ACCIRS | Associação de Críticos de Cinema do RS

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte
Home Institucional A ACCIRS
A ACCIRS

O que é a crítica? Crítica é a informação, a análise e o julgamento de uma obra artística; exercer a crítica é detectar qual era o objetivo do realizador e se este foi alcançado; é analisar o filme com as ferramentas da teoria do cinema e da experiência da vida.

São múltiplas as definições de crítica, entre as quais poderíamos ainda agregar o termo “dialogar”, pois um texto também dialoga com a obra tratada. Se praticada em mídia diária ou semanal, resulta num serviço prestado ao leitor; se dirigida a iniciados, como nas publicações segmentadas, resulta também num incitamento à reflexão. Aliás, a reflexão é um dos eixos que o cinema desenvolve no Rio Grande do Sul desde, pelo menos, 1948, quando foi fundado o Clube de Cinema de Porto Alegre. Iniciativa de Paulo Fontoura Gastal que completa 60 anos em plena atividade.

O cineclubismo, com a exibição e a discussão sistemática de filmes, sem dúvida, contribuiu para que gerações de cineastas viessem a surgir e fossem responsáveis por colocar o Estado na posição de terceiro pólo de produção nacional. Conforme dados da Fundação de Cinema do RS – Fundacine, nos últimos cinco anos, o cinema gaúcho movimentou em seus orçamentos de produção mais de R$ 62 milhões, entre médias, curtas e longas-metragens (valor que não inclui o mercado publicitário nem a produção televisiva local). Atualmente, cerca de dez longas estão em fase de produção. Na esteira desta condição, quatro cursos de graduação em cinema preparam para o mercado novos profissionais (Unisinos, PUC, Ulbra e Universidade Federal de Pelotas).

E é neste contexto, do qual não podemos também esquecer o papel das 36 edições do Festival de Cinema de Gramado, que resolvemos criar a ACCIRS – Associação de Críticos de Cinema do RS. Fundada em março de 2008, é a segunda associação exclusiva de críticos de cinema existente no país (a primeira é do Rio de Janeiro). Poderíamos ter sido pioneiros, já que a vontade de criar uma entidade com este fim vem desde 1960, quando houve uma tentativa de mobilização (chegou a acontecer uma reunião no antigo Instituto Goethe, que ficava no centro de Porto Alegre) que, por alguma razão, acabou não vingando. A explicação para o fato de termos conseguido agora, além do referido cenário, certamente tem a ver com os crescentes espaços dedicados ao cinema na internet. Sites e blogs fazem surgir comentaristas de última hora, cinéfilos com textos rasteiros, mas também são incubadoras de um novo grupo de críticos. Além do mais, propiciam o exercício da crítica de forma direta e sem maiores limitações de tamanho, problema que as publicações impressas cada vez enfrentam mais.

A internet, por sinal, é o meio ideal para a ACCIRS apresentar o trabalho de seus associados, que de início já são mais de 30, e de dar espaço para estudantes de cinema e jornalismo que se propõem a analisar filmes com seriedade. Portanto, o site da ACCIRS é o retrato desta entidade que nasce na era digital, sintonizada na velocidade e na pluralidade do meio eletrônico. É nele também que podemos rever textos que merecem outra chance de ser lidos, por isso criamos a seção Revendo. E é por reconhecermos a importância de gerações passadas que lançamos a seção Memória da Crítica, para homenagear críticos gaúchos que contribuíram para a formação de inúmeros cinéfilos (o site conta ainda com a seção Futuro da Crítica, dedicada à publicação de artigos escritos por alunos de cinema dos cursos das universidades gaúchas).

Nosso primeiro homenageado na seção Memória da Crítica é Luiz Fernando Becker, o Tuio Becker, que nos deixou em abril deste ano e tem seu perfil traçado por Hiron Goidanich, o Goida. Um decano que, todos sabem, não usa computador (seu texto foi digitado por um discípulo), mas convive com pessoas que se alfabetizaram no computador. O cinema, de todas as épocas, de todos os gêneros e línguas, une estas gerações. A ACCIRS veio para divulgar o que estes críticos pensam e, assim, dar um empurrãozinho para que mais espectadores possam ir além do “gostei versus não gostei”.

Ivonete Pinto
Editora

 

O segredo de Mussolini

Ao resgatar a figura de Ida Dalser, primeira esposa do ditador fascista, Bellocchio propõe uma analogia entre a obsessão de uma mulher e a adoração de um povo

Flávio Guirland*

Marco Bellocchio teve uma estréia marcante no cinema, com I pugni in tasca (1965), “os punhos no bolso”, numa tradução livre, dirigido com apenas vinte e seis anos de idade. O filme chamou logo a atenção da crítica, por seu caráter provocador, e assim o foram muitas de suas obras seguintes, como China vizinha (1967) ou O monstro na primeira página (1972). Cineasta prolífico ao longo de seus quase cinquenta anos de carreira (são vinte e três filmes para o cinema, um para a TV, além de seis documentários), Bellocchio tem abordado, com frequência, assuntos relacionados à política ou a personagens da vida pública italiana. A sua inclinação por um cinema de tendência política (melhor seria dizer, por um cinema “politizado”), encontra um prosseguimento natural em Bom dia, noite (2004), sobre o rapto e execução do Primeiro Ministro Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas, e em Vincere (2009) que traz à tona um episódio há muito sepultado pela historiografia oficial peninsular: a vida de Ida Dalser, amante do jovem Benito Mussolini.

Leia mais...