A ACCIRS divulga, a seguir, a carta aberta redigida pelo crítico Pedro Butcher a respeito da precariedade das projeções digitais do sistema Rain nos cinemas brasileiros. O documento foi redigido após as sessões do Festival do Rio 2009, neste mês de outubro, e conta com o apoio da ACCIRS em sua intenção de reivindicar maior qualidade de exibição dos filmes nos festivais brasileiros e no próprio circuito das salas que aderem ao sistema.
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Primeiro filme de grande orçamento dirigido por Neil Marshall, famoso pelos modestos (em termo de orçamento) ‘Dog Soldiers’ e ‘Abismo do Medo’, ‘Juízo Final’ parece um ‘melhores momentos’ dos grandes filmes de ação dos anos 80: é uma alucinada mistura de ‘Fuga de Nova York’, ‘Mad Max’ (principalmente o segundo), ‘Warriors’ e ‘Excalibur’, com direito a zumbis. Não é a coisa mais original do mundo, mas seria uma ‘Sessão das Dez’ (já que eles passavam no SBT) das mais divertidas. Em um futuro não muito distante a Escócia é contaminada por um vírus, e precisa ficar isolada do mundo por um muro. Anos depois, quando se pensa que a ameaça passou, o tal vírus reaparece em Londres, e os cientistas mandam uma equipe para dentro do muro investigar se há cura para a tal infestação, que é atacada pelos sobreviventes. Perseguidos por gangues de canibais e mutantes, eles devem descobrir alguém lá dentro imune ao tal vírus, e assim obter a desejada cura para a infecção que pode acabar com o mundo.
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Mesmo não sendo tão conhecido ou não tendo o mesmo glamour de festivais brasileiros como os de Gramado, São Paulo ou Rio de Janeiro, o Festival Internacional Cinematográfico do Uruguai, que ocorre anualmente em Montevidéu, é um prato cheio para os apreciadores de cinema. Na média, o evento costuma exibir mais de 100 longas metragens e centenas de curtas em um período de 15 dias. São produções que vem de diversos países, mas o que torna ainda mais atrativo o festival é fato de que a maioria esmagadora dessas obras dificilmente chega a ser exibida no circuito comercial brasileiro.
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Originalmente publicado em 1911 pelo escritor francês Gaston Leroux, o tétrico romance O Fantasma da Ópera tornou-se um inesperado sucesso ao cativar o público com sua trama macabra e folhetinesca. O êxito literário fez com que a história fosse transposta para o cinema pela primeira vez em 1925, e a triste figura do músico virtuoso transformado numa figura grotesca e amargurada, que guiada por suas obsessões vaga pelos subterrâneos da Ópera de Paris em busca de vingança, acabou eternizada através da interpretação de Lon Chaney, também conhecido como O Homem das Mil Faces.
O Fantasma da Ópera, dirigido por Rupert Julian, tornou-se não apenas um ícone do cinema mudo, mas um dos mais influentes filmes de horror da história, e grande parte deste mérito se deve a marcante caracterização de Chaney.
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É tema recorrente em cadernos culturais brasileiros a questão da nossa falta de memória cultural, no sentido de que não valorizamos o patrimônio artístico do passado, relegando o mesmo a um tenebroso esquecimento. No meu entendimento, esse tipo de taxação costuma ser exageradamente apocalíptica. Não que não tenha algo de realmente verdadeiro na afirmação, afinal, como já dizia o historiador Eric Hobsbawm no brilhante livro A Era dos Extremos, para boa parte das pessoas os anos 60 do século XX já são a pré-história.
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Uma lacuna existente no meio cinéfilo brasileiro foi recentemente preenchida através do selo maranhense da Lume Filmes: desde há algumas poucas semanas, o lançamento nacional em DVD do filme Um Olhar a Cada Dia (To Vlemma tou Odyssea, Grécia e outros países, 1995), de Theodoros Angelopoulos, vem para nos deleitar e ao mesmo tempo nos fazer pensar.
O homem evolui no período que separa os dois extremos de um mesmo século? Se a sua resposta é "sim", saiba que Theo (como é carinhosamente chamado esse realizador) pode achar nem óbvia, nem absoluta, tal asserção.
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Em 2001, o diretor estreante Richard Kelly, juntou um elenco de grandes talentos, com talentos promissores, em uma produção independente que tinha como grande trunfo um roteiro difícil e intrigante. O filme contava com a força da produtora Drew Barrymore, atriz famosa desde os anos 80 e que aceitou investir na produção, desde que pudesse fazer uma ponta. Com uma cifra ínfima de 4 milhões de dólares, Donnie Darko foi lançado diretamente em DVD, onde tornou-se, quase de maneira instantânea, um fenômeno cult.
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Holly Vs. Bolly, ou Por que está na Índia a salvação para o Oscar.
Desde 2004, quando o fantástico Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei foi escolhido como melhor filme do ano, tendo sido premiado em todas as 11 categorias a que concorria, nenhuma produção repetia tal performance como Quem Quer Ser um Milionário?, que no último dia 22 de fevereiro arrebatou oito das nove estatuetas a que fora indicado. E por que foi preciso que um longa pequeno, independente, relativamente barato e sem nenhum nome minimamente conhecido no elenco arrebatasse a atenção e a preferência de todos dessa maneira?
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O Leitor é aquele tipo de adaptação cinematográfica que reverencia a excelência do livro original. Der Vorleser, escrito em 1995 pelo jurista alemão Bernard Schlink, alcançou o topo da lista dos mais vendidos do jornal New York Times. O filme do diretor Stephen Daldry mantém uma característica rara dessa obra traduzida em 39 línguas e premiada na Itália, França e Japão: as das histórias que informam mais sobre o contexto histórico, no caso a reconstrução do caráter nacional alemão após o genocídio de milhões de judeus, exatamente quando seus protagonistas silenciam. Aqueles que falam, relevam mais sobre seus contemporâneos do que sobre si próprios.
O Leitor é aquele tipo de adaptação cinematográfica que reverencia a excelência do livro original.
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Em 1937, o primeiro longa-metragem de animação do mundo, Branca de Neve e os Sete Anões, mostrou uma nova dimensão de entretenimento possível. Com esmero de inúmeros artistas, o roteiro tinha a difícil tarefa de não apenas impressionar visualmente, como entreter o público infantil e adulto de forma convincente. Ali, firmou-se o estilo Disney de animação. Narrativas simples para toda a família, com lições de moral e excelente qualidade gráfica. Esse legado manteve-se forte durante quase meio século. Foi há pouco mais de uma década que algo parece ter saído do controle.
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