ACCIRS | Associação de Críticos de Cinema do RS

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte
Home Artigos Perfis
Perfis
Biografias e filmografias dos grandes nomes do cinema redigidas por associados da ACCIRS.

Revolução Tailandesa (sobre Apichatpong Weerasethakul)

O professor Armindo Trevisan, um dos nossos maiores especialistas em cultura oriental, é quem ensina: o primeiro passo para tentar entender a arte do Oriente é se despir despudoradamente das convicções e mesmo das experiências vivenciadas com a arte ocidental.

Só uma re-sensibilização plena pode nos indicar o caminho para a fruição da produção japonesa, chinesa ou coreana – cânones do Ocidente seguem princípios estéticos tão distintos que, em vez de servirem de guia, não passam de ruídos a atrapalhar o entendimento do público.

Leia mais...
 

O indiscreto charme de Claude Chabrol (1930-2010)

Por Adriano de Oliveira Pinto

O jornal francês Le Monde noticiou hoje (12/09/2010) o falecimento de um dos grandes cineastas europeus em atividade até então: Claude Chabrol, um mestre do cinema de mistério (“o Hitchcock francês”) e um grande satirizador da burguesia francesa.

Chabrol era formado em Letras, trabalhou no setor de imprensa da Twentieth Century Fox francesa e depois se tornou articulista na célebre publicação “Cahiers du Cinéma”em sua fase lendária. Foi ali que se gerou o embrião da nouvelle vague, da qual foi um de seus artífices, ao lado de colegas como Truffaut, Godard e Rivette. O movimento artístico veio a revolucionar o cinema na segunda metade do século passado.

Autor de mais de oitenta obras, entre cinema e TV, se mostrou prolífico o tempo todo, sendo o seu último filme lançado no Brasil em 2008: “Uma Garota Dividida em Dois”, com as belas Ludivine Sagnier e Mathilda May e a presença de Benoît Magimel no elenco. Magimel também esteve em um filme que Chabrol lançou nos anos 2000, o excelente “A Dama de Honra” (2004), onde Laura Smet brilha.

Leia mais...
 

Sobre a morte do poeta da incomunicabilidade (sobre Michelangelo Antonioni)

Duplo golpe do destino certa vez atingiu o cinema. Não bastasse o luto pela perda do grande cineasta existencialista Ingmar Bergman, no mesmo dia, 30 de julho de 2007, foi registrado o óbito do genial Michelangelo Antonioni, o poeta da incomunicabilidade.

Antonioni era economista de formação universitária, porém começou a se interessar por cinema a ponto de ingressar no Centro de Cinematografia Experimental da Cineccitá em Roma, onde estabeleceu contato com realizadores neo-realistas, o que influenciou seus primeiros trabalhos, como o curta Gente do Pó (1943).

Leia mais...
 

Estrada, solidão, música e Wim Wenders

Foi talvez no sábado seguinte ao 14 de agosto do seu décimo segundo aniversário, há 51 anos, que o menino Ernst Wilhelm, desde sempre apelidado Wim, fez seu primeiro filme. Revelado o conteúdo da câmara 16mm, o que mais intrigou o cirurgião Heinrich Wenders foi a absoluta falta de cortes.

Por três minutos, tudo que se via era a paisagem registrada desde um ângulo fixo na sacada de sua casa em Oberhausen, cidade pequena, sede do mais antigo festival de cinema da Alemanha.

Leia mais...
 

Alexander Kluge e as imagens da teoria

Foto: Regina SchmeckenAos 75 anos, o cineasta Alexander Kluge encaixa-se muito bem na expressão “músico para músicos”, que designa um compositor sem muito sucesso de público, mas bastante reconhecido entre seus pares – pelo menos em seu país. Essencialmente político e adepto do cinema de ensaio, seus filmes floresceram em meio à agitação dos anos 60, consolidaram-se na década seguinte e renderam ainda importantes prêmios em 1983, como o da Federação Internacional dos Críticos de Cinema (FIPRESCI) para O Poder dos Sentimentos (Die Macht der Gefühle), um ano após a consagração com o Leão de Ouro pelo conjunto da obra, também em Veneza. 

Leia mais...
 



Comida que tem poder (Estômago, 2007)

Entre os que devoram e são devorados no cotidiano do mundo, o personagem Raimundo Nonato, protagonista do filme Estômago, escolhe uma terceira via: cozinhar. Vivido brilhantemente pelo ator baiano João Miguel, o pobre retirante, chegado à cidade grande, encontra na cozinha de um boteco a possibilidade de começar a nova vida.

Não demora a perceber novas possibilidades e a ser percebido por quem capta a existência de dotes especiais em alguém. Começa uma série de situações, construindo um aprendizado, narrado com a visceralidade dramática do ator, no tom certo, mescla de ingenuidade, simplicidade e profundidade.

Leia mais...