
Ela não é exatamente linda – não daquela beleza que o cinema francês nos ensinou a enxergar nos rostos de Brigitte Bardot, Catherine Deneuve, Isabelle Adjani, Emmanuelle Béart. Tampouco emana o carisma evidente de outras divas de sua terra como Edith Piaf, Jeanne Moreau, Fanny Ardant. Mesmo assim, Isabelle Huppert é um dos maiores patrimônios culturais da França contemporânea – um tesouro nacional que a capital gaúcha vai recebe nesta semana: A atriz encerra a programação do 16º Porto Alegre Em Cena, subindo ao palco do Teatro do Sesi na quarta-feira e na quinta com a peça Quartett, versão do genial encenador americano Bob Wilson para o texto do alemão Heiner Müller – por sua vez, inspirado no romance epistolar Ligações Perigosas, do francês Choderlos de Laclos (os ingressos já estão esgotados).
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Sucesso literário. Fenômeno teatral. Qual o próximo passo? Conquistar os cinemas! E assim completa esta trajetória “Divã”, longa baseado no romance escrito por Martha Medeiros e que conta com a ótima Lília Cabral como protagonista, após milhares de livros vendidos, mais de 150 apresentações nos palcos de todo o país e cerca de 175 mil espectadores. Lília e Martha, portanto, estão bastante tranqüilas neste momento em que chegam à tela grande.
E com todo o direito – a impressão que temos é que este texto envolvente e tão inspirada atuação foram destinados ao glamour e ao conforto cinematográfico.
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Não estou falando de filmes pornôs, que estes todos nós sabemos que possuem um objetivo bastante determinado. Estou falando de cinema, de sétima arte. Tela grande comporta um bom casamento com sexo, desejo e prazer? Ou o melhor é a telinha pequena, no conforto da própria casa, em produções rápidas e próprias para o vídeo, sem muito cuidado, mas eficientes em provocar as reações almejadas? Tenho as minhas dúvidas.
Recentemente estreou no Brasil a produção nacional Entre Lençóis, de Gustavo Nieto Roa, que mostrava Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira pelados quase o filme inteiro, já que a história se passa inteiramente dentro de um quarto de motel. É para lá que os dois vão após se conhecerem numa boate qualquer.
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No início dos anos 80, não havia diretor mais incensado que o italiano Ettore Scola. Eu lembro bem, porque foi mais ou menos nessa mesma época que começou também minha conversão definitiva à cinefilia. Naquele tempo, Scola era um cineasta incontornável para qualquer cinéfilo que se prezasse.
Com apenas 17 anos, eu próprio já havia assistido a Nós que Nos Amávamos Tanto (C´Eravamo Tanto Amati, 1974), Um Dia Muito Especial (Una Giornata Particolare, 1977) e Casanova e a Revolução (La Nuit de Varennes, 1982), três carros-chefe da filmografia de Scola. O melhor, porém, estava por vir. Em 1983, Scola estrearia O Baile (Le Bal), filme sem diálogos, no qual várias décadas de história da França eram contadas por meio dos encontros e desencontros de um grupo de personagens em um salão de baile. Não havia como discordar dos críticos: Scola era um gênio da sétima arte e O Baile, uma obra-prima indiscutível.
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As extremidades marginais do cinema sempre existiram. Resistência à hegemonia do cinema americano e europeu, as cinematrografias periféricas, no entanto, só ganharam visibilidade e, eventualmente, alguma projeção, com as premiações em festivais de cinema como os de Cannes, Veneza, Berlim e Locarno, só para ficar entre os mais conhecidos, cujos programadores passaram a viajar um pouco mais longe em busca de novas linguagens, novas estéticas. Enfim, novos cinemas.
Independente do aval desses festivais, vários países mantêm produções constantes, com números, às vezes, significativamente altos, como é o caso da Índia.
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Temos em Alfred Hitchcock a criação do espetáculo para encarar o Horror, a Ameaça, que é insidiosa, e que vem, em Os Pássaros, da passagem metafórica de periquitos (Love Birds) para aves cada vez mais ameaçadoras, uma metamorfose, um translado, que finda com a plumagem da mais negra escuridão.
Numa palavra: o triunfo dos corvos. E dos corvos que dominam – cena final – todo o espaço do cenário, por extensão, da catástrofe, do mal, da destruição, dominando o mundo. Mas Hitchcock não é um homem que prega declaradamente o catastrofismo. Ele mostra o desastre envolto em cores palatáveis, a densa construção da arte em tempos do espetáculo; só que, para ele, o espetáculo assume a natureza crítica.
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A data para o bate-papo com o autor de mais de 50 peças, não poderia ser mais propícia: 27 de março, Dia Mundial do Teatro. No final da tarde da última quinta-feira, o dramaturgo, ator, diretor teatral, roteirista, cineasta, cantor e músico Domingos Oliveira conversou com Zero Hora no terraço de um hotel da Capital, ao lado de um piano e de costas para a tempestade que começava a se debruçar sobre a cidade.
“Só a arte salva”, ele assegura, com um copo de uísque cheio na mão, preparado por Priscilla Rozenbaum. “Coloquei água, tá, amor?”, avisa a companheira de Domingos há 26 anos e atriz de seus filmes e espetáculos. “São 17h, e hoje você ainda precisa dar aula”, ela justifica.
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Antes que você comece a ler este texto sobre o documentário A Ponte (The Bridge, EUA, 2006), inédito nos cinemas gaúchos e lançado diretamente em DVD, aviso: vou citar passagens que podem estragar o prazer cinematográfico de quem ainda não assistiu.
Se é que pode haver "prazer" em um filme sobre suicídio – e eis um dos tantos pontos polêmicos da estréia como diretor de Eric Steel, co-produtor de outros dois longas de temática mórbida, As Cinzas de Ângela (de Alan Parker) e Vivendo no Limite (de Martin Scorsese), ambos de 1999.
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Falar de Acossado, de Jean-Luc Godard, pressupõe um risco. Não só porque o filme foi um “divisor de águas” que marcou verdadeiramente a entrada do cinema no âmbito das narrativas da modernidade, mas também por ter sido uma das obras mais comentadas de todos os tempos.
O filme foi um dos primeiros da Nouvelle Vague, o movimento liderado por jovens críticos de cinema que escreviam na revista Cahiers du Cinema, encabeçada pelo notório André Bazin. Esses novos realizadores visavam, acima de tudo, a romper com as convenções instituídas por aquilo que eles chamavam de “o cinema do papai” (le cinema de papa), isto é, as produções insuportavelmente conservadoras do cinema francês e, de quebra, a estabelecer um contraponto estilístico ao cinema comercial produzido por Hollywood.
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Independente do que o futuro reserve ao Iraque, a incursão dos Estados Unidos será sempre lembrada no país pelos abusos infligidos aos prisioneiros iraquianos na penitenciária de Abu Ghraib, na periferia de Bagdá.
Através de entrevistas com aqueles guardas e alguns de seus superiores, o filme Standard Operating Procedures (em tradução aproximada, algo como “procedimentos operacionais padrões”) examina as fotos de iraquianos nus, com o rosto coberto por calcinhas e sutiãs, obrigados a compor situações embaraçosas com outros prisioneiros igualmente desmoralizados, e reconstitui o contexto daquela macabra luxúria militar. Mais do que falar sobre o caso, Errol Morris, autor do primeiro documentário a entrar na mostra competitiva em 58 anos do Festival do Cinema de Berlim, conversou com a imprensa sobre a própria natureza do filme documental.
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