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Publicado por em ago 24, 2017 em Destaques, Notícias | 0 comentários

Accirs debate a mulher no cinema em Gramado

Com o objetivo de estimular a conscientização sobre o lugar da mulher nas atividades cinematográficas, a Associação dos Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul promoveu debate durante o 45º Festival de Cinema de Gramado, que se desenvolve na serra gaúcha. O encontro aconteceu na quarta-feira, dia 23. A mesa de debates foi conduzida pela jornalista Mônica Kanitz, vice-presidente da Accirs e editora de cultura do jornal Metro Porto Alegre.

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Ivonete Pinto, Cecília Barroso, Mônica Kanitz e Suyene Correia Santos

 

A jornalista e crítica brasiliense Cecília Barroso contou como decidiu criar um coletivo de mulheres que atuam na crítica de cinema a partir da necessidade de compartilhar experiências comuns com outras profissionais da área. A designação Elviras surgiu das pesquisas da gaúcha Ivonete Pinto, que encontrou o nome de Elvira Gama como primeira mulher no Brasil a escrever sobre a imagem em movimento, entre 1894 e 1895, em uma coluna chamada Kinetoscópio, no Jornal do Brasil. A homenagem a essa pioneira foi escolhido para identificar o grupo que reúne dezenas de mulheres críticas cinematográficas ou que produzem reflexão sobre o audiovisual, hoje no Brasil.

A mesa de debate também contou com a presença da jornalista Suyene Correia Santos, de Sergipe, que relatou aspectos de sua experiência como editora e crítica no Jornal da Cidade, onde trabalhou até assumir como professora na Universidade Federal de Sergipe.

Além da participação de jornalistas e realizadores presentes no Festival de Cinema, o debate atraiu estudantes de comunicação, cuja presença foi acentuada por Ivonete Pinto. Como professora de cinema na Universidade Federal de Pelotas, ela ressaltou a importância de se resgatar o papel da mulher no cenário do cinema, tanto como realizadora quanto crítica. “É uma maneira de promover a autoestima das meninas para que se sintam capazes de desempenhar funções como a direção de um filme, em geral assumida pelos homens”, afirmou a professora que se surpreendeu com a quantidade de mulheres diretoras descobertas em suas pesquisas, cujos nomes não aparecem na historiografia clássica do cinema.

O debate promovido pela Accirs está em sintonia com a atualidade das discussões sobre o lugar da mulher na sociedade. A jornalista feminista Maria do Rosário Caetano, sempre vigilante sobre a participação de mulheres nos espaços públicos de representação, cobrou o desequilíbrio da comissão instituída pela Academia Brasileira de Cinema (ABC), que irá indicar o filme brasileiro ao Oscar 2018.

O grupo será presidido por Jorge Peregrino, diretor vice-presidente da ABC e será integrado pelos roteiristas Paulo Roberto Mendonça e Doc Comparato; os cineastas David Schürmann, João Daniel Tikhomiroff e Miguel Faria Jr. Os suplentes serão o roteirista André Carreira, o finalizador Marcelo Siqueira e Paulo Duarte, produtor e diretor. O grupo terá apenas uma mulher, a produtora Iafa Britz, o que configura um desacordo com a realidade na qual é significativa e importante a presença de mulheres em várias funções no cinema no Brasil.

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