Por Chico Izidro
A solidão numa grande metrópole como Buenos Aires foi muito bem analisada no romântico "Medianeras". O tema volta à tona, desta vez tendo uma velhinha solitária e um estudante de medicina azarado no melancólico "A Velha dos Fundos", direção de Pablo José Meza. O filme não é de fácil assimiliação. Nos primeiros 15 minutos, o silêncio só é quebrado pelo cantar de um canário. E vemos o cotidiano de Rosa (a excelente Adriana Aizemberg). Ela faz seu chá com leite, come uma bolacha, se arruma e sai. E assim repete-se todos os dias. No apartamento em frente mora Marcelo (Martín Piroyansky), estudante de medicina que ganha uns trocados distribuindo folhetos pelas movimentadas ruas de Buenos Aires. De um dia para o outro, Marcelo fica sem ter como pagar o aluguel e é despejado. O que resta é retornar para a casa dos pais, no interior. Até que a vizinha silenciosa vem em seu socorro. A proposta de Rosa é simples: Marcelo pode ficar no apartamento dela, sem pagar aluguel e comida, com uma condição: ele deve fazer companhia para ela. Estar lá todas as noites para conversar. Nem que seja por meia-hora. No começo tudo dá certo. E ele até arranja um interesse amoroso e um outro bico. Mas logo as coisas começam a degringolar, pois vão surgindo as diferenças irreconciliáveis de Rosa e Marcelo. E é interessante ver este embate entre os dois. Cujos interesses são distintos, a velha começa a tratar Marcelo às vezes como um filho, às vezes como um marido que não liga ao voltar para casa. "A Velha dos Fundos" trata da solidão, do desencanto por estes dias cruéis, em que cada um tem de se virar como pode, muitas vezes sem a ajuda do próximo. Os dois atores centrais, Adriana Aizemberg e Martín Piroyansky trabalham naturalmente e seus rostos, sofridos, são propícios para o tipo de trama a que se propõe o filme.
Willian Silveira
O Uruguai não está mais para coadjuvante. Seria esta a conclusão caso pudéssemos sintetizar a fala de cada um dos debatedores, profissionais do cinema e da imprensa, durante a 8ª edição do Piriapolis en Película. O festival que transcorreu no agradável balneário uruguaio durante os dias 5, 6 e 7 de agosto confirmou a suspeita levantada durante a última década por filmes como 25 Watts (Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll, 2001), Whisky (Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll, 2004), O Banheiro do Papa (César Charlone e Enrique Fernández, 2007) e Gigante (Adrián Biniez, 2009): o país não está mais para coadjuvante.
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Adriano de Oliveira Pinto
Contra o Tempo (Source Code, EUA, 2011) é daqueles filmes que começam ganhando o espectador. A sequência de abertura - usando planos gerais e regada pela música incidental de Chris Bacon a lembrar muito a do saudoso John Barry - nos dá um clima de tensão que desemboca na primeira cena pós-créditos iniciais apresentando um passageiro de trem (Jake Gyllenhaal) que desperta confuso em meio a uma viagem a Chicago: não sabendo porque está ali, também enfrenta problemas de identidade.
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Por Marcelo Portela
Belo Horizonte, 09 (AE) - O polêmico filme "A Serbian Film - Terror Sem Limites" está proibido em todos os cinemas brasileiros. A decisão é da Justiça Federal em Minas, que atendeu pedido da Procuradoria da República e concedeu liminar vetando a exibição do longa. A película já estava proibida no Rio de Janeiro e tinha estreia programada para o próximo dia 26 no resto do País.
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Seminário promovido durante o Festival de Gramado discutiu a censura no caso A Serbian Film
Por Ivonete Pinto
Na tarde deste sábado, 06, no 39° Festival de Cinema de Gramado, a ABRACCINE, em promoção com a Associação de Críticos de Cinema do RS, ACCIRS, realizou o seminário A censura voltou? O veto ao longa ”A Serbian Film” em questão.
O evento aconteceu no dia posterior à classificação do filme para 18 anos. A classificação foi assinada por um dos participantes da mesa, Davi Pires, diretor do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça. Pires fez a participação mais aguardada do seminário, justamente porque seria a oportunidade de se ouvir sobre os critérios que levam à classificação etária dos filmes.
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Por Ivonete Pinto
Nove em cada dez textos que têm Fernanda Montenegro como tema, lamentam a dificuldade que representa falar de um mito, de alguém cujo talento não cabe em adjetivos. Este texto não se furta a este lamento, mas opta então, sem o compromisso de dar conta de filmografia tão rica, falar apenas de alguns trabalhos da atriz. Um recorte injusto talvez, precário certamente, porém com o objetivo claro de, ao analisar alguns filmes, chamar a atenção do leitor para um talento duplo de Fernanda, aquele que diz de suas escolhas e de sua força em cena.
Mais do que carisma, Fernanda Montenegro possui uma força que se impõe, um ímã que atrai nosso olhar para uma espécie de epicentro que se estabelece no espaço ocupado por ela no quadro. E não importa com quem divida a cena, é para ela que olhamos. Não muitas atrizes no mundo têm esse poder, talvez uma Vanessa Redgrave, uma Anna Magnani, mas no caso delas, essa capacidade veio com o tempo, com o acúmulo de filmes. Diferente do caso de Fernanda. Já em A fFalecida (Leon Hirszman, 1965), seu filme de estreia, fazendo o papel de Zulmira, nosso interesse está no que ela diz, para onde ela olha, para a intenção de seus gestos, muito embora contracene com atores também carismáticos. Seria possível afirmar que, nela, a total consciência da própria presença no quadro, veio do palco do teatro, constituído naturalmente de uma moldura. Mas não convém esquecer que a dinâmica é outra: da projeção da voz ao tamanho do gesto, da intensidade do olhar à noção de timing de um plano, a atuação para cinema requer outras ferramentas, outros talentos.
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Ao resgatar a figura de Ida Dalser, primeira esposa do ditador fascista, Bellocchio propõe uma analogia entre a obsessão de uma mulher e a adoração de um povo
Flávio Guirland*
Marco Bellocchio teve uma estréia marcante no cinema, com I pugni in tasca (1965), “os punhos no bolso”, numa tradução livre, dirigido com apenas vinte e seis anos de idade. O filme chamou logo a atenção da crítica, por seu caráter provocador, e assim o foram muitas de suas obras seguintes, como China vizinha (1967) ou O monstro na primeira página (1972). Cineasta prolífico ao longo de seus quase cinquenta anos de carreira (são vinte e três filmes para o cinema, um para a TV, além de seis documentários), Bellocchio tem abordado, com frequência, assuntos relacionados à política ou a personagens da vida pública italiana. A sua inclinação por um cinema de tendência política (melhor seria dizer, por um cinema “politizado”), encontra um prosseguimento natural em Bom dia, noite (2004), sobre o rapto e execução do Primeiro Ministro Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas, e em Vincere (2009) que traz à tona um episódio há muito sepultado pela historiografia oficial peninsular: a vida de Ida Dalser, amante do jovem Benito Mussolini.
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A Fita Branca procura, numa remota aldeia alemã do início do século 20, uma explicação para as possíveis origens do sentimento totalitarista
Flávio Guirland *
Michael Haneke iniciou sua carreira na TV austríaca há mais de 30 anos, e hoje trabalha em vários países da Europa. Nesse meio tempo, consagrou-se através de uma obra prolífica são mais de 20 filmes como diretor, e outros tantos como roteirista. O motivo que o leva a filmar é quase sempre o mesmo: lançar um olhar crítico e nada lisonjeiro sobre a sociedade, moldada invariavelmente pelo desejo humano de poder, e o subsequente uso desse poder na submissão e humilhação alheias. Não, não poderíamos dizer que Haneke seja um otimista. É de sua autoria Violência Gratuita (Funny Games, 19971), cujo enredo trata de dois jovens psicopatas em uniformes de jogadores de tênis que tomam como refém, torturam e assassinam uma família burguesa em férias uma análise do exercício da violência como forma de entretenimento. É seu também A Professora de Piano (La Pianiste, 2001), sobre uma rígida professora de música com propensões ao sadomasoquismo e à automutilação. Assim como Le Temps du Loup (2003), fábula pós-apocalíptica que descreve um mundo quase desprovido de bondade humana, e Caché (2005), sobre um casal de classe alta parisiense que se vê envolvido num ambiente de desconfiança e paranóia quando começa a receber fitas de vídeo enviadas por um observador oculto.
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Depois de uma bem sucedida trajetória no curta-metragem, Ana Luiza Azevedo finalmente lança seu primeiro longa com Antes que o Mundo Acabe, sensível retrato sobre a adolescência que atesta sua maturidade como realizadora
Roger Lerina*
Filmar jovens é um desafio que o cinema brasileiro aceitou enfrentar de maneira sistemática apenas recentemente. Se os filmes voltados ao público infantil sempre fizeram parte do panorama de produção no país – com maior ou menor sucesso artístico e comercial -, os títulos tendo no horizonte as plateias pré-adolescentes e adolescentes (grosso modo, entre 10 e 18 anos) são ainda escassos em nossa cinematografia. Uma das razões disso é que o universo adolescente, diferentemente do infantil, parece ser menos apreensível aos adultos – que são quem fazem os filmes – do que o infantil. A despeito das mudanças culturais, sociais e morais que transcorrem entre a infância e a maturidade, há alguma coisa de essencial na forma lúdica com que as crianças se relacionam com o mundo que resiste ao tempo, passível de ser expressa pelos adultos com razoável credibilidade aos olhos infantis – ainda que muitas vezes essa comunicação possa ser meramente intuitiva ou pouco consciente.
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O retorno de Sam Raimi ao cinema de horror, depois de mais de 20 anos fazendo filmes ‘sérios’ e comerciais, é uma ótima notícia aos fãs do gênero. Quer dizer que o mestre voltou ao seu posto, e está mostrando aos discípulos como se faz. Por mais que nunca tenha se afastado totalmente do cinema fantástico, Raimi não fazia um filme de horror ‘puro’, sem crossovers (misturas com outros gêneros), desde ‘Uma Noite Alucinante’, de 1987. A dúvida entre seus fãs era simples: será que ele ainda tem o toque que o diferenciava entre os outros diretores do gênero?
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