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Juizo Final (2009)

por Carlos Thomaz Albornoz

Primeiro filme de grande orçamento dirigido por Neil Marshall, famoso pelos modestos (em termo de orçamento) ‘Dog Soldiers’ e ‘Abismo do Medo’, ‘Juízo Final’ parece um ‘melhores momentos’ dos grandes filmes de ação dos anos 80: é uma alucinada mistura de ‘Fuga de Nova York’, ‘Mad Max’ (principalmente o segundo), ‘Warriors’ e ‘Excalibur’, com direito a zumbis. Não é a coisa mais original do mundo, mas seria uma ‘Sessão das Dez’ (já que eles passavam no SBT) das mais divertidas.

Em um  futuro não muito distante a Escócia é contaminada por um vírus, e precisa ficar isolada do mundo por um muro. Anos depois, quando se pensa que a ameaça passou, o tal vírus reaparece em Londres, e os cientistas mandam uma equipe para dentro do muro investigar se há cura para a tal infestação, que é atacada pelos sobreviventes. Perseguidos por gangues de canibais e mutantes, eles devem descobrir alguém lá dentro imune ao tal vírus, e assim obter a desejada cura para a infecção que pode acabar com o mundo.

Para não haver dúvida sobre as semelhanças ente esse filme e o já falado ‘Fuga de Nova York’, a heroína, vivida pela linda (e aqui morena) Rhona Mitra, usa um tapa-olho, o que quase a transforma em uma Snake Plisken (icônico personagem vivido por Kurt Russel) de saias. Os vilões, com cortes de cabelo moicano e andando de carro a toda velocidade, só faltavam falar em inglês australiano para passarem por fugitivos de ‘Mad Max’. E ainda tem o alucinado Malcolm McDowell como chefe de uma das (várias) gangues de vilões, que moram em um castelo medieval e promove animados churrascos com a carne de soldados e inimigos capturados.

Como avaliar um filme desses? Se a nota fosse por originalidade seria baixa pois, conforme descrito nos parágrafos acima, os elementos de filmes oitentistas são difíceis de serem ignorados. Talvez passe por novidade por quem não viveu a época e não viu as obras mencionadas... E se a novidade for deixada de lado, e o quesito a ser avaliado fosse diversão? Aí a nota seria alta, pois se trata de um divertidíssimo filme de ação, movimentado, violento, cheio de opções. As atuações são adequadas: Mitra, a protagonista, faz bem a sua parte de ‘heroína de ação’, os soldados britânicos são antipáticos, e McDowell parece estar se divertindo demais com seu papel de vilão. O roteiro tem suas eventuais falhas compensadas pelo ritmo, acelerado, e pela engenhosidade das cenas de ação.

Neil Marshall, trabalhando com orçamento bem maior do que normalmente trabalhava (contou aqui com 40 milhões de dólares, contra 6 em ‘Abismo’ e metade disso em ‘Dog Soldiers’), se sai bem em sua empreitada. Rodando na África do Sul e na Escócia, faz um filme suntuoso, que não faz feio diante de blockbusters que custaram o triplo e o quádruplo de ‘Juízo Final’.

 

A feminilização das culpas da guerra (O Leitor, 2008).

O Leitor é aquele tipo de adaptação cinematográfica que reverencia a excelência do livro original. Der Vorleser, escrito em 1995 pelo jurista alemão Bernard Schlink, alcançou o topo da lista dos mais vendidos do jornal New York Times. O filme do diretor Stephen Daldry mantém uma característica rara dessa obra traduzida em 39 línguas e premiada na Itália, França e Japão: as das histórias que informam mais sobre o contexto histórico, no caso a reconstrução do caráter nacional alemão após o genocídio de milhões de judeus, exatamente quando seus protagonistas silenciam. Aqueles que falam, relevam mais sobre seus contemporâneos do que sobre si próprios.

O Leitor é aquele tipo de adaptação cinematográfica que reverencia a excelência do livro original.

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