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Home Inéditos Navarone, Grécia (Os Canhões de Navarone, 1961)

Navarone, Grécia (Os Canhões de Navarone, 1961)

por Adriano de Oliveira Pinto

Os Canhões de NavaroneA Segunda Guerra Mundial tendo a Grécia por palco foi tema de alguns poucos filmes hollywoodianos, sendo o mais recente deles O Capitão Corelli (2001), um fracasso. Dirigido por John Madden (de Shakespeare Apaixonado) e estrelado por Nicolas Cage, Penelope Cruz e John Hurt, é o tipo de película que fica na lembrança de modo positivo por um único aspecto e nada mais – no caso, uma emocionante e bem-filmada cena de execução de soldados... e só. Não melhor, o descoladinho (mas sem graça) Fuga para Atenas (1979), conduzido pelo descendente de gregos George Pan Cosmatos, contando com Roger Moore, David Niven, Claudia Cardinale e Telly Savalas no elenco, também não é bom exemplo, se salvando apenas a sua boa fotografia aérea e o plano-seqüência que abre o filme. Ainda bem que nos resta a nostalgia de Os Canhões de Navarone (1961), este sim, um clássico dos war movies.

Diversamente de seus congêneres, o filme de 1961 é sério, sem concessões para romances ou piadinhas, como se esperaria de uma adaptação de um livro de Alistair MacLean (do autor escocês, vieram os belos filmes O Desafio das Águias, uma obra-prima dos thrillers de guerra, e Estação Polar Zebra, ambos de 1968). A trama se passa em solo helênico, em 1943. Dois mil soldados do exército britânico estão isolados na ilha de Kheros e precisam sair de lá antes de uma manobra de demonstração de força bélica nazista que se dará no local, a fim de convencer a vizinha Turquia a se associar ao Eixo. A fuga dos soldados está impedida, pois sua rota de escape coincide com uma passagem naval por Navarone, uma ilha dominada por alemães e dotada de uma fortaleza com dois poderosos canhões em uma parede de rochedo a espantar qualquer tentativa de navegação inimiga por aquelas águas do Mar Egeu. Cabe então a um pequeno grupo de aliados e rebeldes locais destruir a imponente arma inimiga para permitir que o resgate dos britânicos seja efetivado.

O bom e portentoso elenco colabora muito para o sucesso da película. O respeitável Gregory Peck, o satírico David Niven e o versátil Anthony Quinn se uniram a Irene Papas, Stanley Baker e Anthony Quayle, inclusive com uma breve participação de Richard Harris. Um destaque pertence aos efeitos sonoros: além do filme ser muito barulhento quando se propõe, sabe também dar valor a detalhes do som, algo atualmente comum, mas não tanto em vigor quando da época. A direção de J. Lee Thompson (o único diretor com quem Charles Bronson topou filmar durante um bom tempo) é eficiente, sendo indicado à época ao Oscar pelo trabalho. Curiosamente, os efeitos visuais de Navarone, hoje ultrapassados e até cômicos se vistos a olhos modernos – basta apenas lembrar do uso irregular e muitas vezes inconvincente do recurso da “noite americana” –, foram premiados pela Academia de Hollywood. No entanto, por sua qualidade, a cena da explosão da fortaleza se tornou antológica, o que inclui a célebre seqüência mostrando a derrocada dos canhões do título, gigantes da artilharia se precipitando ao mar.

Em 1978, foi realizada uma seqüência do filme original de Thompson: Comando 10 de Navarone, de Guy Hamilton, o qual era ambientado... na Iugoslávia! Com Robert Shaw vindo do recente sucesso de Tubarão (1975), um jovem Harrison Ford emergindo de sua consagração em Star Wars: Uma Nova Esperança (1977) e uma cena com Barbara Bach se banhando em uma tina (uau!), não obteve o sucesso de seu “predecessor”. E nem poderia – mesmo com um elenco de exitosos –, dadas as suas menores pretensões para a grandeza e por uma surpreendente falta de seriedade que chega a incomodar o espectador.

Filme de guerra para valer em terras espartanas, até o momento, só tem um.

Os Canhões de Navarone (The Guns of Navarone)
Direção: J. Lee Thompson
Roteiro: Carl Foreman
Com: Gregory Peck, David Niven, Anthony Quinn, James Darren, Irene Papas, Gia Scala, Stanley Baker, Anthony Quayle, Richard Harris.
País: EUA/Inglaterra
Ano de lançamento: 1961
Disponível em DVD no Brasil
Duração: 158 minutos


 

 

O lado trágico (Do Outro Lado, 2008)

O jovem alemão de ascendência turca Fatih Akin participou de 12 filmes como ator, mas ultimamente vem se destacando na cadeira de diretor, tendo vencido o Urso de Ouro em Berlim pelo drama Contra a Parede (Gegen die Wand, 2004) e, de modo mais recente, foi laureado com o prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes retrasado por Do Outro Lado (Auf der Anderen Seite, 2007).

A justificativa para tal honraria a este filme do ano passado, somente agora exibido em nossos cinemas, floresce à mente e ao coração ao assisti-lo: trata-se de uma imitação da vida, construída com a idêntica ardilosidade pela qual usualmente o destino nos prega peças.

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