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Home Artigos Festival de Cinema de Gramado 2010
Artigos

À Beira do Caminho

Chico Izidro

 

João é um homem atormentado. Caminhoneiro, percorre as estradas do Nordeste do Brasil ouvindo apenas um cd do Roberto Carlos,  que lhe traz lembranças doces e amargas. Até que após a parada num posto acaba descobrindo um clandestino em seu caminhão, o  garoto Duda (Vinicius Nascimento), que recém perdeu a mãe e está a procura do pai, que mora em São Paulo.

Este é o ponto de partida do road-movie "À Beira do Caminho", direção de Breno Silveira. Pontuado por canções do Rei, os dois  cruzarão o país numa convivência nunca pacífica, por vezes beirando o belicismo. Duda é falante e esperto e começa a penetrar no  íntimo de João - e aos poucos ficamos sabendo de o porque ele ter se tornado uma pessoa fechada e amargurada. "À Beira do  Caminho" é atemporal, mas parece ter sido ambientado entre os anos 1970 e 1990 - devido as roupas e cabelos dos personagens, os  automóveis que surgem em cena. E vemos aquele Brasil que parece ter parado no tempo, com suas cidadezinhas pequenas, as  pessoas humildes e, por vezes, sofridas.

João Miguel, de "Estômago", é que vive o seu homônimo, demonstrando mais uma vez ser ótimo ator. O garoto Vinicius Nascimento  é uma ótima revelação. Sabe ser meigo na hora de ser meigo, chato na medida certa, e sofrido quando deve mostrar  sofrimento...Dira Paes, de "E Aí... Comeu?", faz uma rápida e sedutora aparição como um antigo amor de João.

"À Beira do Caminho" em determinado momento escorrega no sentimental, mas rapidamente foge dele, transformando-se num  excelente filme onde se discute culpa e solidariedade.

Cotação: ótimo

 

A Velha dos Fundos

 

Por Chico Izidro

 

A solidão numa grande metrópole como Buenos Aires foi muito bem analisada no romântico "Medianeras". O tema volta à tona, desta vez tendo uma velhinha solitária e um estudante de medicina azarado no melancólico "A Velha dos Fundos", direção de Pablo José Meza. O filme não é de fácil assimiliação. Nos primeiros 15 minutos, o silêncio só é quebrado pelo cantar de um canário. E vemos o cotidiano de Rosa (a excelente Adriana Aizemberg). Ela faz seu chá com leite, come uma bolacha, se arruma e sai. E assim repete-se todos os dias. No apartamento em frente mora Marcelo (Martín Piroyansky), estudante de medicina que ganha uns trocados distribuindo folhetos pelas movimentadas ruas de Buenos Aires. De um dia para o outro, Marcelo fica sem ter como pagar o aluguel e é despejado. O que resta é retornar para a casa dos pais, no interior. Até que a vizinha silenciosa vem em seu socorro. A proposta de Rosa é simples: Marcelo pode ficar no apartamento dela, sem pagar aluguel e comida, com uma condição: ele deve fazer companhia para ela. Estar lá todas as noites para conversar. Nem que seja por meia-hora. No começo tudo dá certo. E ele até arranja um interesse amoroso e um outro bico. Mas logo as coisas começam a degringolar, pois vão surgindo as diferenças irreconciliáveis de Rosa e Marcelo.  E é interessante ver este embate entre os dois. Cujos interesses são distintos, a velha começa a tratar Marcelo às vezes como um filho, às vezes como um marido que não liga ao voltar para casa. "A Velha dos Fundos" trata da solidão, do desencanto por estes dias cruéis, em que cada um tem de se virar como pode, muitas vezes sem a ajuda do próximo. Os dois atores centrais, Adriana Aizemberg e Martín Piroyansky trabalham naturalmente e seus rostos, sofridos, são propícios para o tipo de trama a que se propõe o filme.

 

 

Piriapolis en Película 2011

Willian Silveira

O Uruguai não está mais para coadjuvante. Seria esta a conclusão caso pudéssemos sintetizar a fala de cada um dos debatedores, profissionais do cinema e da imprensa, durante a 8ª edição do Piriapolis en Película. O festival que transcorreu no agradável balneário uruguaio durante os dias 5, 6 e 7 de agosto confirmou a suspeita levantada durante a última década por filmes como 25 Watts (Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll, 2001), Whisky (Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll, 2004), O Banheiro do Papa (César Charlone e Enrique Fernández, 2007) e Gigante (Adrián Biniez, 2009): o país não está mais para coadjuvante.
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O tempo e o contratempo

 

Adriano de Oliveira Pinto

Contra o Tempo (Source Code, EUA, 2011) é daqueles filmes que começam ganhando o espectador. A sequência de abertura - usando planos gerais e regada pela música incidental de Chris Bacon a lembrar muito a do saudoso John Barry - nos dá um clima de tensão que desemboca na primeira cena pós-créditos iniciais apresentando um passageiro de trem (Jake Gyllenhaal) que desperta confuso em meio a uma viagem a Chicago: não sabendo porque está ali, também enfrenta problemas de identidade.

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"A Serbian Film" está proibido em todos os cinemas brasileiros

Por Marcelo Portela

Belo Horizonte, 09 (AE) - O polêmico filme "A Serbian Film - Terror Sem Limites" está proibido em todos os cinemas brasileiros. A decisão é da Justiça Federal em Minas, que atendeu pedido da Procuradoria da República e concedeu liminar vetando a exibição do longa. A película já estava proibida no Rio de Janeiro e tinha estreia programada para o próximo dia 26 no resto do País.

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Uma análise dos planos físicos e imateriais da realidade (Donnie Darko, 2001)

Em 2001, o diretor estreante Richard Kelly, juntou um elenco de grandes talentos, com talentos promissores, em uma produção independente que tinha como grande trunfo um roteiro difícil e intrigante. O filme contava com a força da produtora Drew Barrymore, atriz famosa desde os anos 80 e que aceitou investir na produção, desde que pudesse fazer uma ponta. Com uma cifra ínfima de 4 milhões de dólares, Donnie Darko foi lançado diretamente em DVD, onde tornou-se, quase de maneira instantânea, um fenômeno cult.

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