Por André Kleinert
A comparação pode soar óbvia, mas “Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro” (2010) lembra muito a segunda parte de “O Poderoso Chefão”, no sentido que ambos possuem tramas auto-contidas e independentes das obras que o precedem, mas que também servem como uma forma de complementar o sentido dos filmes iniciais. Se na obra original de 2007 o diretor José Padilha determinava um ritmo narrativo vertiginoso para mostrar a trajetória obsessiva do Capitão Nascimento (Wagner Moura) em encontrar um substituto para si além de prender ou matar os marginais que apareciam pelo caminho, nesta continuação ele opta por uma linha mais reflexiva e cerebral, intercalando com econômicas, mas precisas, sequências de ação. Mesmo com uma trama que se desenvolve muito mais em diálogos e nos ambientes fechados de gabinetes, a tensão é sempre constante. Tal opção formal e temática não é gratuita, tornando “Tropa de Elite 2” uma obra bastante diversa daquela que a precedeu. Se nesta enxergávamos quase que somente a violência de marginais reprimida sem concessões pelo BOPE, na continuação são expostas as possíveis causas da violência mencionada.
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Por Goida
“Chorei”, contou um amigo, ao falar do documentário “Uma Noite em 67” (2010). Ele também já passou dos setenta anos. Entretanto, o trabalho de Renato Terra e Ricardo Calil não atinge só os velhos, que foram testemunhas vivas daquela data. Muitos jovens que nem eram nascidos em 1967 também se comoveram com essa lembrança dos festivais de música brasileira, criados pela TV Record. Mas bota tempo nisto. Um tempo em que não existiam – pelo menos com a força que tem hoje – as igrejas pentecostais e seus “homens de fé”. Ou melhor, os tesoureiros de um dízimo destinado a Cristo. E ainda não estávamos vivendo a era plena dos vídeos. Tudo era filmado ao vivo, muito em câmeras de 16mm, que permitiam uma mobilidade total dos operadores.
A gente era transportado do palco e da platéia até os bastidores, numa intromissão verdadeiramente documental. Tudo com boas imagens, criando um contraste com os personagens nos dias de hoje. Edu Lobo. Chico Buarque. Caetano Veloso. Gilberto Gil. Sérgio Ricardo. Os Mutantes, com Rita Lee ainda adolescente. E até Roberto Carlos. Todos com boas lembranças, mas incapazes de explicarem o sucesso daquela noite. As músicas eram criativas, entusiasmantes, fáceis de gravar e cantar.
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Por André Kleinert
O panorama dos documentários brasileiros tem se mostrado com uma gama razoavelmente ampla de direções estéticas. Nesse sentido, o caminho mais radical apresentado é o de Eduardo Coutinho, que em seus filmes mais recentes questiona os próprios fundamentos do cinema documental ao deixar evidente que depoimentos ditos espontâneos podem trazer uma carga de interpretação por parte de quem os profere, assim como o encadeamento de cenas revela uma certa manipulação do olhar no sentido de trazer uma visão pessoal de seu realizador. Por outro lado, há uma tendência artística em uma outra linha de produções documentais cujo enfoque é muito mais no objeto temático do que na sua linguagem formal. Essa intenção de privilegiar os fatos registrados vem do desejo de seus realizadores em trazer à tona uma série de episódios e personagens de caráter histórico importante que, por motivos diversos, encontram-se na obscuridade perante a maioria do público.
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Por Adriano de Oliveira Pinto
Em 2007, “Tropa de Elite” se transformou num fenômeno popular por ser uma síntese sócio-policialesca perfeita de seu tempo (falamos na época: “o filme certo no momento certo”), com a propriedade decausar imediata identificação do espectador com a sede de justiça perpetrada pelo seu icônico protagonista, Capitão Nascimento (Wagner Moura), numa espécie de catarse.
Três anos depois, os seus temas são expandidos, ora modificados e por fim dissecados em diferentes estratos na obra “Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora É Outro” (2010), a qual faz jus ao subtítulo que ostenta. O Capitão, agora Coronel, sai da linha de frente do comando de sua unidade do BOPE – Batalhão de Operações Especiais da Polícia do Rio de Janeiro – após uma ação desastrada de um de seus subordinados (justamente o seu homem de confiança, André (André Ramiro)) na tentativa de conter um motim entre presos de grande periculosidade na Penitenciária de Alta Segurança Bangu 1. Ao invés de ser execrado, curiosamente Nascimento é promovido – tudo para agradar a opinião pública - e passa a despachar de dentro do alto escalão da Secretaria de Segurança fluminense. Lá ele se permite a melhor aparelhar a máquina acional do BOPE, mas vê surgir um novo opositor da paz e da justiça: se o tráfico de entorpecentes era o inimigode outrora, os milicianos que invadiram as favelas para impor uma paz postiça e criar suas próprias regras de subversão são os monstros da vez, com o adicional de constituírem tentáculosde redutos eleitorais a políticos oportunistas. Não bastasse esse problema “externo”, o personagem vivido com desenvoltura e imensa coerência por Wagner Moura enfrenta um tormento “interno”, uma dor de cabeça familiar que é uma das boas surpresas do filme, disparadora de conflitos dramáticos que prendem ainda mais a atenção do público.
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Por Chico Izidro
Em Tropa de Elite 2, de José Padilha, a violência continua lá, explícita. Mas desta vez o Capitão Nascimento, depois de uma frustrada tentativa de impedir um motim em Bangu 1, sai das ruas, põe terno e gravata e vai para os gabinetes. Se em Tropa de Elite 1, a luta do Bope era contra os traficantes, agora outros vilões são combatidos: os políticos corruptos e os milicianos (policiais que tomam o poder nas favelas através da violência).
Nascimento, em mais uma atuação elogiável de Wagner Moura, é promovido a Tenente-Coronel e vai trabalhar no setor de espionagem da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. Além de seus inimigos conhecidos, ele também tem outros fantasmas para brigar: o ativista dos direitos humanos Fraga (Irandhir Soares, de Viajo porque preciso, volto porque te amo, e de grande atuação) e que ainda por cima casa com a sua ex-mulher, Rosana (Maria Ribeiro), e a distância emocional do filho (Pedro van Held), que acredita ser o pai um assassino. Nascimento também afasta-se de seu amigo André (André Ramiro), que bate de frente com o comando da polícia por seu radicalismo e por isso é afastado do Bope, sendo transferido para uma companhia de policiais considerados corruptos, como Fábio (o espetacular Milhem Cortaz).
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Por Marcelo Perrone
“O ciclo se encerra aqui…”. É o que garante o diretor José Padilha no Twitter, jogando água fria em quem já pensava ser inevitável um Tropa de Elite 3 diante do estrondoso sucesso da parte 2, que já somou mais de 4 milhões de espectadores em apenas 10 dias em cartaz. Mais que ser o maior público do cinema nacional em 2010, superando Nosso Lar e Chico Xavier, Tropa de Elite 2 se encaminha para bater o recorde de Se Eu Fosse Você 2, o filme nacional mais visto desde a chamada retomada da produção nacional, nos anos 1990, comédia assistida nos cinemas por 6,1 milhões de pessoas. Para dar conta da demanda, os produtores de Tropa de Elite 2 ampliaram o circuito exibidor de 703 para 739 salas, e a média de espectadores continuou altíssima (1,5 mil por sala), segundo o boletim de ontem do portal Filme B. Já tem gente prevendo que o filme vai tirar de A Dama do Lotação (1978), com 6,5 milhões, o posto de segundo filme brasileiro mais visto em todos os tempos, segundo as estatísticas oficiais da Ancine – o primeiro, Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), com 10,7 milhões.
Vale lembra que a Ancine considera os dados registrados desde 1970. Produtores e historiadores avaliam que, extra-oficialmente, pela falta de dados confiáveis, alguns filmes populares lançados antes desse período, como as produções da Atlântida ou os protagonizados por Mazzaropi, podem ter obtido público superior a 10 milhões.
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