Depois de vencer diversos festivais, como o Festival Internacional do Rio de Janeiro e de Punta del Este, "Os Famosos e os Duendes da Morte", dirigido por Esmir Filho, chegou às telas em 2010 com um ar daquelas produções que têm espaço garantido no imaginário dos cinéfilos mais exigentes. Cercado de uma atmosfera que mescla imagens significativas com discursos já introjetados no imaginário de uma cidade interiorana, o filme é envolvente e ousado. Na trama, uma pequena cidade na geografia gaúcha que tem ascendência germânica serve de cenário para tratar de adolescência, buscas, horizontes possíveis e lembranças. Esmir é o diretor do famoso "Tapa na Pantera", curta que foi sucesso de visualizações na Internet e também provocou ataques pelos que o consideraram uma apologia à maconha.
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O documentário Pachamama (2008), para além de ser visto em relação aos filmes anteriores de Eryk Rocha (Rocha que Voa, 2002, e Intervalo Clandestino, 2006) pode ser, talvez, lido como uma busca do filho de Glauber por alguns interesses muito caros a seu pai. Talvez se possa pensar Pachamama como uma reedição de um anseio cinemanovista de “descoberta do Brasil”, só que com um novo sentido: de cartografia às avessas com a busca de seus limites. A partir de marcas do início do filme, é possível observar como será feita esta leitura, tendo-se como dispositivo a imersão a uma viagem de 14 mil quilômetros, desde o Rio de Janeiro até o Peru e a Bolívia.
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O anúncio de que o diretor gaúcho, Paulo Nascimento, produziu dois filmes em apenas um ano causou certo alvoroço na cena cinematográfica do sul do Brasil. Depois de dois filmes premiados em Gramado mas desconsiderados nacionalmente (Diário de um novo mundo e Valsa para Bruno Stein), Paulo apostou em uma produção voltada para o público infantil em A Casa Verde e no drama Em Teu Nome..., filme sobre a ditadura militar brasileira mostrando a história do revolucionário Boni, desde o momento onde adere a luta até sua deportação e consequente anistia. Nesse meio tempo, mostra a luta do personagem e seus aliados em outros países na tentativa de mostrar a realidade brasileira ao mundo.
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No documentário "Utopia e Barbárie", o cineasta Silvio Tendler faz uma revisão da política e da economia no mundo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Com narração de Letícia Spiller e Chico Diaz, o filme traz imagens, vídeos e noticiários de época. O foco apresenta um viés da esquerda. Mostra como muitos sonhos comunistas e socialistas foram caindo ao longo de décadas para os que sonharam com aqueles ideais. O diretor levou 19 anos para realizar este longa-metragem, fazendo entrevistas em 15 países com protagonistas da história, como o General Giap, um dos estrategistas do exército vietnamita durante a Guerra do Vietnã, além de testemunhas e vítimas. Ele passa por fatos como a bomba atômica, o Holocausto, o ano de 1968, a Operação Condor, a queda do Muro de Berlim, até chegar à ascensão do neoliberalismo.
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Há em “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo” (2009) uma proposta estética ousada e instigante. Os diretores Marcelo Gomes e Karim Aïnouz combinam rústicas tomadas documentais e fotografias com um texto ficcional. O que dá sentido às imagens aparentemente aleatórias é a narração do personagem principal, um geólogo que faz uma viagem de quase um mês pelo sertão nordestino para pesquisar regiões que serão alagadas devido à transposição de um rio. O monólogo do protagonista oscila de forma desconcertante das descrições objetivas e profissionais que faz do seu projeto até confissões e impressões pessoais sobre os locais que visita e a confusão emocional que sente. Recém-separado da companheira, faz da viagem uma espécie de expurgo de frustrações e desejos. Conversando com os nativos, divertindo-se com prostitutas e contemplando o tempo passar lenta e inexoravelmente, ele faz da sua jornada pelas estradas poeirentas uma espécie de reavaliação existencial.
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Assim como o cinema brasileiro, cujos filmes são subsidiados pelo estado através das leis de incentivo, pagam o preço de não poder criticar os poderes econômicos instituídos (incluindo o próprio governo, a Petrobras e o sistema bancário), ficamos presos a um compromisso “moral” de não encontrarmos grandes defeitos nos filmes brasileiros. Antes, porque eram tão difíceis de ser produzidos, agora, porque a exibição é tão difícil. Uma complacência com as condições desfavoráveis do meio, mas que limita a crítica.
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