ACCIRS | Associação de Críticos de Cinema do RS

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte
Home Futuro da Crítica
Futuro da Crítica
Textos produzidos por alunos dos cursos de cinema, arte e comunicação do Rio Grande do Sul.

Última parada de Barreto (Última Parada 174, 2008)

"E então, como é o filme?". Era uma simples pergunta feita por amigos depois de eu ter anunciado que havia visto um dos mais novos filmes brasileiros em cartaz, Última Parada 174. Deveria ser uma resposta simples, afinal, a pergunta por si só já era simples, porém o assunto em questão não era nada simples. Como era realmente o filme? Digo, com total sinceridade, que é um ótimo filme, realmente, muito bom.

O roteiro é muito bom, a fotografia é excelente e os atores são verdadeiros. Tudo que um bom filme precisa. Também, não se esperava nada contrário, levando em conta a equipe por trás dessa produção. Dirigido por Bruno Barreto, fotografia por Antoine Heberlé e arte por Claúdio Amaral, tudo acabaria em um ótimo filme, como ele, de fato é. Então, por que não falar simplesmente que o filme é ótimo? Já que ele possui tantos atributos ao seu favor? 

Leia mais...
 

Tragicomédia cheia de exageros (Sicko - SOS Saúde, 2007)

Michael Moore ganhou fama criticando a política norte-americana com ironia e agressividade em seus filmes. Na década de 1980, assumiu seu apoio à postura social-democrata e passou a cutucar empresários e políticos em produções de grande repercussão.

Em 2004, gerou polêmica com o lançamento do documentário anti-Bush Fahrenheit 11 de Setembro. Apesar de sua obra ter conquistado diversos prêmios importantes, o nome de Moore é muito mais lembrado como o de um inimigo dos Estados Unidos do que o de um cineasta.

Leia mais...
 

Um filme de e sobre cinema (Crepúsculo dos Deuses, 1950)

Um plano sequência percorre as ruas, apenas para os créditos. Poderiamos pensar que este plano foi apenas concebido para a abertura do filme e suas chancelas, mas após estas últimas vemos que ele tem relevância a história.

Carros policiais percorrem a Sunset Boulevard do título original com suas sirenes ligadas. Ocorreu um homício. Podemos definir isto só de ver o plano de Joe Gillis dentro da piscina, mas também ouvimos a narração do referido acontecido. Por conta disso é preciso notar como o filme foge do padrão naturalista tradicional.  

Leia mais...
 

A longínqua felicidade no universo das Paddys (Café da Manhã em Plutão, 2005)

Assim como em Tudo Sobre Minha Mãe (de Pedro Almodóvar, 1999), no qual a temática do homossexualismo é abordada ao mesmo tempo com meticulosidade e maestria, Café da Manhã em Plutão é um filme que enxerga o tema de uma forma semelhante, mas com um foco narrativo diferenciado, quase como um fábula.

A história leva a conhecimento do público a problemática vivida por tantas pessoas como Paddy, vítimas de si mesmos a ponto de não poderem mudar o que lhes foi imposto e a serem injustiçados por pessoas que lhes consideram anormais.

Leia mais...
 

Meu Tempo Não Parou: Amor no Tempos de AIDS (2008)

O documentário Meu Tempo não Parou: Amor em Tempos de Aids (Brasil, 65min, 2008) foi lançado no último dia 4 de julho na Sala Redenção da UFRGS. Projeto do Grupo Nuances, o filme é dirigido por Jair Giacomini e Silvio Barbizan e traz depoimentos de pessoas que acompanharam o aparecimento e a evolução, em Porto Alegre, da doença que já matou mais de 30 milhões de pessoas no mundo.

São sete personagens que viveram a juventude no início da década de 1980 na capital gaúcha: um ator, dois empresários, um ex-ativista, duas travestis e uma mulher. Eles contam como enfrentaram preconceitos e o que faziam para conhecer outras pessoas e, também, como foi que a Aids instalou o pânico e marcou essa geração. 

Leia mais...
 

O homem em seu estado mais bruto (Sob o Domínio do Medo, 1971)

“Straw dog” (título original de Sob o Dominio do Medo, de Sam Peckinpah) é um termo equivalente a bode expiatório: algo que serve de motivação aparente para o ser humano dar vazão a diversos tipos de emoções. Qual o menor denominador comum entre todos os homens? Qual é aquele ponto no qual nos despimos de toda sofisticação do homem moderno, e assumimos o que realmente somos?

Poucos filmes na história do cinema levantam essa questão de forma tão imparcial, direta e não-romantizada quanto esta obra-prima de Sam Peckinpah. 

Leia mais...
 

Decifrando a linguagem do espelho (O Espelho, 1975)

Diversão ou arte? Meio de expressão ou linguagem? A controvérsia existe e não há sinais de que possa ser resolvida. Contudo, uma coisa parece clara: o cinema é intersubjetivo. Cinema só pode existir na relação entre sujeitos – de um lado o autor, de outro o espectador.

Nesse espaço relacional, a realidade é duplamente mediada, seja pela intenção do autor, seja pela interpretação do espectador. Observando tal fenômeno, Pingaud afirma que um “filme parece condenado, seja à opacidade de um sentido rico, seja à clareza de um sentido pobre. Ou é símbolo, ou é enigma”.  

Leia mais...
 

Crônica de um verão francês (Crônica de Um Verão, 1961)

Marco histórico de uma inovação denominada “cinema verdade” pelos próprios diretores do filme, Crônica de um Verão, de Jean Rouch e Edgar Morin, assume a responsabilidade de marcar o início de uma década conturbada na França, e de explicitar a desilusão do povo francês no período.

O documentário parte de uma conversa informal dos diretores com uma garota francesa, na qual questiona-se a relação que essa jovem tem com a câmera, e se a mesma afetará ou não o seu comportamento durante a entrevista. Desde então, ela, que está na abertura do filme, é utilizada como entrevistadora, questionando a felicidade dos transeuntes que perambulam pelas ruas de Paris. 

Leia mais...
 

A graça está no desconforto (4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, 2007)

“Para mim é um pouco um conto de fadas”, declarou Christian Mungiu, diretor de 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, ao agradecer a conquista da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2007. Ironicamente, o filme que deu a Mungiu esta bela sensação é uma das obras mais cruas dos últimos anos, passando longe do que se poderia chamar de conto de fadas. Talvez aí, então, esteja a graça de separar a vida da arte – embora a película em questão seja tão real que, por vezes, esquecemos que estamos diante de uma obra de ficção. Paradoxos...

Leia mais...
 



Antes que a juventude acabe

 

Depois de uma bem sucedida trajetória no curta-metragem, Ana Luiza Azevedo finalmente lança seu primeiro longa com Antes que o Mundo Acabe, sensível retrato sobre a adolescência que atesta sua maturidade como realizadora

Roger Lerina*

Filmar jovens é um desafio que o cinema brasileiro aceitou enfrentar de maneira sistemática apenas recentemente. Se os filmes  voltados ao público infantil sempre fizeram parte do panorama de produção no país – com maior ou menor sucesso artístico e  comercial -, os títulos tendo no horizonte as plateias pré-adolescentes e adolescentes (grosso modo, entre 10 e 18 anos) são  ainda escassos em nossa cinematografia. Uma das razões disso é que o universo adolescente, diferentemente do infantil,  parece ser menos apreensível aos adultos – que são quem fazem os filmes – do que o infantil. A despeito das mudanças  culturais, sociais e morais que transcorrem entre a infância e a maturidade, há alguma coisa de essencial na forma lúdica com  que as crianças se relacionam com o mundo que resiste ao tempo, passível de ser expressa pelos adultos com razoável  credibilidade aos olhos infantis – ainda que muitas vezes essa comunicação possa ser meramente intuitiva ou pouco consciente.

Leia mais...