pessoas invisíveis, mas essenciais, por Barbara Demerov

“Fantasma Neon”, divulgação. O curta-metragem Fantasma Neon, de Leonardo Martinelli, venceu cinco Kikitos no 50º Festival de Gramado, incluindo de melhor curta brasileiro e o prêmio do Júri da Crítica. Com poucas palavras e muitas imagens que falam por si só, este é um filme sobre pessoas invisíveis e, ao mesmo tempo, essenciais para o andamento do cotidiano de grandes cidades. João (Dennis Pinheiro) trabalha como entregador de comida por aplicativo no centro do Rio de Janeiro. Enquanto sonha em trocar sua bicicleta por uma motocicleta, a fim de garantir mais efetividade no trabalho, ele enfrenta a precariedade do serviço e clientes mal educados. O gênero musical – algo que surpreende de início, mas é muito bem inserido pelo diretor – se colide com a severidade do dia a dia do protagonista. Além disso, é um elemento essencial para que o espectador preste atenção em cada movimento e olhar registrado pela câmera. A trilha sonora e os sons ao redor de João compõem uma rotina instável, que depende de...

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Publicado por em ago 30, 2022 em Artigos, Críticas, Festival de Gramado |

Banquete no país da fome, por Adriana Androvandi

Banquete no país da fome, por Adriana Androvandi

Cena de “Clube dos Anjos”. Crédito da imagem: Dezenove Som e Imagens, divulgação. Na noite do sábado, 13 de agosto, foi exibido no Palácio dos Festivais Clube dos Anjos, em competição na categoria de longa-metragem brasileiro. Trata-se de uma adaptação do livro do gaúcho Luis Fernando Verissimo, lançado em 1998. O livro fez parte da Coleção Plenos Pecados, uma série composta por sete livros de sete autores diferentes, cada um sobre um pecado capital. O de Verissimo aborda a gula. A sinopse anuncia que se verá uma confraria de velhos amigos, com laços de amizade remendados num nababesco banquete proporcionado por um misterioso cozinheiro. Após o jantar, um deles amanhece morto. O filme começa com o personagem de Otávio Muller falando para uma câmera, se autogravando ao fazer uma confissão. Ele vai narrando a cronologia dos fatos e levantando suspeitas. O morto teria sido envenenado? E os demais, retornaram a um novo jantar? “Clube dos Anjos” tem uma produção e atuações primorosas, mas nem todos embarcaram na proposta do...

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Publicado por em jun 21, 2021 em Artigos, Críticas |

Um rasgo como justiça cinematográfica

Um rasgo como justiça cinematográfica

por Renato Cabral Em sua entrevista ao Roda Viva em junho de 2021, a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie relatou que ao chegar ao Brasil e buscar a tão bem vendida diversidade, acabou surpreendida ao estar em um restaurante e notar algo muito diferente das suas expectativas. Adichi logo identificou que não havia nenhum negro brasileiro a frequentar o estabelecimento. Foi aí que ela percebeu que a diversidade bem vendida lá fora não era tão verdadeira assim quando chegou aqui. Ela concluiu que quando em um país com uma expressiva população negra não consegue colocar os seus cidadãos negros em posições de poder, algo de errado há. Para alguns pode ser que Chimamanda teve um desencontro, mas usar desta justificativa só serviria para suavizar mais uma metáfora importante que a escritora nos apresenta. Não precisaríamos fazer uso das reflexões de Adichie para notar os abismos e segregações que foram construídos e se perpetuam de maneira velada há centenas de anos, elas são fendas visíveis em nossa sociedade. Porém são...

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Publicado por em jun 21, 2021 em Artigos, Críticas |

Perpétuo (2018), Lorran Dias

Perpétuo (2018), Lorran Dias

por Juliana Costa Em algum momento do filme Perpétuo (2018), de Lorran Dias, exibido na Edição Especial da Ohun – Mostra de Cinema Negro de Pelotas, abre-se uma cortina. Após o sobrevôo do olhar identificar entidades em meio às ruínas de um casarão, um corte revela uma personagem, também entidade em cena anterior, abrir dois lençóis a emoldurar um homem e uma mulher conversando em uma cena doméstica. É nesta construção que Perpétuo nos insere ao longo de seus 24 minutos: na encenação do cotidiano. Construção também parece ser a palavra exata. O filme se passa em parte em uma casa em construção, em direção ao futuro, enquanto um outro mundo, localizado no passado provavelmente, se pronuncia em meio a ruínas. Não sabemos o quanto um interfere no outro, mas sabemos como a encenação do dia a dia interfere naqueles personagens e mais, na própria percepção do diretor. O filme vai ficando cada vez mais explícito nas suas construções de cena. Uma dupla de amigos troca carinho sob a...

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Publicado por em jun 21, 2021 em Artigos, Críticas |

Cinema doble chapa é ohùn

Cinema doble chapa é ohùn

por Ivonete Pinto Além da Fronteira (Alexandre Mattos Meireles, 2021, 21’) pode ser lido por várias chaves. Provavelmente as mais diretas se concentrem na relação de um pai e de uma filha e nas relações “sanguíneas” dos povos de fronteira. Vinculado a estes temas, o filme igualmente aborda a crise econômica do ponto de vista de um operário da construção civil, na verdade um faz-tudo porque precisa viver se adaptando. Edmilson (Hilton Oliveira) perde a esposa (as circunstâncias da morte não são explicadas no filme) e precisa cuidar sozinho da filha Clara, de 11 anos (Clara Meireles). Ele perde também o emprego e não consegue sequer pagar o aluguel. A situação fica mais difícil porque usa como válvula de escape a bebida, que só piora a relação com a filha. Ao mesmo tempo, graças às cobranças de Clara por uma mudança de atitude, decide ir embora. É logo ali, passando a fronteira de Jaguarão (RS) para Rio Branco (Uruguai), que os dois vão encontrar abrigo em uma família doble...

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Publicado por em ago 19, 2020 em Artigos, Críticas |

“Barry Fritado” e o alienígena sul-africano bonzinho

“Barry Fritado” e o alienígena sul-africano bonzinho

Ivonete Pinto Existem pelo menos duas grandes forças nos filmes fantásticos: a capacidade de transmissão de ideias através de metáforas e a liberdade  narrativa sem limites. Metáforas, por si só,  não dotam os filmes de qualidade, mas quando trazem recados importantes, funcionam de diversas formas na recepção do público, operando então funções políticas que não devemos negligenciar. George Romero e sua trilogia dos mortos  tem lugar garantido na história do cinema. Sua visão da Guerra Fria, da energia nuclear, do racismo ignóbil da sociedade norte-americana são exemplos dos temas contrabandeados no enredo de zumbis em sua obra prima A Noite dos Mortos Vivos (1968). Já o exemplo de liberdade narrativa pode estar  em Barry Fritado, exibido na 16ª edição do Fantaspoa ─ que premiou  Garry Green, o protagonista , como melhor ator ─, e igualmente exibido no festival virtual de Cannes em junho deste ano.  Barry Fritado (Fried Barry,  Ryan Kruger, 2020), é a versão estendida de um despretensioso curta com o mesmo nome, mesmo ator,  rodado dois anos...

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