Difícil haver alguém que nunca tenha imaginado a vida como um filme. Comédia, drama e uma pitada de suspense pelo desfecho. Escolhe-se trilha, roteiriza-se situações, cria-se fantasias para a própria trama real. E, então, vê-se que não se é personagens de um Show de Truman; os passos são guiados por nada além dos acontecimentos e suas emoções – mas, afinal, não é disso que o cinema é feito? Como uma chave mestra, foi justamente a emoção que deu ao cineasta Juan Zapata a ideia de fazer seu último filme, Ato de Vida – que, por si só, roteirizou o que nem o diretor havia imaginado. O documentário, realizado entre 2006 e 2008, nasceu de um singelo convite: “Não olha o sangue, olha só o que está acontecendo”, sugeriu, diante de imagens de um parto, a mulher que se tornaria personagem central.
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Cidadão Boilesen dirigido por Chaim Litewski e vencedor do Festival É Tudo Verdade em 2009, é um documentário que agrega mais um capítulo cinematográfico importante na história do cinema brasileiro. É salutar que cada vez mais cineastas voltem suas câmeras para este momento histórico traumático do país. Seja para entender o que aconteceu na época (e também relembrar estes fatos às gerações que viveram o período), seja para apresentar uma dura realidade às novas gerações e até mesmo assegurar que nunca mais seremos vítimas de tais atrocidades. O documentário traz informações interessantes – e novas - para quem nunca foi muito a fundo no período. Por isso é tão válido.
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Após a exibição de Os famosos e os duendes da morte, a única certeza a imperar na sala de cinema era a de que acabáramos de assistir a um filme que não se dispunha a estar ali apenas como mais um, engrossando os números da produção nacional. Sem conseguirmos absorve-lo por completo, a única asserção plausível era a de que ainda precisaríamos aguardar um tempo indeterminado até que fosse possível enquadrá-lo – ou seja, receber o devido reconhecimento - no cenário do cinema nacional.
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Paulo Francis foi, talvez, o mais importante e polêmico jornalista brasileiro da história. Morto em fevereiro de 1997, em pleno carnaval, ele ainda mantém uma enorme gama de fãs e detratores. Em Caro Francis, Nelson Hoineff (que criou o Documento Especial - quem não se lembra daquele programa jornalístico-sensacionalista da extinta Rede Manchete?), relembra a trajetória do jornalista, usando imagens de arquivo e também depoimentos de amigos e da esposa, Sonia Nolasco. E é aí que o documentário tropeça, pois é por demais concedente com Paulo Francis. Ele é mostrado quase como um santo, protetor dos fracos e desempregados e amante dos animais. Mas falta o outro lado. Mesmo a parte em que é lembrada a polêmica com o ombudsman da folha de S. Paulo, Caio Túlio Prado, em 1990, Francis é visto mais como vítima, enquanto que o ombudsman é taxado de lagartixa por Diogo Mainardi.
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Não é necessário ser crítico de cinema para apreciar o bom trabalho do colega de profissão Kleber Mendonça Filho no longa-metragem Crítico. Basta o espectador ter um pequeno interesse pelo trabalho, já ter lido alguma coisa a respeito ou ao menos ter a opinião forte sobre um filme que o valha. Isso será ferramenta suficiente para que ele saia do cinema entendendo um pouco mais esta profissão tão prazerosa de se fazer, mas ao mesmo tempo, tão incompreendida.
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Os primeiros quinze minutos de “Lula, o Filho do Brasil”, recriação cinematográfica do livro homônimo de Denise Paraná, evocam clássicos cinemanovistas da linhagem de “Vidas Secas” (Nelson Pereira dos Santos, 1963). Lá estão o chão seco, as plantas raras, os bichos poucos, o pai bruto, a mãe de prole numerosa. O pai, de nome Aristides (Milhem Cortaz), que aparenta ter mais amor pelo cachorro doméstico do que pelos filhos, abandona a casa, a esposa e os meninos para tentar a sorte numa grande metrópole do sudeste. Escondida atrás de uma árvore seca e retorcida, o espera uma adolescente (Mocinha, interpretada pela atriz Rayana Carvalho), já grávida. Mais tarde saberemos que a mocinha é prima de Dona Lindu, a mãe dos filhos de Aristides (interpretada com segurança por Glória Pires).
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