ACCIRS | Associação de Críticos de Cinema do RS

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Artigos Inéditos

Textos de associados da ACCIRS e de convidados da entidade que foram escritos exclusivamente para publicação no site da associação



Arraste-me para o Inferno (2009)

O retorno de Sam Raimi ao cinema de horror, depois de mais de 20 anos fazendo filmes ‘sérios’ e comerciais, é uma ótima notícia aos fãs do gênero. Quer dizer que o mestre voltou ao seu posto, e está mostrando aos discípulos como se faz.

Por mais que nunca tenha se afastado totalmente do cinema fantástico, Raimi não fazia um filme de horror ‘puro’, sem crossovers (misturas com outros gêneros), desde ‘Uma Noite Alucinante’, de 1987. A dúvida entre seus fãs era simples: será que ele ainda tem o toque que o diferenciava entre os outros diretores do gênero?

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CARTA ABERTA AOS RESPONSÁVEIS PELA PROJEÇÃO DIGITAL NO BRASIL

A ACCIRS divulga, a seguir, a carta aberta redigida pelo crítico Pedro Butcher a respeito da precariedade das projeções digitais do sistema Rain nos cinemas brasileiros. O documento foi redigido após as sessões do Festival do Rio 2009, neste mês de outubro, e conta com o apoio da ACCIRS em sua intenção de reivindicar maior qualidade de exibição dos filmes nos festivais brasileiros e no próprio circuito das salas que aderem ao sistema.

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Juizo Final (2009)

Primeiro filme de grande orçamento dirigido por Neil Marshall, famoso pelos modestos (em termo de orçamento) ‘Dog Soldiers’ e ‘Abismo do Medo’, ‘Juízo Final’ parece um ‘melhores momentos’ dos grandes filmes de ação dos anos 80: é uma alucinada mistura de ‘Fuga de Nova York’, ‘Mad Max’ (principalmente o segundo), ‘Warriors’ e ‘Excalibur’, com direito a zumbis. Não é a coisa mais original do mundo, mas seria uma ‘Sessão das Dez’ (já que eles passavam no SBT) das mais divertidas.

Em um  futuro não muito distante a Escócia é contaminada por um vírus, e precisa ficar isolada do mundo por um muro. Anos depois, quando se pensa que a ameaça passou, o tal vírus reaparece em Londres, e os cientistas mandam uma equipe para dentro do muro investigar se há cura para a tal infestação, que é atacada pelos sobreviventes. Perseguidos por gangues de canibais e mutantes, eles devem descobrir alguém lá dentro imune ao tal vírus, e assim obter a desejada cura para a infecção que pode acabar com o mundo. 

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O cinema brasileiro no XXVII Festival Internacional Cinematográfico do Uruguai

Mesmo não sendo tão conhecido ou não tendo o mesmo glamour de festivais brasileiros como os de Gramado, São Paulo ou Rio de Janeiro, o Festival Internacional Cinematográfico do Uruguai, que ocorre anualmente em Montevidéu, é um prato cheio para os apreciadores de cinema.

Na média, o evento costuma exibir mais de 100 longas metragens e centenas de curtas em um período de 15 dias. São produções que vem de diversos países, mas o que torna ainda mais atrativo o festival é fato de que a maioria esmagadora dessas obras dificilmente chega a ser exibida no circuito comercial brasileiro. 

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Fantasma Technicolor (Fantasma da Ópera, 1943)

Originalmente publicado em 1911 pelo escritor francês Gaston Leroux, o tétrico romance O Fantasma da Ópera tornou-se um inesperado sucesso ao cativar o público com sua trama macabra e folhetinesca. O êxito literário fez com que a história fosse transposta para o cinema pela primeira vez em 1925, e a triste figura do músico virtuoso transformado numa figura grotesca e amargurada, que guiada por suas obsessões vaga pelos subterrâneos da Ópera de Paris em busca de vingança, acabou eternizada através da interpretação de Lon Chaney, também conhecido como O Homem das Mil Faces.

O Fantasma da Ópera, dirigido por Rupert Julian, tornou-se não apenas um ícone do cinema mudo, mas um dos mais influentes filmes de horror da história, e grande parte deste mérito se deve a marcante caracterização de Chaney.

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Dois documentários musicais e a recuperação da cultura brasileira (sobre Cantoras de Rádio e Wilson Simonal...)

É tema recorrente em cadernos culturais brasileiros a questão da nossa falta de memória cultural, no sentido de que não valorizamos o patrimônio artístico do passado, relegando o mesmo a um tenebroso esquecimento.

No meu entendimento, esse tipo de taxação costuma ser exageradamente apocalíptica. Não que não tenha algo de realmente verdadeiro na afirmação, afinal, como já dizia o historiador Eric Hobsbawm no brilhante livro A Era dos Extremos, para boa parte das pessoas os anos 60 do século XX já são a pré-história. 

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Em busca do olhar perdido (Um Olhar a Cada Dia, 1995).

Uma lacuna existente no meio cinéfilo brasileiro foi recentemente preenchida através do selo maranhense da Lume Filmes: desde há algumas poucas semanas, o lançamento nacional em DVD do filme Um Olhar a Cada Dia (To Vlemma tou Odyssea, Grécia e outros países, 1995), de Theodoros Angelopoulos, vem para nos deleitar e ao mesmo tempo nos fazer pensar.

O homem evolui no período que separa os dois extremos de um mesmo século? Se a sua resposta é "sim", saiba que Theo (como é carinhosamente chamado esse realizador) pode achar nem óbvia, nem absoluta, tal asserção.

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Uma análise dos planos físicos e imateriais da realidade (Donnie Darko, 2001)

Em 2001, o diretor estreante Richard Kelly, juntou um elenco de grandes talentos, com talentos promissores, em uma produção independente que tinha como grande trunfo um roteiro difícil e intrigante. O filme contava com a força da produtora Drew Barrymore, atriz famosa desde os anos 80 e que aceitou investir na produção, desde que pudesse fazer uma ponta. Com uma cifra ínfima de 4 milhões de dólares, Donnie Darko foi lançado diretamente em DVD, onde tornou-se, quase de maneira instantânea, um fenômeno cult.

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Holly Vs. Bolly (Quem Quer Ser Um Milionário, 2008)

Holly Vs. Bolly, ou Por que está na Índia a salvação para o Oscar.

Desde 2004, quando o fantástico Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei foi escolhido como melhor filme do ano, tendo sido premiado em todas as 11 categorias a que concorria, nenhuma produção repetia tal performance como Quem Quer Ser um Milionário?, que no último dia 22 de fevereiro arrebatou oito das nove estatuetas a que fora indicado.

E por que foi preciso que um longa pequeno, independente, relativamente barato e sem nenhum nome minimamente conhecido no elenco arrebatasse a atenção e a preferência de todos dessa maneira?

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A feminilização das culpas da guerra (O Leitor, 2008).

O Leitor é aquele tipo de adaptação cinematográfica que reverencia a excelência do livro original. Der Vorleser, escrito em 1995 pelo jurista alemão Bernard Schlink, alcançou o topo da lista dos mais vendidos do jornal New York Times. O filme do diretor Stephen Daldry mantém uma característica rara dessa obra traduzida em 39 línguas e premiada na Itália, França e Japão: as das histórias que informam mais sobre o contexto histórico, no caso a reconstrução do caráter nacional alemão após o genocídio de milhões de judeus, exatamente quando seus protagonistas silenciam. Aqueles que falam, relevam mais sobre seus contemporâneos do que sobre si próprios.

O Leitor é aquele tipo de adaptação cinematográfica que reverencia a excelência do livro original.

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Bolt: a Disney com a cara da Pixar (Bolt - Supercão, 2008)

Em 1937, o primeiro longa-metragem de animação do mundo, Branca de Neve e os Sete Anões, mostrou uma nova dimensão de entretenimento possível. Com esmero de inúmeros artistas, o roteiro tinha a difícil tarefa de não apenas impressionar visualmente, como entreter o público infantil e adulto de forma convincente. Ali, firmou-se o estilo Disney de animação. Narrativas simples para toda a família, com lições de moral e excelente qualidade gráfica. Esse legado manteve-se forte durante quase meio século. Foi há pouco mais de uma década que algo parece ter saído do controle. 

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3D - Ver para crer

O meu velho interesse por novas tecnologias cruzou com a missão profissional em recentes reportagens sobre o cinema em 3D para o jornal Zero Hora. Poupando descrições técnicas sobre o que é e como funciona a esteresocopia – o nome sério do processo – e abastecido de informações coletadas com exibidores, distribuidores e especialistas na criação de imagens tridimensionais, deu para ver que, como em quase tudo na vida, a verdade nesta empolgação toda que cerca o tema está no meio termo.

De fato, a nova tentativa de ressuscitar e fazer emplacar o cinema 3D se mostra bem mais convincente do que as incursões anteriores, tamanho tem sido o entusiasmo daqueles que já viveram a experiência sensorial diante de filmes como o recente Viagem ao Centro da Terra – o primeiro live action produzido sob os novos padrões tecnológicos. Mas daí a achar que o futuro ao 3D pertence é bem diferente, já que não é todo filme que ganha interesse extra com a projeção tridimensional. A revolução que graúdos de Hollywood, como Jeffrey Katzenberg, da DreamWorks, dizem ser a mais importante desde que o cinema começou a falar, no final dos anos 1920, seria a carta na manga direcionada para um tipo de produção específica, a que visa platéias gigantes e ajuda a manter as contas dos grandes estúdios no verde.

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