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Publicado por em fev 3, 2019 em Artigos |

Trama Fantasma

Trama Fantasma

Por Rodrigo de Oliveira, publicado na revista eletrônica Almanaque21: Oscar 2018, em fevereiro de 2018. Vencedor de três Oscar, Daniel Day-Lewis anunciou aposentadoria da carreira artística depois desta sua segunda colaboração com Paul Thomas Anderson, o climático Trama Fantasma. Não se sabe se isso realmente se confirmará, visto que o ator já anunciou anteriormente que pararia de trabalhar e retornou, mas tudo indica que vimos o último filme estrelado por Day-Lewis. Como poderíamos imaginar vindo do diretor de Sangue Negro – a outra colaboração entre os dois artistas, que rendeu ao ator seu segundo Oscar e a primeira indicação ao cineasta – o filme é sublime e é uma despedida maiúscula de um dos maiores atores que já passou por Hollywood. Curiosamente, Day-Lewis revelou que não assistiu ao filme finalizado, devido à tristeza que se apossou dele durante as filmagens e que o levou a abandonar a carreira. E ele não deve estar exagerando, visto que Trama Fantasma é um passeio pesado na psique de um estilista prepotente e de...

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Publicado por em fev 3, 2019 em Artigos |

O gabinete do Doutor Montanari

O gabinete do Doutor Montanari

Por Paulo Daisson Casa Nova, especialmente para o site da Accirs Yoñlu, longa ficcional de Hique Montanari sobre a vida e morte do compositor porto-alegrense Vinícius Gageiro Marques que se suicidou em 26 de julho de 2006, tem uma característica comum aos filmes realizados por este cineasta de tantos documentários: a meticulosidade obsessiva com os detalhes. Cito alguns: como roteirista, realizou nada menos que doze tratamentos do roteiro em dez anos de produção do filme; como produtor, tratou os pais de Yoñlu com o respeito e o profissionalismo que o tema exigia; como diretor, o cuidado em contar uma narrativa sem barrigas, ou seja, sem rodeios. Mas Montanari aparece com uma qualidade a mais: a confiança. É evidente seu compromisso com o filme e com o protagonista. Não há no filme espaço para sentimentalismo ou sensacionalismo e, no entanto, o filme flui em sentimentos e imagens sensacionais. Me vem à memória enquanto escrevo a subida de Yoñlu pelos morros de Porto Alegre vestido como astronauta. Montanari é confiante também...

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Publicado por em fev 3, 2019 em Artigos |

O terror social em As Boas Maneiras

O terror social em As Boas Maneiras

Por Ivonete Pinto, artigo inédito, especialmente publicado pelo site da Accirs Com lobisomem sertanejo, Juliana Rojas e Marco Dutra inventam um terror brasileiro, pleno de elementos para pensar o País, tanto quanto o expressionismo pensou a Alemanha. No clássico De Caligari a Hitler, Siegfried Kracauer afirma que os filmes derivados do O Gabinete do Dr. Caligari (Robert Wiene, 1919) acentuam o surgimento de impulsos desordenados em um mundo caótico. Ele os chamou de “filmes de instintos”. Abarcando outros títulos, em especial os roteirizados por Carl Mayer, Kracauer encontrou nas obras traços comuns, onde se sobressaem personagens representantes da pequena burguesia, criaturas oprimidas e atormentadas, incapazes de sublimar seus instintos. Os filmes do expressionismo alemão, em que podemos incluir o tardio (para fins de delimitação da escola) M, o Vampiro de Dusseldorf (Fritz Lang, 1931), trabalhavam com o horror, que florescia justamente num momento de transição da sociedade, no caso, a alemã pós guerra, e que vivia em profunda crise econômica e moral. O medo era o sentimento que predominava e...

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Publicado por em fev 2, 2019 em Artigos |

A melancolia de Yoñlu

A melancolia de Yoñlu

Por Jaqueline Chala, crítica radiofônica transmitida no programa Na Trilha da Tela, da Rádio FM Cultura, 107.7, de Porto Alegre Yoñlu foi um dos grandes lançamentos do cinema gaúcho em 2018. A cinebiografia deste jovem, que terminou tragicamente com a própria vida em 2006, num episódio envolvendo os fóruns anônimos da internet, é uma narrativa que procura não apenas resgatar a obra artística de seu biografado, mas também dar a compreensão de sua personalidade. Através de vários artifícios de encenação e de filmagem,Yoñlu é eficiente ao nos transportar ao mundo de seu personagem. Yoñlu foi o pseudônimo artístico assumido por Vinícius Gageiro Marques, garoto precoce nascido em Paris, filho de pais intelectuais que estudavam na França. Proficiente em várias línguas, como inglês, francês e galês, Vinícius aprendeu música cedo e conviveu desde pequeno com a literatura e as artes. Aqui no Brasil, ele mantinha um estúdio em casa, onde gravava suas músicas e fazia seus desenhos. É neste universo particular que a trama de Yoñlu se desenrola na maior parte do tempo. Além...

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Publicado por em fev 2, 2019 em Uncategorized |

Porto Alegre dos cinéfilos, uma homenagem aos cineclubes

Porto Alegre dos cinéfilos, uma homenagem aos cineclubes

Por Carla Oliveira, cineclubista, cinéfila e colaboradora na revista digital do Cineclube Academia das Musas e no fanzine Zinematógrafo, especialmente para o site da Accirs. O Clube de Cinema de Porto Alegre, o cineclube mais antigo e tradicional da cidade, foi reconhecido pela Accirs (Associação dos Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul) com o Prêmio Luiz César Cozzatti – Destaque Gaúcho 2018, por sua atividade ininterrupta nos últimos 70 anos. O prêmio é destinado à valorização da produção audiovisual e da cultura do Rio Grande do Sul. Fundado em 13 de abril de 1948, pelo crítico e cinéfilo Paulo Fontoura Gastal, o Clube de Cinema é importante difusor da cultura cinematográfica e seu papel educativo é atestado em suas sessões semanais, nos debates entre seus associados e membros da comunidade presentes. Ciclos de clássicos, produções contemporâneas, valorização do cinema brasileiro e gaúcho (em sessões especiais com a presença de diretores) são alguns de seus feitos. Dentre seus associados (um grupo, a princípio, eclético) emergem pesquisadores, críticos e, sobretudo,...

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