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Crítico

Por Rodrigo de Oliveira

Não é necessário ser crítico de cinema para apreciar o bom trabalho do colega de profissão Kleber Mendonça Filho no longa-metragem Crítico. Basta o espectador ter um pequeno interesse pelo trabalho, já ter lido alguma coisa a respeito ou ao menos ter a opinião forte sobre um filme que o valha. Isso será ferramenta suficiente para que ele saia do cinema entendendo um pouco mais esta profissão tão prazerosa de se fazer, mas ao mesmo tempo, tão incompreendida.

Um crítico de cinema é um cinéfilo, em primeiro lugar – ou deveria ser. Uma pessoa que ama a sétima arte e deseja dedicar seu tempo a entendê-la, destrinchá-la, dissecá-la. O seu trabalho é fazer o meio de campo entre a obra audiovisual e o público. Seja divulgando uma produção, através de uma resenha, seja a criticando, através de um texto opinativo, seja a traduzindo, através de um texto analítico. São várias as funções de um crítico de cinema. Inclusive escutar pacientemente as críticas sobre as suas críticas, que não raro aparecem. É a pedra e a vidraça ao mesmo tempo.

Notando isso, Kleber Mendonça Filho (que também é realizador, além de crítico) rodou os festivais mais importantes do mundo e coletou um material riquíssimo para instigar profissionais da área a falarem sobre a crítica. Nestes depoimentos, temos a presença de diretores como Gus Van Sant (de O Segredo de Brokeback Mountain), Tom Tykwer (de Corra Lola Corra), Eduardo Coutinho (de Jogo de Cena), Walter Salles (de Central do Brasil), Fernando Meirelles (de Cidade de Deus) e um sem número de profissionais da crítica que dão seu testemunho de como pensam seu trabalho.

O que é mais interessante no longa-metragem é o fato de não tentar apresentar uma resposta definitiva sobre a questão maior do filme. Cada um tem uma opinião formada sobre a crítica, da mesma forma que cada um tem uma forma de reagir quando recebe uma resposta indesejada dos profissionais da área ou do próprio público. O fato é que a pluralidade de vozes contida em Crítico deixa muito pano para manga para discussões a cerca do assunto. É possível se identificar com aquele cineasta que não consegue ler nada a seu respeito. Ou talvez com aquele outro, que pensa que todos os críticos são frustrados com a vida e ficam felicíssimos quando seu filme não é bom.

Mendonça Filho tem uma invejável lista de entrevistados famosos, que podem chamar a atenção em um primeiro momento. Mas não dá para esquecer os depoimentos dos críticos, que dão uma luz bastante honesta sobre sua profissão. Alguns afirmam nem sempre terem o que dizer sobre um filme (verdade, algumas produções nem dão muitos subsídios para tanto ou simplesmente o crítico não tem o que acrescentar), outros afirmam ser mais difícil escrever sobre algo que realmente gostaram (outro fato. Demorei semanas para falar sobre Batman Begins porque não conseguia encontrar palavras para expressar minha admiração pelo longa-metragem. Em contra-partida, teci comentários sobre o bizonho Missão Babilônia em minutos). Essas entre outras tantas verdades sobre a profissão são comentadas ao longo da projeção de maneira bastante franca.

Claro que não poderei deixar de fazer críticas negativas à Crítico pela forma. O conteúdo é irretocável, mas a qualidade de imagem e som deixa a desejar em vários momentos. Compreensível, lógico, visto que o cineasta teve de andar com uma câmera não profissional para lá e para cá em festivais por 8 anos para capturar todo aquele material. Também não achei muito inspirado o uso de imagens de arquivo para ilustrar algumas passagens do filme. Nunca apareciam de forma orgânica dentro do longa-metragem. São dois pequenos poréns que constatei ao assistir ao longa-metragem de estreia de Kleber Mendonça Filho. Nada que vá estragar a experiência de assistir a uma produção que coloca a crítica no foco e mostra os sentimentos de amor e ódio por parte dos cineastas e profissionais da área opinativa.

 

3D - Ver para crer

O meu velho interesse por novas tecnologias cruzou com a missão profissional em recentes reportagens sobre o cinema em 3D para o jornal Zero Hora. Poupando descrições técnicas sobre o que é e como funciona a esteresocopia – o nome sério do processo – e abastecido de informações coletadas com exibidores, distribuidores e especialistas na criação de imagens tridimensionais, deu para ver que, como em quase tudo na vida, a verdade nesta empolgação toda que cerca o tema está no meio termo.

De fato, a nova tentativa de ressuscitar e fazer emplacar o cinema 3D se mostra bem mais convincente do que as incursões anteriores, tamanho tem sido o entusiasmo daqueles que já viveram a experiência sensorial diante de filmes como o recente Viagem ao Centro da Terra – o primeiro live action produzido sob os novos padrões tecnológicos. Mas daí a achar que o futuro ao 3D pertence é bem diferente, já que não é todo filme que ganha interesse extra com a projeção tridimensional. A revolução que graúdos de Hollywood, como Jeffrey Katzenberg, da DreamWorks, dizem ser a mais importante desde que o cinema começou a falar, no final dos anos 1920, seria a carta na manga direcionada para um tipo de produção específica, a que visa platéias gigantes e ajuda a manter as contas dos grandes estúdios no verde.

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